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Português e culinária juntos em sala de aula

Fórmula do professor Fernando deu certo,  e o resultado são notas melhores dos alunos
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Fórmula do professor Fernando deu certo, e o resultado são notas melhores dos alunos

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Despertar com facilidade a atenção dos alunos e fazer com que eles assimilem bem a matéria não é mais um problema para o professor de língua portuguesa do Colégio Santa Catarina Fernando Paiva Martins. Dentro da sala de aula, junto com os estudantes do sexto ano do ensino fundamental, ele cria receitas de sobremesas fazendo analogias entre os ingredientes e o conteúdo da disciplina. Com as pitadas de saber e de bom humor, o resultado da iniciativa inusitada não poderia ser melhor: a motivação e as notas só crescem nas turmas do professor Fernando.

De acordo com o educador, a ideia surgiu por acaso quando ele buscava uma alternativa para motivar os alunos. “Quis trazer algo do cotidiano deles para ver se eles se interessavam mais pela disciplina.” A fórmula deu certo. O professor recebeu a Tribuna durante uma das aulas em que o português se une à culinária para ensinar a receita de um bom texto. A empolgação das crianças é marcante. Todos querem ajudar a adicionar os ingredientes que são comparados aos elementos textuais.

“Vamos colocar mais coesão aqui, gente! Tá faltando pronome!”, diz Fernando, acrescentando brigadeiro de panela à receita, que conta também com sorvete, morangos e chocolate moído. “Esse brigadeiro é molinho e serve para dar liga aos outros ingredientes, assim como os pronomes, que são elementos de conexão dentro do texto”, explica o professor com entusiasmo ao ser fitado por muitos olhos atentos e ansiosos.

Com essa analogia, ele objetiva mostrar, ainda, que não é preciso ser um chef de cozinha para fazer um bom prato, nem ser escritor ou linguista para fazer um bom texto, coerente e que cumpra com sua função comunicativa. “Fiz um texto inicial para mostrar a eles a minha relação com as palavras e com os alimentos. Com experiências pessoais, falei sobre a importância disso na minha vida e na constituição do ser humano. Quis quebrar a barreira ‘professor-aluno’ e mostrar que temos que saber colocar os ingredientes corretos para que as receitas deem certo, tanto na cozinha, quanto na língua portuguesa.”

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O uso de métodos inovadores em sala de aula é de extrema significância para atrair a atenção dos alunos, conforme a psicopedagoga Ana Carolina Arantes. “Vivemos em um mundo cada vez mais globalizado, e aliar novas metodologias e tecnologias ao projeto pedagógico da escola é a melhor maneira de o professor aproximar-se dos alunos na construção do conhecimento para torná-lo mais dinâmico e significativo.”

Assimilar o conteúdo sem decoreba

Fernando conta que prefere que os alunos compreendam a disciplina e assimilem o conteúdo. “Trabalho sempre com o sentido das palavras, não gosto que eles decorem. Como nós estamos preparando os alunos para vida, acho interessante que eles reflitam ao invés de decorar.”

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Segundo os jovens estudantes, as aulas dinâmicas e criativas estimulam o aprendizado e os deixam mais interessados nos assuntos abordados. “Ficou muito mais fácil compreender a matéria, a explicação é muito boa. A gente entende e não esquece nada”, diz Ioana de Souza, 11 anos.

Vitória Vitoi Salomão, da mesma idade, também é só elogios ao professor. “Nossas notas melhoraram depois que ele começou a ensinar assim, ficamos muito animados para as aulas, é muito legal aprender desse jeito.”

Fernando afirma que o envolvimento dos alunos realmente refletiu na produtividade deles. “O rendimento foi extraordinário. Eles não estavam acostumados a refletir sobre o que estão aprendendo, estamos com ótimos resultados.”

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Para a psicopedagoga Ana Carolina Arantes, a antiga e tradicional dimensão de um currículo escolar estático, onde o aluno repete, copia e memoriza o conteúdo abordado, é falha, pois negligencia a capacidade criativa dos estudantes. “A organização do ensino em projetos como o de Fernando Paiva é um caminho para a construção coletiva dentro de sala de aula. Isso incentiva a criança a aprender a estudar, exercer a crítica, pesquisar e argumentar”, analisa ela.

A supervisora pedagógica do Ensino Fundamental II do colégio, Giselle Imbelloni, também aprova a iniciativa do professor de língua portuguesa: “é brilhante e sempre bem-vindo tudo que vem para motivar as crianças. Essa aula, como outras que ele faz, é bem diferente, criativa, e os alunos adoram. O Fernando é muito atualizado, sempre traz novidades, estimula e desafia os alunos. Isso soma à aprendizagem, que fica cada vez mais interessante. Eles participam mais, querem escrever mais e ainda reclamam que tem pouco tempo de aula.” Giselle garante, ainda, que as aulas, literalmente gostosas, de Fernando Paiva, deixam saudades em quem já passou por elas. “Eles sentem falta do professor, querem mais.”

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