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Usuários do transporte coletivo pedem melhorias no sistema em manifestação

manifestacao onibus 3 Leonardo Costa
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Um grupo de passageiros do transporte urbano de Juiz de Fora protestou, na noite desta sexta-feira (8), pedindo melhorias no sistema. De acordo com a organização, o protesto é fruto de uma união de representantes dos bairros Valadares, Igrejinha, Benfica, Progresso, Torreões, Monte Verde, São Pedro e Santos Dumont, entre outros, e tomou forma por conta das reclamações de falta de ônibus em alguns bairros e da má qualidade dos veículos que circulam pela cidade.

Conforme o grupo, uma manifestação já havia sido planejada para meados de junho. Entretanto, na ocasião, a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) anunciou a caducidade do contrato com o Consórcio Manchester, o que levou os passageiros a desistirem do protesto por acreditarem que a melhoria do transporte estaria próxima. Entretanto, eles afirmam que a situação piorou, ocasionando ainda mais problemas para a população.

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Passageiros protestam na Av. Getúlio Vargas (Foto: Leonardo Costa)

Patrick Rodrigues Honório, morador do Bairro Santos Dumont, um dos organizadores, afirmou à Tribuna que o objetivo da manifestação e do pedido de providências é minimizar o sofrimento da população. “A gente quer que a Prefeitura tome alguma medida para que a população não seja tão prejudicada como está sendo, seja usando o outro consórcio ou de outra forma. Moradores da Zona rural, por exemplo, estão tendo que pegar ônibus intermunicipais que vêm de Lima Duarte e Olaria, pagando R$ 15 reais para chegar ao Centro de Juiz de Fora e trabalhar, pois o patrão não quer nem saber qual é o problema.”

Apesar de os problemas serem anteriores ao fim do contrato com o Consórcio Manchester, anunciado em 15 de junho, a suposta redução no número de viagens em várias linhas, apontada por diversos usuários, teria se acentuado. Ele pontua ainda que o prazo estipulado para a Prefeitura contratar uma nova empresa é de 90 dias, no entanto, para a população, seria muito tempo para esperar. “Precisamos de uma resolução imediata”, ressaltou Patrick.

Durante a manifestação, os participantes caminharam pela Av. Getúlio Vargas segurando faixas e cartazes pedindo uma solução à Prefeitura de Juiz de Fora (PJF). Dos pontos de ônibus localizados na via, alguns usuários que esperavam a chegada de ônibus para embarcar faziam sinais de que aprovavam a manifestação, enquanto outros se incomodavam com movimentação próxima aos ônibus. A manifestação foi acompanhada pela Guarda Municipal e pela Polícia Militar.

Manifestantes caminharam ao lado e à frente de veículos que transitavam pela avenida (Foto: Leonardo Costa)

Moradores da Zona rural relatam dificuldades

O carpinteiro Eleomar da Silva, morador do Bairro Toledos, contou que está muito difícil se deslocar até o Centro. “Tem vezes que os ônibus matam horário, e muita gente fica aqui no ponto. A gente da Zona rural depende deles para realizar o nosso trabalho”.

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A agricultora e moradora do distrito de Valadares, Maria Luiza de Oliveira Guedes, opinou que quem sai prejudicada com o imbróglio entre a Prefeitura e o Consórcio Manchester é a população. “A Prefeitura decretou a caducidade, mas só vai vencer em setembro. Não queremos mais essa confusão entre Prefeitura e empresa”.

Por conta da situação, a agricultora e vizinhos estão buscando outra forma de transporte. “A gente pega um carro de transporte por aplicativo e faz vaquinha. Só que não temos mais condições, porque a viagem, do Centro ao Bairro Amazonas, dá R$ 30 reais, e do Centro a Valadares, R$ 60”.

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A dona de casa Liliane Jardim, que também mora na Zona rural, disse ficar “morrendo de preocupação” por conta dos seus filhos. “Eles chegam da escola 20h ou 21h30, porque o ônibus atrasa, ou não vem. Na hora que eu rezo, só peço para eles chegarem na cidade. Não aconteceu nada de grave, mas se acontecer, vai ser só estatística”, disse, lembrando da morte do motorista de ônibus Francisco Venâncio Pereira Filho, de 62 anos, que foi atropelado na garagem da Tusmil no dia 4 de junho.

PJF e empresa se pronunciam

Por meio de nota, a assessoria da Prefeitura disse que “busca desde o início da administração 2021-2024 a resolução dos problemas do transporte público urbano, com transparência e interlocução direta entre os setores envolvidos.” No texto, a PJF cita a Mesa de Diálogo e Mediação de Conflitos e o Comitê Gestor do Transporte Coletivo, mas afirma que, “mesmo com todas as ações feitas pela Prefeitura, incluindo o subsídio financeiro, as irregularidades cometidas pelas empresas não foram sanadas. No caso do Consórcio Manchester, os casos de acidentes e infrações se agravaram.”

A PJF também aponta que o sistema de transporte coletivo “apresenta problemas há muitos anos, fato agravado com a pandemia de Covid-19” e afirmou que busca melhorar o sistema, “no prazo mais rápido possível dentro dos ritos necessários na Administração Pública.” “Reforçamos também o nosso compromisso com os trabalhadores rodoviários, especialmente os da empresa Tusmil, pela manutenção dos empregos dessas pessoas e por salvaguardar os seus direitos trabalhistas”, destaca o texto.

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Já a assessoria do Consórcio Manchester, composto pela empresa Tusmil, afirmou que “a causa de todos esses transtornos é o descumprimento do contrato de concessão por parte da Administração Municipal, impedindo que a Tusmil cumpra adequadamente com sua parte. Esperamos que a Prefeitura se sensibilize com essa situação e pague o subsídio devido, faça o justo equilíbrio das linhas e cancele o decreto de caducidade do contrato com a Tusmil, que vem dificultando a negociação para obter, junto a fornecedores, insumos e materiais (peças, acessórios, pneus etc.), necessários para manter a operação das linhas.”

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