
A barreira na Estrada Gentil Forn não impede que pedestres e motociclistas enfrentem o trecho interditado. O local, que tem acesso bloqueado para veículos e pedestres desde as chuvas de fevereiro deste ano, é de grande importância para o acesso à Zona Norte de Juiz de Fora. Mesmo fechado, continua sendo utilizado por quem mora na região e precisa chegar ao trabalho, e vice-versa. A Tribuna acompanhou uma manhã no local e conferiu o fluxo, com pessoas se locomovendo por motivo de trabalho, passeio e até para treinar corrida, mas que podem estar enfrentando riscos na travessia.
Esse é o caso de L. A., 29, que não quis ser identificada na matéria. Ela trabalha na região afetada e conta que tanto a sua rotina quanto o fluxo do trabalho se alterou bastante desde fevereiro. “O movimento de clientes reduziu e para nós, trabalhadores, está horrível. Muitas vezes não conseguimos chegar no horário”, conta. Quando perde o ônibus que a deixa de casa até próxima do local, explica que precisa ir andando do ponto da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) até o trecho, atravessando a Estrada Gentil Forn, o que leva cerca de meia hora. E, nesse período, também encontra outros trabalhadores repetindo a rota, como ocasionalmente também precisa fazer Maurício da Silva, 48, que trabalha com serviços gerais. “Não é toda vez, mas hoje perdi o ônibus, então precisei. Nem sempre subo, só quando não consigo o ônibus. E quando subo, vejo outras pessoas vindo também”, diz ele.
A moradora do Vale do Ipê Joana D’Arc Simões, 63, conta que os pedestres não receberam indicação a respeito da travessia do trecho. Ela usa a via para passear com o cachorro, mas conta não chegar perto de onde o terreno cedeu. O que ela evita, no momento, é chegar perto das áreas em que se sente mais em risco, como onde o terreno deslizou. Mas as motos, ao menos para atravessar a barreira, chegam bem perto do barranco.
Até que a situação se normalize, serão muitos meses de espera: as intervenções previstas para a recuperação do local foram estimadas em R$ 91 milhões e incluem contenções de encosta, reconstrução do pavimento, obras de drenagem e implantação de passeios. Apesar de a Câmara Municipal já ter aprovado que a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) contraia empréstimo de R$ 86,4 milhões para isso, ainda não há informações sobre o início das obras e tampouco o fim. Neste momento, o projeto de contenção está em fase de elaboração e será submetido à aprovação dos órgãos financiadores.
Interdição é mantida por segurança, diz PJF
Quando questionada pela Tribuna, a Prefeitura de Juiz de Fora informou que a Estrada Engenheiro Gentil Forn permanece sinalizada e com defensas metálicas para impedir o acesso de veículos. Além disso, esclareceu que o trecho também não está liberado para pedestres e segue “sob monitoramento contínuo de agentes de transporte e trânsito e da Guarda Municipal, inclusive por meio de câmeras”.
Ainda segundo o Município, a interdição está mantida por orientação da Defesa Civil, em razão das condições de segurança da via. “Por isso, é fundamental que os condutores respeitem a sinalização, contribuindo para a própria segurança e a de todos que circulam pela região”, diz. Também foi afirmado que a Prefeitura está atuando de forma contínua para melhorar as condições de circulação e garantir a segurança viária nos demais acessos à Cidade Alta.
