Quantas tampinhas são suficientes para castrar um animal? Se achou a pergunta curiosa, é porque ainda não conhece o JF Eco Pets, iniciativa criada pelos alunos da primeira turma do curso de Medicina Veteritária da Universidade Salgado de Oliveira (Universo). Cerca de dez alunos decidiram criar um projeto de extensão que tivesse como objetivo a saúde pública e o meio ambiente. “Vamos arrecadar todos os tipos de tampas plásticas – como as de garrafa pet, de caneta, de creme dental, de amaciante, de frascos de remédios, de potes como manteiga, requeijão, leite em pó – e, com a venda, vamos converter esse dinheiro em castração. Primeiro serão os animais de rua, aqueles que estão com andarilhos. Vamos pedir autorização, explicar o protocolo que será feito, levar o animal, castrar e devolver para ele, explicando todo o cuidado que deverá tomar. Depois daremos prioridade para pessoas que recolhem animais de rua para doação e, então, famílias que têm vontade de castrar, mas não têm condição financeira. Temos um cadastro com o pessoal da reciclagem para comprar as tampinhas”, explicou a aluna do 3º período, Maria de Fátima Almica Húngaro, 48 anos. A ideia foi abraçada pela universidade e pelos professores Rodrigo Guerra e Juliana Mendonça, que coordenam o projeto. A intenção é abranger todos os tipos de pets, como cães, gatos e coelhos. A ideia é inspirada em projeto semelhante desenvolvido no Rio de Janeiro.
Como o curso de medicina veterinária ainda é recente, a Universo ainda não tem estrutura para fazer as cirurgias em seu próprio espaço e nem mesmo os alunos são autorizados a atuar. Por isso, a iniciativa conta com o apoio de veterinários que se propuseram a operar os animais a preço popular. O valor das cirurgias variam segundo o peso do animal: é possível estimar que para castrar uma cadela de médio porte sejam necessárias aproximadamente 300kg de tampinhas; já um gato precisa de cerca de 107kg. A matemática funciona assim: cada quilo de tampinha (cerca de 500 unidades) será vendido a R$ 0,80. Ou seja: a cirurgia de uma cadela custa cerca de R$ 240, enquanto para o gato seria R$ 85,60. Pode parecer que o número de tampinhas necessárias é muito alto, mas, segundo a estudante Maria de Fátima, o empenho das pessoas em colaborar é tanto que os trabalhos podem começar em breve. “As pessoas às vezes pensam que é muita coisa, mas a gente já tem tanta tampinha para juntar que acho que até o final do mês podemos começar as operações. Têm condomínios tentando juntá-las para a gente, escolas querendo fazer gincanas. Também temos muitos alunos na faculdade e, se cada um correr atrás, teremos muitas”, comenta. Segundo ela, na última contagem, já havia cerca de cinco mil tampinhas. A estimativa é de que o cadastro dos animais a serem cadastrados seja feito também neste mês.
Causa ambiental
Por focar na reciclagem de plástico, o projeto visa também contribuir com o meio ambiente. Mas o principal foco está no bem-estar dos animais e na questão de saúde pública: com o objetivo de diminuir a população de animais de rua, ao mesmo tempo que almeja dar mais qualidade de vida aos bichinhos castrados, prolongando sua longevidade. “Estes animais são muito livres e se reproduzem indiscriminadamente. Isso gera um transtorno para a população, porque tem um volume grande de animais que ficam na rua sem tutor. Eles também estão sujeitos a ficar doentes, disseminar doenças, sofrer maus tratos e atropelamentos. Além da questão de saúde pública, existe também uma prevenção do sistema reprodutor. As cadelas, quando vão envelhecendo, têm muita tendência à formação de tumores de mama e infecções do aparelho reprodutor e isso acaba gerando óbito. A iniciativa da turma de veterinária vem com esse aspecto de amor desses alunos e todas as pessoas envolvidas em querer o bem-estar desses animais”, destaca o médico veterinário e professor de anatomia, Rodrigo Guerra.
Como ajudar
Os interessados podem levar as tampinhas na Universo, localizada na Avenida dos Andradas 731, de segunda a sexta, de 8h às 22h. Após o recolhimento dos itens, os alunos irão higienizá-los e separá-los para levar para a venda. O grupo incentiva que os doadores tirem, caso tenham pets, tirem fotos deles com as tampinhas e postem no Instagram, marcando o perfil do projeto @jfecopets. A ideia, segundo os organizadores, é utilizar a rede social também para informar sobre os cuidados que os pets precisam. A expectativa é oferecer palestras em escolas e faculdades com o intuito de orientar a população. Outras informações podem ser obtidas pelo (32) 99104-4459.
