Ícone do site Tribuna de Minas

Mananciais de JF ainda preocupam

necessidade de preservar o entorno dos mananciais foi um dos assuntos em pauta no plenario

necessidade-de-preservar-o-entorno-dos-mananciais-foi-um-dos-assuntos-em-pauta-no-plenario

Necessidade de preservar o entorno dos mananciais foi um dos assuntos em pauta no plenário
PUBLICIDADE

Necessidade de preservar o entorno dos mananciais foi um dos assuntos em pauta no plenário

PUBLICIDADE

Uma audiência pública, na Câmara Municipal, discutiu, na tarde de ontem, a crise no abastecimento de água em Juiz de Fora. A reunião, solicitada pela Comissão Permanente de Urbanismo, Transporte, Trânsito, Meio Ambiente e Acessibilidade do Legislativo, tinha como objetivo esclarecer a população sobre qual a real situação dos mananciais do município. Conforme a Cesama, os níveis das principais represas ainda são preocupantes, sendo que Chapéu D’Uvas está com 41% da capacidade de armazenar água, João Penido, 34%, e São Pedro, 96%. Esta última, no entanto, é pequena e abastece somente 8% dos lares, o que representa parte da Cidade Alta. A audiência também serviu para representantes de bairros e entidades de classe reivindicarem situações diversas, como problemas relacionados às redes de drenagem de água pluvial, interrupções pontuais de abastecimento em alguns bairros e a necessidade de expandir a oferta de tratamento do recurso para os distritos, como Humaitá e Chapéu D’Uvas.

No momento mais caloroso da audiência, José Rufino de Souza, do Grupo Ecológico Salvaterra, denunciou que o município ainda não tem um plano estratégico do uso das águas. “Chapéu D’Uvas está situada nos limites de Ewbank da Câmara, Santos Dumont e Antônio Carlos, e o Poder Público é omisso porque não elabora planos estratégicos com estes municípios, cujos gestores têm interesse de fazer ocupações imobiliárias às margens da represa para fins turísticos.”

A necessidade de preservar o entorno dos mananciais esteve presente durante toda a audiência. Segundo o vereador José Márcio (Garotinho, PV), presidente da Comissão Permanente de Urbanismo, é necessário aumentar o rigor contra o desmatamento nestas áreas, que estariam deixando as represas desprotegidas. Ele apresentou diversas fotos da Represa de João Penido, mostrando o problema, comparando imagens de novembro de 2013 com outras feitas no último sábado. “Há muitas construções no entorno da represa, e várias terraplanagens em andamento. Esta terra vai direto para o manancial.” Ele também citou a vulnerabilidade do Ribeirão Espírito Santo.

Já sobre a Represa de São Pedro, a advogada socioambiental Ilva Lasmar denunciou que, com o início das obras da BR-440, vários córregos que carregam o lago foram desviados para a canalização de água pluvial, e isso pode ter contribuído para ela ter secado ano passado.

PUBLICIDADE

Dificuldades

PUBLICIDADE

Conforme o diretor presidente da companhia, André Borges de Souza, a dificuldade em evitar estas construções existe porque a Cesama não é a proprietária dos terrenos que margeiam as represas. No entanto, ele enfatiza que os cuidados neste segmento precisam aumentar. “A crise hídrica aconteceria de qualquer maneira porque choveu muito menos que o esperado, mas é fato que as ocupações contribuíram.

Ele também descartou desativar São Pedro, dizendo que a companhia continuará tendo a outorga para retirar o recurso. “Existe sim a possibilidade grande de o lago se transformar em um parque, que deverá conviver com a captação da água. Não vamos abrir mão disso.”

Segundo o diretor de Desenvolvimento e Expansão da Cesama, Marcelo Mello do Amaral, no pior cenário, que leva em consideração precipitações como em 2014, em outubro, João Penido terá 19% de sua capacidade de água, chegando a 39 em dezembro deste ano. Caso chova dentro da média histórica, ela atingiria a totalidade em dezembro. “Mas este cenário (chover o esperado para o período) é remoto. Por isso estamos demandando mais Chapéu D’Uvas para preservar João Penido, que terá vazão reduzida de 850 para 600 litros por segundo.” Os testes operacionais para aumentar a responsabilidade do novo manancial deverão começar ainda em janeiro.

PUBLICIDADE
Sair da versão mobile