
Os ônibus do transporte coletivo urbano voltaram a circular em Juiz de Fora na manhã desta quinta-feira (9). Em protesto dos trabalhadores, o serviço havia sido interrompido na manhã de quarta-feira (8) após o atraso no pagamento dos salários de 198 colaboradores da Goretti Irmãos Ltda (Gil). Até o fechamento da edição da Tribuna de quarta, os veículos permaneciam parados na área central, ocupando boa parte das pistas das avenidas Rio Branco e Getúlio Vargas. De acordo com as primeiras informações, um acordo selado entre empresários e colaboradores deu fim ao movimento por volta da meia-noite.
Segundo informações do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Juiz de Fora (Sinttro/JF), em acordo realizado pelos consórcios envolvidos no imbróglio, ficou definido que a Ansal vai arcar com os vencimentos dos funcionários referentes ao mês de junho. A definição, costurada na madrugada desta quinta-feira, possibilitou o fim, ao menos temporário, da paralisação, enquanto os trabalhadores aguardam o depósito do salário.
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Indicativo de greve
O Sinttro também confirmou que divulgará edital de indicativo de greve ainda nesta quinta-feira, durante o período da tarde, definindo prazo de 72 horas para que a GIL, que opera linhas que circulam na Zona Leste de Juiz de Fora, defina a situação dos funcionários. A demissão, o pagamento de verbas rescisórias para possibilitar a admissão definitiva da Ansal e a volta dos trabalhadores ao quadro da GIL são as possibilidades consideradas pelo sindicato. “Caso isso não ocorra em 72 horas, haverá uma paralisação na GIL”, confirma, por assessoria, a entidade sindical.
A reportagem entrou em contato com as duas empresas envolvidas nas negociações para confirmar as informações, mas ainda aguarda resposta.
A Prefeitura ainda não se manifestou sobre o fim do movimento desta quarta. Pelo menos até as 21h, o Poder Executivo aguardava a decisão da Justiça, após ingressar com ação civil pública com pedido de tutela liminar para o retorno imediato do serviço de transporte público.
O imbróglio
A problemática que resultou na paralisação espontânea dos trabalhadores na quarta-feira começou ainda no princípio de 2020. Em janeiro, 198 trabalhadores contratados pela Gil que estavam com problemas para receber salários foram cedidos à Ansal após acordo para remanejamento de linhas entre os consórcios. No último dia 15 de junho, entretanto, os trabalhadores foram dispensados pela Ansal, mas a Gil, empresa na qual ainda mantinham contrato, não os reintegrou em seu quadro de funcionários.
Enquadrados na Medida Provisória (MP) 936/2020, atualmente os funcionários têm os vencimentos fatiados entre Governo federal (70%) e empresa contratante (30%). Com o impasse, no entanto, nenhum dos 198 trabalhadores receberam a parcela de responsabilidade da Gil, culminando na paralisação.
Movimentação durante todo o dia
Na quarta-feira, por volta das 8h30, os funcionários deflagraram paralisação, obstruindo as duas faixas exclusivas aos transportes públicos na Avenida Getúlio Vargas e o corredor central da Avenida Rio Branco, dificultando o tráfego dos demais ônibus e provocando transtorno aos passageiros com longa espera nos pontos.
Durante a manhã, representantes sindicais estiveram em reunião, terminada sem acordo, com a Secretaria de Transportes e Trânsito (Settra) e os consórcios envolvidos. Já a tarde, as partes interessadas voltaram a se reunir, dessa vez com mediação do Ministério do Trabalho. Mesmo após mais de quatro horas de negociações, não houve acordo entre as empresas e a paralisação foi mantida.
Na madrugada, enfim, Ansal e Gil chegaram a um consenso para possibilitar o pagamento dos vencimentos dos funcionários, de acordo com o sindicato.

