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Calouros: 67% nas classes C, D e E

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Pesquisa da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), divulgada na semana passada, põe em xeque a crença popular de que apenas estudantes abonados conseguem vagas em universidades públicas. Segundo o levantamento, 44% dos matriculados nas entidades federais de educação superior pertencem às classes C, D e E. Levantamento feito pela UFJF junto aos aprovados no último processo seletivo da instituição confirma que as faixas de renda inferiores são predominantes na federal de Juiz de Fora: 67% dos ingressantes em 2011 têm renda familiar de até cinco salários mínimos – R$ 2.725 -, o que coloca a maioria dos calouros também nas classes econômicas inferiores, de acordo com classificação do IBGE. No entanto, graduações com ingresso mais concorrido apresentam concentração maior de estudantes de classes média e alta.

Tradicionalmente o mais disputado, o curso de medicina tem quase metade de calouros incluídos nas classes B e C, com renda familiar entre cinco e 15 salários mínimos (de R$2.725 a R$8.175), além de um percentual significativo de estudantes – 13,5% – que declararam vencimentos superiores a esse limite. Já no curso de enfermagem, também da área de saúde, porém menos concorrido, os acadêmicos com renda inferior a cinco salários representam 85,5% das turmas iniciadas em 2011. O curso não tem nenhum ingressante cuja soma das remunerações da família ultrapasse os 20 salários mínimos (mais de R$10.900), ou seja, nenhum estudante pertencente à classe A. Considerado o melhor do Brasil, o curso de direito diurno é o que tem mais estudantes nessa faixa salarial, com 11,2% na classe econômica superior (ver quadro).

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"É muito claro que nosso aluno é de camada baixa, ou seja, se tivesse que pagar mensalidade para estudar, não estudaria. O alunado mais rico se concentra em cinco ou seis cursos, naqueles que exigem um investimento muito grande durante o ensino médio, quase sempre impõem a realização de cursos preparatórios para ingresso, e envolvem condição social capaz de fazer com que esse aluno tenha tempo livre para estudar", comenta o titular da Pró-Reitoria de Graduação da UFJF, Eduardo Magrone. Estatísticas da universidade mostram, também, que 14,5% dos calouros de 2011 trabalham e participam do sustento da família.

O pró-reitor observa que o número de alunos que contribui com a manutenção familiar está crescendo, da mesma forma que o percentual de aprovados de baixa renda vem subindo. No processo seletivo 2009, o índice de calouros que trabalhavam era de 11%, enquanto a fatia de classificados com rendimento familiar de até dois salários era de 17%. Hoje, é de 26,2%. Para o professor, a assistência estudantil representa fator fundamental para o desafio de, da mesma forma, expandir o acesso ao ensino e assegurar a permanência e o aprendizado do estudante. "O aluno que tem que dividir seu esforço acadêmico com sustento próprio ou da família tem drástica queda no rendimento acadêmico. A assistência estudantil permite equilibrar o desempenho de alunos de baixa renda com o dos mais favorecidos, na medida proporciona mais tempo livre para que este se dedique a seu curso. O tempo é o capital das classes mais abonadas hoje."

 

Andifes quer maior apoio estudantil

A Andifes atribui a participação de alunos de baixa renda nas universidade federais brasileiras à implantação de ações afirmativas, como política de cotas para negros e egressos de escolas públicas, mas defende um aumento dos recursos para assistência estudantil, a fim de assegurar a permanência dos aprovados no ensino superior. A UFJF não informou quantos alunos da instituição recebem esse tipo de apoio, mas a pesquisa nacional estima que cerca de 15% dos acadêmicos de instituições federais sejam assistidos, pelo menos, quanto à alimentação. A Andifes prega que 67% dos acadêmicos deveriam ser atendidos, em maior ou menor grau.

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O levantamento aponta, ainda, que, embora estudantes de etnia branca ainda sejam maioria (54%), o percentual de negros no ensino superior federal subiu de 5,9%, em 2004, para 8,7%, em 2010. No entanto, na região Sudeste, os afrodescendentes são apenas 6,4% em um universo de 64,9% de brancos. A pesquisa diz, ainda, que mais da metade dos universitários utilizam transporte coletivo para ir às aulas, a maioria mora com os pais e mais de 37% trabalham. Quarenta e cinco por cento dos estudantes são oriundos da escola pública. O índice de trancamento de matrícula é de 12,4% e, dessa fatia, 15% deixam os estudos por motivos financeiros. Os dados por instituição federal de ensino superior ainda não foram divulgados.

 

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