
769 militares de JF vão para o Haiti em Missão de Paz
Uma solenidade no pátio do 10º Batalhão de Infantaria, nesta quarta-feira (7), marcou a formatura dos 769 militares, entre eles seis mulheres, que vão atuar por seis meses na Missão de Paz das Organizações das Nações Unidas (ONU) no Haiti, a partir do dia 3 de dezembro. Cerca de 330 deles são lotados em Juiz de Fora e, sob o comando do coronel Sinval dos Reis Leite, a tropa compõe o 2º Batalhão de Infantaria de Força de Paz do 17° Contingente Brasileiro. Ao som da banda de música, os chamados capacetes ou boinas azuis fizeram desfile e receberam as palavras de incentivo do comandante da 4ª Brigada de Infantaria Motorizada de Juiz de Fora, general Otávio Santana do Rêgo Barros, e do 3º subchefe do Comando de Operações Terrestres Nacional, general César Leme Justo.
Um dos momentos mais emocionantes da cerimônia foi a entrega dos distintivos da ONU pelos familiares aos participantes, que passaram por seis meses de intenso treinamento. Em meio aos centenas de militares, chamou a atenção o sargento Ricardo Campos, 29 anos, que abraçava a esposa Ana Carolina Rossi, 29, e o casal de gêmeos de 1 mês Sofia e Enzo. "É o trabalho dele, já estou acostumada, porque ele já esteve no Haiti, no Morro do Alemão e na Rio+20", disse a mulher, casada há três anos. Questionada sobre a nova situação com os filhos, ela avaliou: "Vai ser bom, porque serão lembranças dele que estarão junto comigo." Ricardo, lotado no 10º Batalhão de Infantaria, também afirmou estar preparado para a missão e para a saudade que terá que enfrentar. "Minha expectativa é a melhor possível."
Apesar de o primeiro embarque estar previsto para o dia 18 de novembro, o clima entre os parentes já era de despedida. Após dar um abraço apertado no sobrinho, o cabo Waine de Souza do Carmo, 21, a tia e madrinha Azilé da Silva de Paula, 57, desabafou: "É a primeira missão dele, e vou sentir muita saudade, porque nunca ficamos tanto tempo separados." A mãe do militar, Cleonice Aparecida do Carmo, 46, não conteve as lágrimas. "Sei que ele vai vivenciar coisas novas, como a diferença cultural do povo do Haiti. Mas o coração está apertado."
Para o general Rêgo Barros, que já atuou no Haiti, há cerca de dois anos, e coordenou a preparação do grupo, os sentimentos são familiares. "Todos estão preparados para representar nosso país e a ONU em território tão sentido." O comandante coordenou a Força de Pacificação que ocupou o Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, e esteve à frente da segurança da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. "Os soldados da 4ª Brigada também já tiveram oportunidade de nos representar nessas ocasiões. A latinidade do nosso sangue, mesclado com tantas culturas, faz com que sejamos reconhecidos pela nossa capacidade interlocução."
Estabilização
O general Leme Justo lembrou que a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah) chegou ao país em 2004, em período de tensão política, depois da deposição do presidente democraticamente eleito Jean-Bertrand Aristide. Já em 2010, o Haiti foi devastado por um terremoto, quando mais de cem mil pessoas morreram. "A situação está controlada, mas o trabalho de estabilização continua. Há necessidade da tropa para dar continuidade ao desenvolvimento do país e, a qualquer momento, pode haver um recrudescimento", ponderou. "Por isso, atuamos na manutenção da ordem para permitir o progresso e, além das questões políticas, há participação também no processo de reconstrução do país."
Os 769 militares pertencem a mais de 60 organizações, com destaque para os quartéis de Juiz de Fora, Santos Dumont, São João del Rei, Belo Horizonte, Montes Claros, Petrópolis e Rio de Janeiro.

