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Acessibilidade divide opinião de eleitores

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 O clima de tranquilidade marcou o primeiro turno das eleições municipais, mas o acesso às zonas e seções eleitorais dividiu a opinião dos cidadãos em Juiz de Fora. Foi o caso do aposentado Flávio Scarlatelli, 66 anos, que vota no Colégio Machado Sobrinho, Centro. Ele utiliza um andador para se deslocar e precisou de paciência e perseverança para cumprir seu dever cívico, enfrentando uma escada com mais de 20 degraus para chegar à cabine da urna. Cadeirantes também só conseguiram votar com a ajuda de terceiros, já que tiveram que ter as cadeiras carregadas em função da ausência de rampas.

Na Escola Normal, no Centro, a Tribuna flagrou mais cenas de dificuldade de acesso às urnas. A professora e assistente social aposentada Meire Albuquerque, 65, apoiada em duas muletas em decorrência de uma cirurgia, reclamou da dificuldade para subir dois vãos de escada. Já a estudante Raquel da Silva Costa, 25, que é cega, não encontrou problemas no acesso ao local de votação e no manuseio da urna. Acompanhada pela avó, ela votou na Escola Estadual Fernando Lobo, no Bairro São Mateus, Zona Sul. "As urnas adaptadas com o braile são muitos importantes. Sem elas, seria impossível exercer meu direito de cidadã."

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Na Escola Municipal Áurea Bicalho, no Linhares, segundo o supervisor das dez seções eleitorais, Yuri Tavares Meirelles, a movimentação durante a manhã foi intensa e houve até formação de filas. "A participação dos idosos foi grande e não tivemos reclamações quanto à acessibilidade já que aqui existem rampas." Na Escola Estadual Amélia Mascarenhas, no São Bernardo, a supervisora das 12 seções, Neidia Siqueira Bronzo, comentou que este ano a quantidade de eleitores que justificou seu voto aumentou.

Os que optaram por votar nas primeiras horas do dia enfrentaram filas em várias seções. Na Escola Estadual Francisco Bernardino, no Bairro Manoel Honório, Zona Leste, onde funcionaram 11 seções eleitorais, a fila com os primeiros eleitores atingiu um quarteirão.

Voto computado

Uma engenheira, 45, não conseguiu votar ontem na seção 227, Zona 155, no Colégio Santa Catarina, no Morro da Glória. Ela foi informada que seu voto já tinha sido computado. A mulher comunicou a situação à Justiça Eleitoral. Conforme o juiz Cristiano Lago, o voto já registrado não será computado, e a eleitora também não teve direito a votar. Segundo o magistrado, nesta eleição, foi o primeiro caso de que tomou conhecimento, mas, em pleitos passados, essa situação já teria ocorrido. O comunicado feito pelo juiz será encaminhado à Promotoria de Justiça, que pedirá abertura de inquérito na Polícia Federal, para verificar se houve fraude ou alguma falha. A engenheira lamentou o fato. Ela contou que veio do Rio de Janeiro unicamente para cumprir esse dever cívico.

Apuração

A apuração também transcorreu com tranquilidade na Justiça Eleitoral, no Bairro Poço Rico. Somente uma urna da Zona 315 e seção 165 apresentou problema técnico durante a transmissão dos dados no Colégio Stella Matutina. A urna foi levada à sede da Justiça Eleitoral, onde técnicos do órgão resolveram a questão. Todos os votos da urna foram computados com sucesso. Já durante a apuração, uma urna da seção 101 da Zona 315 teve problemas na transmissão dos dados para o TRE. Os 400 votos foram computados após as 20h. De acordo com o juiz diretor do Foro Eleitoral, Mauro Pittelli, às 19h20, as outras 1.114 urnas já haviam sido computadas. Às 20h15, o site do TRE dava como encerrada a apuração local. "Tudo correu dentro da tranquilidade, no geral, as regras foram respeitadas, e a polícia ficou atenta para proibir a boca de urna."

 

 

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