Juiz de Fora teve 27% de índice de perda de água no ano passado, o que corresponde a quase 10,2 bilhões de litros do recurso, se for considerado que a Cesama produz algo em torno de 1.200 litros por segundo. Os dados são da própria companhia e apontam para um desperdício menor do que a média nacional, de aproximadamente 40%, levando em conta a diferença entre a produção e o consumo no município. Ainda de acordo com a Cesama, os números consideram tanto as perdas físicas, referentes a vazamentos no sistema de produção e distribuição, quanto as comerciais (decorrentes de ligações clandestinas, os gatos, e de problemas em hidrômetros).
Para o professor do curso de engenharia ambiental da UFJF, José Homero Soares, a porcentagem apresentada pela Cesama é um ótimo indicador, sobretudo quando comparada à média nacional. Também docente do mesmo departamento, Fabiano Leal argumenta no mesmo sentido. É impossível haver um sistema de distribuição sem perdas. Em termos de Brasil, Juiz de Fora está muito bem posicionada. José Homero destaca, entretanto, que é preciso sempre buscar meios para reduzir estas perdas. Nos países desenvolvidos, este índice gira em torno de 20%. A meta deve sempre chegar a percentuais menores. Em tese, quanto menos for perdido, mais barato poderá ficar o serviço de distribuição, porque é o contribuinte que paga pela água jogada fora.
A assessoria de comunicação da Cesama informou que trabalha constantemente na reforma de suas unidades e na substituição de redes e hidrômetros para reduzir o índice de perda, meta que consta no Planejamento Estratégico da Companhia para 2012. Ainda segundo a assessoria da pasta, os indicadores buscados ficam entre 10% e 12%. O professor Fabiano Leal destaca que, muitas vezes, a falta de investimento maciço no setor se deve ao fato de que, dependendo da perda constatada, a aplicação de recursos que seria aplicada para revertê-la seria maior do que a perda em si. Pela própria estrutura das redes, o custo de qualquer reparo é muito elevado e o serviço, trabalhoso. Além disso, para qualquer reparo é preciso suspender abastecimento em determinadas áreas. Mas é claro que deve haver, sempre, controle e monitoramento da rede.
Sustentabilidade
Para José Homero Soares, o investimento para reverter os efeitos da perda não deve levar em conta apenas os aspectos financeiros. A água é um recurso finito e vulnerável. Qualquer desperdício, em maior ou menor escala, impacta a disponibilização deste bem, que vai se tornando cada vez mais raro frente à demanda crescente. Já Fabiano Leal pondera que não é possível basear a aplicação de recursos usando apenas a sustentabilidade como critério. A concessionária é uma empresa, e não fará uma intervenção financeiramente inviável, o investimento só vai ocorrer quando o desperdício for relevante e causar prejuízo significativo.
O professor José Homero acrescenta que, mais do que o trabalho institucional para a redução de desperdício na rede, a sustentabilidade deve ser buscada no ambiente doméstico. As pessoas devem fazer uso consciente da água, e o caminho para que isso aconteça é a educação ambiental. A assessoria de comunicação da Cesama informou que não tem condições de medir o desperdício dentro das residências, já que o limite de sua atuação, neste sentido, vai até a leitura dos hidrômetros. A assessoria destacou ainda que a empresa vem, através de suas áreas social e de comunicação, fazendo campanhas sobre o uso racional da água em escolas, unidades de saúde, dentre outros locais, buscando a conscientização da população para minimizar o gasto desnecessário do recurso.
