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Corte de água sem aviso no Três Moinhos gera protesto de moradores

Corte de água sem aviso no Três Moinhos gera protesto de moradores

Foto: Felipe Couri

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Foto: Felipe Couri
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O abastecimento de água em parte do Bairro Três Moinhos, na Região Leste de Juiz de Fora, foi cortado temporariamente nesta quarta-feira (8). De acordo com a Prefeitura de Juiz de Fora, a medida foi preventiva, após solicitação da Defesa Civil à Cesama, e sob a justificativa de que a área está evacuada. Por razões técnicas, a área foi interditada para uso residencial. A comunidade local relata que não teve conhecimento da ação, destacando o receio de “fecharem” o bairro. A Administração municipal não informou o número de imóveis afetados.

Conforme relatos dos moradores, o corte foi realizado por volta de 8h, sob a presença de Cesama, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Guarda Municipal e Defesa Civil. Havia, ainda, temor por um possível corte da energia. Contudo, a Tribuna entrou em contato com a Cemig, que descartou o desligamento para o bairro nesta quarta. No local, próximo à Escola Municipal Antônio Faustino da Silva, que segue interditada, as pessoas se reuniram fora das respectivas casas como forma de protesto pela situação.

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“Devido à interdição, medidas como o corte no fornecimento de água estão sendo adotadas para salvaguardar a segurança das famílias. A equipe da Defesa Civil atua no local em conjunto com a Assistência Social, para prestar apoio às pessoas que necessitarem de atendimento. Desta forma, está proibido, de forma absoluta, o uso dos imóveis para moradia. A recomendação é para as pessoas não retornarem a imóveis interditados, por segurança”, afirma a Prefeitura de Juiz de Fora, em nota.

Entretanto, Ademilson Ribeiro e a família vivem situação que diverge do cenário apresentado pela Prefeitura. Segundo ele, na manhã do dia 22 de março, a Defesa Civil foi até a casa em que a mãe mora e, após vistoria, emitiu laudo liberando a ocupação do imóvel, sob a orientação de acompanhar evolução de trincas ou fissuras e demais manifestações patológicas. Neste 8 de abril, no entanto, houve o corte de água na região, inclusive na residência de Elisete Couto, mãe dele.

“Quem pode ficar, como é o meu caso, está sem água. Era melhor ter interditado tudo e pedido para todo mundo sair. Estamos na luta há quase dois meses, mudou a rotina de todos no bairro. Não recebemos um real sequer e precisamos gastar com aluguel. Estamos sem saber o que fazer. Há mais de dois anos, fizemos uma obra justamente por causa do barranco atrás do imóvel para evitar que caia. Parece que está indo tudo por água abaixo. A gente vai perder o dinheiro que foi usado, porque não tem uma definição certa.”

Elisete relata indignação: “eu pago IPTU corretamente, a minha casa não tem perigo, porque enviaram um documento em que a área consta como liberada. Trabalho em dois serviços ao longo do dia. Na hora que chego, tenho roupa para lavar, banho para tomar. Não podem nos deixar sem água”.

População relata rotina afetada desde chuvas de fevereiro

O pedreiro Bernardino Pascoal, de 67 anos, vive com a esposa em uma residência que, segundo ele, não recebeu ordem de evacuação desde as fortes chuvas que atingiram o município em 23 de fevereiro. Entretanto, a situação mudou. “Paguei minha conta de água ontem e cortaram tudo hoje, do nada. Estou sem água em casa, com a minha mulher doente. A situação está difícil. Minha casa não apresentou riscos – nem mesmo rachaduras. Não tive que evacuar antes, mas agora tenho que sair”, lamenta.

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O caso de Geovan Lourenço, técnico de informática, é diferente. Aos 49 anos – e morador do Três Moinhos desde os 2 -, conta que tudo o que já adquiriu por meio do trabalho foi investido em sua moradia. Desde o dia 23, quando houve o desastre, saiu de casa e segue fora desde então. “Fui para a casa do meu primo, mas não podemos abandonar a casa assim. Não tem segurança. À noite, há furto de itens, então precisamos ficar um pouco mais perto. Meu familiar me cedeu um quarto de visitas e deixei minhas coisas aqui. Todo dia eu passo aqui. O ideal era termos mais policiamento neste momento, mas não é o que acontece.”

Residente do Três Moinhos há 24 anos, Fabiane Rocha, técnica de enfermagem, recorda que a Defesa Civil evacuou a casa onde mora com os filhos após as chuvas de fevereiro e, no momento, a família paga aluguel em outro local. “A nossa indignação é para que a Prefeitura tome uma solução concreta, que mande um engenheiro para emitir laudo para as casas. Nós, moradores, estamos cansados. Foi um caos quando tivemos que sair de casa, porque ainda estava chovendo no dia. Minha casa está aí, parada, e eu pagando aluguel sem condições. Além disso, toda hora temos que sair do serviço para vir para cá, então estamos perdendo empregos. Quem vai respaldar isso?”, questiona.

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Foi informado pela comunidade que apenas os moradores com cadastro no CadÚnico receberam auxílio governamental. “Evacuar como? Com que recurso? E quem sai daqui vai para casa de parentes – que também moram no bairro”, contaram. Em nota, a Prefeitura de Juiz de Fora afirma que as famílias desabrigadas foram atendidas primeiramente nas escolas, e estão sendo gradualmente encaminhadas a soluções habitacionais.

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