
Refeição foi oferecida no pátio da Igreja de Nossa Senhora de Fátima, em São Pedro (OLAVO PRAZERES/08-06-15)
Com a greve dos técnicos-administrativos da UFJF, que atinge o funcionamento das duas unidades do Restaurante Universitário, alunos participantes do Ministério Universidades Renovadas (MUR), ligado ao Ministério da Renovação Carismática Católica (RCC), ofereceram ontem almoço gratuito no pátio da Igreja de Nossa Senhora de Fátima, no Bairro São Pedro, na Cidade Alta. Conforme o grupo, a medida não pretende interferir no movimento de greve, mas servir como alternativa para estudantes que não têm condições de arcar com custos de alimentação ou não conseguem trazer de casa o próprio alimento. Foram distribuídos cerca 45 pratos, com arroz, feijão, macarronada com carne moída e suco.
“Fomos a alguns restaurantes no bairro, e o menor preço encontrado foi de R$ 7,90. Para quem paga R$ 1,40, é muito dinheiro. Além disso, cerca de 700 alunos tem gratuidade no RU. Queremos amenizar a situação destes alunos”, explicou a estudante de arquitetura Cíntia Borel, membro do MUR e uma das coordenadoras da iniciativa. Os alimentos servidos foram doados pela comunidade e por professores da instituição. “Todo trabalho na cozinha vem sendo feito por voluntários.” Segundo Cíntia, quem quiser pode contribuir com alimentos, material de limpeza, copos descartáveis, verduras e dinheiro para a carne. Para hoje, o MUR irá oferecer novas refeições.
O pároco da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, padre Luiz Roberto Magalhães, conhecido na comunidade como padre Zucka, disse que abraçou a causa dos estudantes antes mesmo de saber se teriam como conseguir as doações necessárias. “Foi um ato de solidariedade e de amor ao próximo. Em todas as missas presididas na igreja, pedi à comunidade para que trouxesse alimentos. Quem não puder doar, que sirva um prato de comida a um destes estudantes.”
Há mais de uma semana sem frequentar o RU, o estudante de direito Fernando Assis, 20 anos, já sentiu no bolso a diferença. “Antes, gastava diariamente R$ 2,80 com o almoço e o jantar. Hoje, uma refeição não sai por menos de R$ 10. Em quase duas semanas, gastei o equivalente a dois meses comendo no RU”. Quem também aprovou a iniciativa foi o estudante de educação física Gustavo Bernardes, 18. “O RU ajudava bastante, principalmente nos dias que tenho aula de manhã e de tarde.”
Procurado, o Sintufejuf disse desconhecer esta prática e preferiu não se pronunciar. Conforme o presidente da entidade, Paulo Dimas, a categoria tem nova assembleia hoje, para discutir os rumos do movimento grevista, que até então, não tem previsão de ser suspenso. Conforme balanço do sindicato, 80% dos servidores estão parados e, além dos RU, a paralisação atinge a biblioteca central, a central de atendimento, o transporte e algumas unidades acadêmicas.

