Em sete anos de funcionamento, o Disque Denúncia 181 recebeu mais de seis milhões de chamadas em toda Minas Gerais, até o mês de novembro de 2014. Em Juiz de Fora, desde 2008, quando o sistema começou a operar, foram 22.894 denúncias registradas. De acordo com a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), que gere o serviço em parceria com o Instituto Minas Pela Paz, das chamadas recebidas em todo o estado, 500 mil foram registradas como denúncias efetivas, resultando em uma média de 6.900 registros por mês e 228 por dia. O tráfico de drogas é o principal crime relatado pelos denunciantes, ampliando de 24.601 comunicações em 2008, para 49.753 até novembro de 2014. O crescimento foi de 102%, resultando em um total estimado de mais de 25 toneladas de drogas apreendidas nos últimos sete anos.
Em Juiz de Fora, do total de denúncias registradas, 64% são referentes ao tráfico de drogas, 9% de crime ambiental, 8% de jogos de azar, 8% de atividades de bombeiros (sendo que deste percentual, 52% são de pedidos de vistoria e fiscalização diversos) e 2% de porte ilegal de armas. Para a pasta, o projeto se consolida como uma importante e reconhecida ferramenta para o enfrentamento da criminalidade e para a prevenção de delitos.
Repercussão
Diversos casos de repercussão, ao longo desses anos, foram resolvidos por meio desse serviço de inteligência policial, como o furto de armas na Central de Escoltas no entorno do Presídio Dutra Ladeira, em Ribeirão das Neves, em março deste ano. A Seds também destaca o episódio do incêndio na Boate Kiss, em janeiro de 2013, em Santa Maria (RS), que desencadeou um número recorde de denúncias relativas às casas noturnas em Minas Gerais. Em julho de 2010, o Disque Denúncia recebeu mais de 150 ligações com informações que poderiam colaborar para esclarecer o desaparecimento de Eliza Samudio, ex-namorada do goleiro Bruno, o que possibilitou que as investigações tivessem prosseguimento.
Conforme a pasta, as denúncias registradas tiveram um aumento de 62% de junho de 2010 (4.267) a novembro de 2014 (6.913), enquanto as chamadas atendidas, que envolvem diversos tipos de demandas, como uma simples orientação por exemplo, tiveram uma queda de 33% entre junho de 2010 (81.721) e novembro de 2014 (54.021). Essa tendência demonstra que o serviço está mais eficaz, na medida em que filtra melhor as chamadas recebidas e as informações importantes são melhor apuradas, o que resulta em mais denúncias efetivas. Outro tipo de denúncia com um número significativo de registros por meio do serviço é a relacionada a atividades do Corpo de Bombeiros, que registra o segundo maior número de notificações. São chamadas relativas a pedidos de vistoria de fiscalização em residências, estabelecimentos comerciais, eventos, casas de shows e outros lugares com risco de sinistros. As denúncias dessa natureza são determinantes para que tragédias de grandes proporções sejam evitadas.
Reconhecido no interior
Belo Horizonte e outros municípios da Região Metropolitana são a origem da maior parte das chamadas do Disque Denúncia 181, com 45% do total de chamadas. No entanto, em outras cidades o serviço também é reconhecido como um canal importante de prevenção à criminalidade, como em Juiz de Fora e Uberlândia, ambas com 6% do total de chamadas. Para o chefe adjunto do 4º Departamento de Polícia Civil de Juiz de Fora, Marcus Vinicius de Paiva, o Disque Denúncia é um meio de aperfeiçoar a parceria da Polícia Civil com a sociedade, uma vez que as pessoas exercem a cidadania, influenciando positivamente na ação da instituição. “É a melhor e mais importante ferramenta que contribui para as investigações”, ressaltou o policial, lembrando que é fundamental a possibilidade de as pessoas poderem contribuir com as denúncias sem medo, já que o denunciante não é identificado e ainda recebe um número de protocolo para acompanhar a solicitação. “A utilização é séria e responsável e, dependendo da denúncia, pode não ter um tempo de resposta imediato porque a polícia precisa investigar cada caso”, destaca.
O Disque Denúncia 181 funciona 24 horas por dia, 365 dias por ano. São 45 atendentes treinados para preservar o denunciante e, ao mesmo tempo, extrair dele as informações relevantes sobre o fato.
