Após cerca de um ano paralisado, o Castramóvel voltou aos atendimentos à população no último dia 2, quando foi até o Bairro Terras Altas para inaugurar o retorno do programa de castração itinerante. A demanda juiz-forana é grande pelo serviço, que inicialmente vai atender aos pedidos que foram cadastrados durante seu período de ausência, priorizando os bairros com maiores incidências de abandono de animais. De acordo com o Departamento de Controle Animal (Dcan) do Demlurb, cerca de 25 mil solicitações devem ser atendidas, mas o programa deve ter continuidade após a resolução dos casos pendentes.
Em julho, o programa completaria 12 meses de ausência justificada pela falta de repasse de recursos da Secretaria de Saúde da Prefeitura de Juiz de Fora (SS/PJF) para o Dcan, o que, por sua vez, era resultado do não envio de verbas da Secretaria de Estado de Saúde (SES/MG), como noticiado em reportagem da Tribuna em maio. Entretanto, de acordo com a gerente do departamento, Mirian Neder, a expectativa da pasta é pelo retorno do envio de um valor fixo por mês, possibilitando a manutenção do serviço.
Em um primeiro momento, no entanto, o programa não está aceitando novos registros, ocupando-se em atender às demandas que ficaram pendentes durante o ano de ausência. Inicialmente, a ordem dos atendimentos se dará visando os bairros com maiores incidências de abandono de animais, os quais, de acordo com o Dcan, são geralmente as localidades próximas às entradas da cidade. De acordo com Mirian, a paralisação do serviço causou aumento expressivo na quantidade de animais abandonados no município, o que pode resultar em diversos problemas de saúde pública e sofrimento dos animais.
“Ficou um ano parado e o número de abandono de animais aumentou bastante. Além de ser um problema de saúde pública, eles estão contraindo e transmitindo zoonoses? Sarna, leishmaniose… aqui nós não temos muitos registros, mas em Belo Horizonte está tendo surto, então, além das zoonoses, eles podem causar acidentes, às vezes com vítimas humanas também, além de serem atropelados, ficarem expostos a todo tipo de crueldade”, reflete Mirian.
Abandono e adoção de animais
Com os possíveis agravamentos causados pelo aumento no número de abandonos, o Dcan orienta os populares a denunciar os casos que forem flagrados, já que o ato se configura infração segundo o artigo 32 da Lei Federal 9.605/1998, que dispõe sobre crimes ambientais. “A primeira coisa que a gente orienta é fotografar quando vir alguém abandonando. Fotografar ou filmar e levar para a polícia, porque geralmente o carro para e põe o animal para fora, e muitas vezes a pessoa consegue flagrar. A gente tem conseguido punição para esse tipo de crime. Infelizmente não dá cadeia, mas há outras punições, como pagar multas, horas de serviço comunitário”, afirma Neder.
No caso de aparecimento de animais doentes ou feridos, a orientação é encaminhá-los para o Canil Municipal, onde eles são tratados e, em seguida, disponibilizados para adoção. Animais saudáveis já não são mais recolhidos pela carrocinha devido à impossibilidade de manter todos no canil. Sendo assim, apenas os que estão em situação de especial atenção são resgatados, como fêmeas no cio, com filhote ou animais doentes, de acordo com o Dcan.
Atualmente, cerca de 400 animais estão disponíveis para a adoção no Canil Municipal. O processo adotivo é simples, de acordo com Mirian, sendo verificada a aptidão do candidato para receber o animal em casa. “Para adotar, o interessado passa por uma entrevista, para verificar se o animal vai se encaixar na família dela, no tipo de residência. Passando na entrevista, tem um termo de adoção e, dando tudo certo, há um tempo de adaptação, dentro do qual a pessoa pode devolver no caso de algum problema. Mas o índice de devolução é muito pequeno.”

