
Delegado Rolli vai ouvir mãe e padrasto novamente
O padrasto envolvido na morte da menina Luana Silva da Rocha, de 2 anos, já possuía passagens pela polícia por crimes de lesão corporal, incêndio consumado, agressões contra companheiras e resistência e agressão contra policiais. Encaminhado ao Ceresp, na última quinta-feira, depois de ser preso no velório da criança, ele também tem registros de outras entradas no sistema prisional. De acordo com a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), o homem, de 28 anos, já havia sido preso na mesma unidade em 2010, quando deu entrada em 13 de fevereiro e saiu em 2 de março. No ano seguinte, ele também passou pelo Ceresp, entre 28 de janeiro e 5 de abril.
A Tribuna teve acesso a algumas ocorrências nas quais o homem preso por suspeita de matar a criança a chutes e socos na companhia da mãe dela aparece como uma pessoa violenta. No ano passado, por exemplo, em novembro, ele ateou fogo na casa onde o filho dele morava com sua ex-cônjuge, no Nova Germânia, após discutir com ela, portando uma faca.
Em outro caso, de 2013, sua ex-companheira acionou a PM, após ter sido agredida por ele. O homem também arremessou uma faca em direção a ela e quebrou uma porta de vidro e uma televisão. Ainda neste episódio, ao ser preso, ele jogou objetos contra os militares e os agrediu. Em novembro de 2011, o padrasto de Luana tentou enforcar a ex-mulher e, em seguida, jogou-a contra a parede. No ano anterior, ao se envolver também em agressão contra a ex-companheira e ser conduzido para a delegacia, o homem desferiu um soco contra um detetive da Polícia Civil.
O padrasto e sua atual companheira foram presos no velório de Luana depois que o laudo do IML apontou que a criança havia morrido por trauma contundente, traumatismo crânio encefálico e hemorragia na cabeça. Ele e a mãe da menina confessaram o crime e foram presos.
Exame de sanidade
Ontem, o titular da Delegacia Especializada de Homicídios, Rodrigo Rolli, informou que irá pedir exame de sanidade mental para a mãe e o padrasto. O casal deverá prestar novo depoimento na próxima semana, assim como o pai biológico da criança. O delegado também relatou que uma equipe de investigadores esteve na casa onde vivia a família, no Granjas Bethânia, e não encontrou vestígio que apontasse uso de drogas ou álcool. “O que está muito claro é a frieza com que agiram. Em depoimento, afirmaram que deram várias “bicudas” na cabeça da criança, que teve o crânio esfacelado. O casal também disse que não fez uso de qualquer substância antes do crime.”
Segundo Rolli, também será apurado onde está uma filha do casal, que teria cerca de 2 meses de vida. Conforme ele, após dar a luz, a mulher teria tido complicações e ficado internada. A dupla segue detida, a mulher na Penitenciária Ariosvaldo Campos Pires, e o homem, no Ceresp. Eles estão presos provisoriamente, mas a expectativa do delegado é que haja conversão para prisão temporária. A dupla deve ser indiciada por homicídio triplamente qualificado.

