As três suspeitas de terem agredido um adolescente homossexual, na noite da última segunda-feira, no Bairro Nova Benfica, Zona Norte, se apresentaram na delegacia ontem à tarde. Conforme o delegado Rodolfo Rolli, apenas uma delas, de 18 anos, confirmou as agressões, mas negou que o motivo tenha sido homofobia. “Ela alegou motivos pessoais, porém, não disse quais. As outras duas (uma mulher que não teve a idade divulgada e sua filha adolescente) disseram que apenas separaram a briga. Por tudo que está apurado até agora, o depoimento dela não muda minha convicção de que a motivação para o crime foi a homofobia”, afirmou. Como elas não estão em situação de flagrante, foram ouvidas e liberadas. Um homem suspeito de participar das agressões já foi identificado, mas ainda não foi localizado.
As mulheres estavam intimadas para esclarecimentos na próxima sexta-feira (9), no entanto, segundo Rolli, o caso causou grande comoção no bairro, e elas estavam com medo de serem linchadas. “Já expedi ordem de serviço para ouvir agora o dono do bar onde os suspeitos bebiam e a filha dele, que também estava no local, para esclarecer o que realmente houve e a participação de cada um. Já temos a identidade do outro suspeito, porém, ele ainda não foi localizado”, comentou Rolli.
O delegado declarou ainda que recebeu ontem o laudo do exame de corpo de delito da vítima, feito pelo Instituto Médico Legal. “A legista constatou que as agressões se deram por meio cruel, devido às múltiplas lesões na região facial e craniana.” Rolli informou que em 30 dias o adolescente será novamente submetido a exame de corpo de delito. “Se as lesões tiverem deixado alguma sequela, o crime passa a ser lesão corporal gravíssima”, comentou.
As agressões contra o jovem ocorreram na noite da última segunda-feira, por volta das 21h, quando a vítima passava pela Rua Assuene Antônio Ribeiro. Os suspeitos, que bebiam em um bar, teriam o insultado com xingamentos homofóbicos e, em seguida, agredido o jovem. Ele teve o rosto desfigurado e ficou com diversos hematomas nas costas. O rapaz só conseguiu se desvencilhar do grupo depois de ser ajudado por um amigo que passava pelo local.
Rodrigo Rolli acrescentou que investiga, em paralelo, uma briga entre uma das suspeitas e uma prima do jovem agredido.
OAB repudia ação violenta
Na tarde de ontem, a Ordem dos Advogados do Brasil Subseção Juiz de Fora (OAB), a Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da OAB-JF e a Comissão da Diversidade Sexual da Ordem divulgaram nota de repúdio contra “toda e qualquer manifestação homofóbica”. A entidade classificou o caso do adolescente espancado como um “ato de selvageria e crueldade” e prestou solidariedade ao rapaz e seus familiares.
A nota, assinada pelo presidente da OAB, Denilson Clozato Alves, diz que nada justifica tamanha ignorância e desrespeito. “Fica aqui o repúdio da OAB Subseção Juiz de Fora, que, junto com muitas outras entidades, coletivos e faculdades parceiras, vem tentando incansavelmente mobilizar a coletividade buscando paz, tolerância e respeito à dignidade da pessoa humana.”
O texto lembra ainda o pioneirismo de Juiz de Fora, que aprovou a Lei Rosa, em vigor desde 2000. “A cidade não pode tolerar que a violência contra a liberdade de orientação sexual volte a amedrontar a sociedade. A OAB Subseção Juiz de Fora acompanhará o desenrolar do inquérito policial e os desdobramentos do caso em questão. A OAB Subseção Juiz de Fora aguarda uma ação efetiva dos setores responsáveis pela apuração e punição de quem só entende a violência e a agressão como forma de expressão.”
