
Imóveis localizados na Rua Arcanjo de Campos Miranda, no Bairro Eldorado, Zona Nordeste de Juiz de Fora, que foram atingidos pelas chuvas de fevereiro, começaram a ser demolidos na manhã desta quarta-feira (7). A intervenção ocorre em uma área considerada de risco e faz parte de uma etapa de demolições previstas pela Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) no bairro.
No imóvel visitado pela reportagem da Tribuna, funcionários da empresa responsável pelo serviço informaram que os trabalhos deveriam ser concluídos ainda nesta quarta. Por volta das 10h, a demolição já havia sido finalizada e faltava apenas a limpeza do local.
Segundo a Prefeitura, quatro demolições estão previstas nesta etapa no Bairro Eldorado. O Município informou ainda que todas as famílias envolvidas foram contempladas pelo programa Compra Assistida.
As casas demolidas nesta quarta ficam próximas a outras residências que permanecem ocupadas. Moradores da região acompanharam o trabalho e relataram preocupação com as condições das encostas e com a situação dos imóveis que continuam no local.
O metalúrgico Demetrio de Oliveira Silva, 48 anos, mora na região desde que nasceu e contou que conhecia a família que vivia na casa demolida. Para ele, a saída dos moradores também representa a perda de vínculos entre pessoas que vivem há décadas no bairro. “Todo mundo é nascido e criado aqui. Então, assim, vai perdendo os amigos que vão indo embora”, afirmou.
Segundo o morador, a parte dos fundos do imóvel demolido já havia sido atingida por um deslizamento nas chuvas de fevereiro. Ele relatou que, apesar de a estrutura da casa ainda estar de pé, a queda do barranco aumentou a preocupação com a segurança do local.
Moradores permanecem em área de risco
Enquanto algumas famílias deixam os imóveis considerados de risco, outros moradores permanecem na região e dizem aguardar orientações sobre o que poderá acontecer com suas próprias casas.
Demétrio afirmou que a residência onde mora também foi vistoriada pela Defesa Civil e que equipes estiveram no local em algumas ocasiões. Segundo ele, entretanto, a família não foi contemplada pelo programa Compra Assistida. “Não adianta só vir e falar, a gente tem que ter atitude”, disse.
O morador também relatou preocupação com as encostas. Sua casa, por exemplo, fica localizada ao lado do imóvel que foi demolido. Segundo ele, intervenções e construções nas partes mais altas do terreno, além do descarte de materiais, podem aumentar os riscos para quem vive abaixo.
A irmã de Demétrio, Andreia, de 55 anos, também mora no bairro e compartilha da preocupação. Para ela, a situação gera insegurança principalmente durante os períodos de chuva, quando os moradores ficam apreensivos com a possibilidade de novos movimentos de terra. “Uma sensação de impotência”, resumiu.
Além dos riscos relacionados às encostas, os moradores relataram dificuldades enfrentadas no dia a dia após alterações na circulação de veículos na região. Segundo eles, o trajeto dos ônibus foi afetado. Na rua em questão e em vias próximas, o ônibus não passa, fazendo com que os moradores tenham que caminhar até o bairro vizinho, Santa Terezinha, para conseguir acessar o serviço de transporte público.
Compra Assistida
A Prefeitura informou que as famílias que moravam nas casas que serão demolidas no Eldorado foram contempladas pelo Compra Assistida, programa vinculado ao Minha Casa, Minha Vida. A modalidade foi criada para atender famílias que tiveram imóveis destruídos ou definitivamente interditados em decorrência de desastres naturais, mediante critérios relacionados à situação da família e da moradia.
A reportagem questionou a Prefeitura sobre quais são os critérios utilizados para definir as residências e qual é a situação dos moradores que permanecem em imóveis interditados na região.
O Município também foi questionado sobre a situação específica da família de Demétrio e sobre quais medidas estão previstas para os demais imóveis da área de risco. As respostas serão acrescentadas ao texto assim que forem encaminhadas.
