
Depoimento durou cerca de 40 minutos
O cabo da 32ª Companhia da Polícia Militar, 47 anos, suspeito de ter atirado com uma pistola 380 contra a cabeça de uma mulher, se apresentou nesta quarta-feira (8) à Polícia Civil. Em seu depoimento, acompanhado de um advogado de defesa, ele alegou que faz tratamento psiquiátrico desde 1995 e que, por isso, vinha pedindo licença da corporação constantemente. Este seria o motivo de estar afastado de suas atividades no dia em que a vítima foi baleada, já que estaria sem trabalhar desde janeiro de 2010. Ele ainda contou ao delegado Rodrigo Rolli, responsável pelo inquérito, que os disparos teriam ocorrido na frente de um bar na Avenida Darcy Vargas, no Bairro Ipiranga, Zona Sul, durante um desentendimento. Um veículo estacionado em cima da calçada, na frente do prédio onde mora seu filho e sua ex-esposa, seria o motivo do conflito. O cabo teria reclamado do posicionamento do carro, quando um condutor de uma motocicleta teria esbarrado em seu veículo.
O PM e o motociclista, segundo a versão apresentada pelo suspeito, teriam entrado em atrito verbal e, posteriormente, se agredido mutuamente. Ainda de acordo com relato do suspeito, alguns clientes do bar ficaram exaltados. Por conta disso, ele teria entrado no automóvel, mas pessoas se aglomeraram em volta do carro. Ele teria se apossado da arma de fogo que estava no assoalho da parte de trás do veículo com a mão esquerda, mesmo sendo destro, a fim de disparar para o alto. Neste momento, diversas pessoas teriam tentado retirar a pistola da mão dele, provocando diversos disparos. Após os tiros, o policial teria ouvido uma voz dizer: "você atirou na minha mãe". Diante disso, ele ligou o carro e fugiu.
Quanto à arma, o suspeito contou que acreditava que ela teria caído dentro do carro, mas, após procurá-la, não a encontrou. Conforme o delegado, a pistola teria sido adquirida pelo suspeito, há cerca de dois anos, por R$ 1.500, no município de Marataízes (ES).
Rodrigo Rolli ainda afirmou que já colheu o depoimento de oito testemunhas e todas relataram uma versão diferente da apresentado pelo policial. "As testemunhas alegaram que ele colocou o braço para fora do carro e começou a disparar". O cabo vai responder em liberdade o processo de tentativa de homicídio e deve informar a Polícia Civil qualquer mudança de endereço. Até o início da noite desta quarta, a mulher baleada continuava internada, no HPS, sedada, respirando com a ajuda de aparelhos, mas estável.

