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Soldado da PM se apresenta à polícia

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O policial militar suspeito de ter disparado os tiros que atingiram um jovem, 21 anos, na porta de uma casa noturna no Bairro Aeroporto, Cidade Alta, na madrugada de quinta-feira, se apresentou ontem à Polícia Civil. O soldado, 33, lotado na 99ª Companhia do 27º Batalhão, confessou ter efetuado os disparos com uma pistola ponto 40, mas alegou ter agido em legítima defesa. Paralelamente ao inquérito, a Polícia Militar instaurou procedimento administrativo a fim de verificar a conduta e as responsabilidades do soldado, que estava de folga no momento do ocorrido. De acordo com o titular da 2ª Delegacia Distrital responsável pela investigação, Eurico Cunha, o suspeito disse que atirou para se defender depois de ter sido golpeado por trás e caído no chão. As agressões teriam continuado e, ainda deitado, o policial teria sacado a arma e disparado seis vezes.

No entanto, as informações contidas no boletim de ocorrência davam conta de que o atirador teria ido até um carro buscar a pistola antes de efetuar os tiros que perfuraram o Palio ocupado pela vítima e um amigo. Dois dos projéteis atingiram a região glútea do jovem sentado no carona. Ele foi medicado no Hospital de Pronto Socorro (HPS) e passou por cirurgia para retirada de uma das balas alojadas. Conforme a assessoria da Secretaria de Saúde, o rapaz teve alta na manhã de ontem.

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"A dúvida agora é se ele (PM) foi até o carro ou se estava deitado e já armado quando atirou", enfatizou o delegado. Segundo ele, o resultado da perícia realizada no Palio será fundamental para esclarecer o crime. "O laudo é importantíssimo porque vai determinar a posição de entrada dos tiros no carro." O soldado prestou as declarações na presença de um advogado e foi liberado porque não estava em situação de flagrante, conforme esclareceu Eurico.

Ainda na manhã de ontem, três funcionários da casa noturna foram ouvidos. Um garçom disse que, no interior do estabelecimento, um amigo da vítima teria se envolvido em uma discussão, tendo o mesmo sido colocado para fora pelos seguranças. Os demais colegas teriam saído espontaneamente, e o policial não teria se envolvido nessa confusão. O que teria acontecido posteriormente, já na parte externa, foi relatado por dois seguranças. Ambos contaram que viram o PM se aproximar do grupo, se identificar como militar, e tentar apaziguar a situação. Mas os rapazes teriam agredido o soldado a socos e chutes. Ainda conforme os relatos, o policial teria se levantado após cair no chão e ido em direção a um carro no estacionamento. Ambos os funcionários disseram ter apenas escutado o barulho dos tiros depois disso.

Segundo o assessor de comunicação do 27º Batalhão da PM, capitão Paulo Alex Moreira, ainda será verificado se o soldado teria atirado com a pistola de uso em serviço. "Tudo será objeto de apuração. Ele poderia ter uma ponto 40 de uso particular e também poderia ter autorização para portar a pistola da polícia fora do horário de trabalho." Segundo o assessor, o policial poderá sofrer sanções administrativas que vão desde advertência até exclusão da PM. "Como está muito recente, o comando ainda está avaliando se ele será afastado durante as apurações. Mas a decisão será tomada de forma a auxiliar ambas as investigações", garantiu.

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