
O segundo Levantamento do Índice Rápido do Aedes aegypti (Liraa) de 2011, anunciado ontem, foi de 3,27%, quase a metade dos 6,4% constatados na primeira coleta de dados em janeiro. O resultado do trabalho realizado em março foi divulgado ontem com satisfação e, ao mesmo tempo, com cautela pelo secretário de Saúde, Cláudio Reiff. Apesar da drástica redução no índice de infestação do mosquito transmissor da dengue na cidade, Reiff destacou que a guerra contra a doença não está ganha, já que o Liraa admitido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é inferior a 1,0%. Por isso, tanto a Prefeitura, quanto a população, devem continuar em alerta para acabar com os possíveis criadouros do Aedes aegypti. O secretário considerou os bairros São Mateus, na Zona Sul, Marumbi e Progresso, região Leste, como pontos críticos, apesar de não estarem nos grupos com maior infestação, e garantiu a continuação das chamadas batalhas locais contra a dengue.
Enquanto a maioria das regiões vistoriadas teve queda nos Índices de Infestação Predial (IIP), três áreas apresentaram aumento (ver quadro). Nos bairros Novo Horizonte, Dom Bosco, Paineiras, Santa Helena e Centro, o número subiu de 3,20% para 4,12%. No conjunto que engloba Mariano Procópio, Borboleta, Jardim Glória, Santa Catarina, Vale do Ipê e alguns condomínios da Cidade Alta, o IIP passou de 3,23% para 3,39%. Já na região Nordeste, a infestação passou de 4,12% para 5,92% no Granjas Bethânia, Parque Guarani, Bandeirantes, Bom Clima, Nossa Senhora das Graças, Eldorado e Santa Terezinha.
Até ontem, o município tinha 489 casos confirmados da doença e 770 notificações. Os números são bem inferiores aos registrados no mesmo período de 2010, quando 1.946 pessoas foram infectadas, sendo contabilizadas 2.091 manifestações. "É muito gratificante obter esse resultado, que mostra a eficácia das ações contra a dengue. Se ocorresse a epidemia, poderíamos ter mais de 60 mortes, mas, até agora, não registramos óbito nem casos graves no município", pontuou Reiff. "Temos que agradecer e comemorar o engajamento de toda a população, que respondeu aos apelos do município, eliminando de suas residências os recipientes que podiam acumular água." Ele lembrou que no ano passado a dengue vitimou 9.441 pessoas, sendo que 17 delas morreram. Outras 97 tiveram complicações e nove apresentaram quadro de febre hemorrágica. "Os dados no país mostram situação inversa à nossa, com quadro pior do que em 2010."
O secretário de Saúde demonstrou otimismo em relação aos trabalhos realizados. "As batalhas regionais foram foram fundamentais para o sucesso. Nossa previsão era de 20 mil casos de dengue, e nosso plano de contingência no caso de uma epidemia gravíssima previa um gasto de cerca de R$ 4 milhões." Cláudio Reiff reforçou o apelo: "Não podemos relaxar, porque estamos caminhando para o período de pico da doença, e 80% dos depósitos de água estavam dentro das residências. É hora de continuarmos trabalhando para conseguirmos resultados ainda melhores."

