
A ex-avenida Independência foi criada por Itamar Franco, enquanto era prefeito da cidade
A Avenida Independência, uma das principais de Juiz de Fora, amanheceu, na última quarta-feira, Avenida Presidente Itamar Franco. A troca dos nomes, proposta pelo Executivo no dia 2 de julho, um dia após a morte do ex-presidente, foi sancionada pelo Prefeito Custódio Mattos depois de ter sido aprovada pela Câmara Municipal. Nas ruas, a opinião pública se divide. Uma grande parte dos cidadãos endossa a homenagem ao político juiz-forano, mas outro grupo acredita que a mudança pode causar transtornos aos moradores da via, além de problemas de localização.
Mas, de acordo com os Correios, o logradouro é identificado pelo CEP, que permanecerá o mesmo após a modificação do nome da rua, evitando complicações. As transações imobiliárias também serão realizadas sem problemas. De acordo com a assessoria de comunicação da Secretaria de Atividades Urbanas (SAU), não é preciso providenciar certidão ou documento algum junto à Prefeitura. No momento da compra ou da venda, basta registrar a documentação em cartório com a nomenclatura atual, que a papelada será reconhecida automaticamente pelo cadastramento imobiliário da Prefeitura, que está todo informatizado.
Para o pesquisador e coordenador da Biblioteca Murilo Mendes, Vanderlei Tomaz, é comum que haja polêmica frente a transformações como essa. "A via vai continuar sendo chamada de Avenida Independência por algum tempo, porque a mudança não se instala tão facilmente no imaginário das pessoas. Mas a transição não vai influenciar no cotidiano, por isso a adaptação tende a ser tranquila com o passar do tempo." Circulando pela antiga Independência, a professora Amanda Alves, 25 anos, se orgulha da homenagem. "Mesmo que o nome não ‘pegue’ a princípio, qualquer honra ao Itamar é válida. Ele foi um representante nobre da cidade e do país."
Segundo Tomaz, a história da avenida se confunde com a própria história de Itamar Franco, o que torna a alteração ainda mais cabível. "Itamar foi o grande articulador da abertura da Avenida Independência, quando prefeito, por isso a homenagem é justíssima. Sem sua participação dificilmente a via, que mudou completamente a cidade, existiria."
Já a estudante Raphaela Mendes, 23, não vê sentido em prestar honrarias pós-morte. "Acho que ele era digno de receber todas as homenagens possíveis, mas enquanto vivo. Agora, de que adianta? Imagina se a cada personalidade que morrer, decidirem trocar o nome de uma rua?" O motorista Maurício Carlos Ferreira também é contra a alteração. "É uma avenida muito famosa e tradicional na cidade, o nome deveria ser mantido", opina. Muitos leitores da Tribuna também manifestaram sua insatisfação com a mudança, sobretudo pelo fato de a população não ter podido opinar sobre a troca dos nomes. Quando o projeto de lei passou pela Câmara Municipal, a consulta aos moradores chegou a ser sugerida por alguns vereadores, mas não foi adotada durante seu trâmite.
Placa com antigo nome
O projeto de lei chegou à Câmara no dia 6 de julho, e foi aprovado pela maioria dos vereadores. "Cheguei a propor que a Avenida Getúlio Vargas levasse o nome do ex-presidente, mas a sugestão não foi bem recebida. Sendo assim, acabei votando a favor da troca na Avenida Independência", afirma o vereador José Emanuel de Oliveira (PSC). Após a decisão pela troca da nomenclatura, Flávio Cheker sugeriu, a pedido de moradores, que a sinalização da via contenha a expressão "Antiga Avenida Independência", para evitar problemas de localização ou de referência ao antigo nome.
Segundo a assessoria de comunicação da PJF, ainda não foi decidido se a sinalização trará a inscrição em referência ao antigo nome ou informações sobre a carreira política de Itamar Franco. A decisão deve ser tomada nos próximos dias e as placas serão afixadas até o final do mês. "Mas mais importante do que isso é evitar que as honrarias sejam banalizadas e o nome do ex-presidente apareça excessivamente. Senão a troca dos nomes deixa de ser especial", ressalta Cheker.
Além da Avenida Independência, também podem receber o nome do ex-presidente o Aeroporto Regional da Zona da Mata e o Expominas Juiz de Fora, por iniciativa do Governo de Minas. A sugestão veio do deputado estadual Bruno Siqueira (PMDB), que protocolou o projeto de lei junto à Assembleia Legislativa de Minas Gerais. "As duas obras foram idealizadas pelo ex-presidente e começaram a ser realizadas em seu mandato como governador de Minas," defende o parlamentar. A proposta está em análise pelo Governo do estado.

