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‘O idoso precisa sentir que está vivo’

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Diante da bandeira que sempre empunhou ao longo de sua vida pessoal e profissional, o assistente social José Anísio Pitico da Silva reflete sobre a vida dos idosos no município em seu novo livro, que será lançado hoje, às 11h, na Livraria Liberdade (Rua Benjamin Constant 801). Fruto do trabalho de sua dissertação, concluída em 2010, “Gestão da Política Nacional do Idoso à luz da realidade de Juiz de Fora” aponta como os serviços públicos oferecidos à população acima dos 60 anos na cidade ainda são “tímidos e acanhados”. Apesar de traçar um panorama de 1990 a 2010, a pesquisa – desenvolvida com gestores e conselhos nas áreas de saúde, assistência social, educação e transporte e trânsito – aponta um dilema: de lá para cá, a situação “permanece inalterada”. Em entrevista à Tribuna, Pitico avalia como são direcionadas as políticas públicas para a população e argumenta que é necessária maior atenção à causa, princípio este que já é, inclusive, reconhecido pelos próprios gestores.

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Tribuna – O que é possível constatar a partir da pesquisa desenvolvida?

José Anísio Pitico da Silva – A dissertação foi apresentada em 2010 e, passados cinco anos, não existe uma pesquisa mais recente e não há resultados na oferta de serviços à população idosa. O que está apontado no livro continua inalterado. A proposta dessa divulgação é criar um debate, chamar a atenção para o quanto este tema continua no ostracismo, sem entrada na gestão pública. Se pegarmos a área da saúde, por exemplo, são pouquíssimos profissionais capacitados na área de gerontologia. Juiz de Fora não possui dez geriatras sequer na rede pública municipal para uma população de mais de 80 mil pessoas. No plano municipal, há apenas dois serviços municipais na assistência social: o bom trabalho da Amac, com o Pró-Idoso, mas que está estacionado, e o Departamento de Saúde do Idoso. As deliberações das conferências não são vistas, não são implementadas. As políticas públicas para os idosos passam ao largo da gestão pública. Não é só Juiz de Fora, mas o que os próprios gestores reconhecem o quanto precisamos avançar.

A criação da Comissão do Idoso da Câmara e as leis aprovadas deste então não têm um reflexo neste cenário?

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– A comissão foi criada em 2011, um ano depois da conclusão dos estudos. Ela deu um pouco mais de visibilidade ao trabalho social, principalmente durante a presidência do ex-vereador e hoje deputado estadual Isauro Calais (PMN), que a pegou como um braço político. Sou da opinião que houve uma turbinada, mas o problema é se isso retroceder. Hoje a presidência está nas mãos da vereadora Ana do Padre Frederico (PDT) e é composta por outros vereadores. Eu acho que a gente precisava de uma retomada dos trabalhos.

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Qual seria, então, a melhor alternativa para que essas políticas ganhassem visibilidade?

– Penso e tenho falado muito que os idosos têm que se organizar politicamente. Não adianta só o político falar para o velho. É preciso que o idoso passe a ter representatividade política. Mas no atual momento, as instituições políticas estão muito debilitadas. A gente vive numa sociedade pouco associativista. Não há unificação de luta como nas décadas passadas. Falta estímulo para a participação política coletiva.

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Essa falta de mobilização passa por uma sensação de inatividade que os idosos podem ter após a aposentadoria?

– Os idosos que participam de movimentos institucionais são muito estimulados a viver, a não se aposentarem da vida. Mas os idosos aos quais não chegam essas informações, sentem-se retraídos. Não há um estímulo positivo dentro de casa, na vizinhança. Essa questão do envelhecimento tem que envolver associações de bairros, igrejas, políticas públicas. O idoso precisa sentir que está vivo. A cidade precisa aumentar a oferta dessas informações. Até que ponto a cidade está preparada? A Política Nacional do Idoso ainda é uma ilustre desconhecida. O Estatuto do Idoso poucos conhecem.

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