O bebê de 2 anos suspeito de ter sido agredido pelo pai e a madrasta foi transferido nessa terça-feira (07) para a Santa Casa de Misericórdia. A criança deu entrada, na noite de segunda-feira, na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Norte desacordada, com vários ferimentos, hematomas e arranhões pelo corpo e rosto. O menino estava acompanhado do próprio pai, um metalúrgico, 22, e da madrasta, 25. Diante da gravidade das lesões sofridas e da falta de informações plausíveis prestadas pelos responsáveis para explicar o ocorrido, eles receberam voz de prisão em flagrante pela Polícia Militar. Na delegacia, o casal, morador da Zona Norte, foi autuado por tentativa de homicídio qualificado por emprego de tortura ou outro meio cruel. Na madrugada de terça, o homem foi encaminhado ao Ceresp, e a mulher, à Penitenciária Ariosvaldo Campos Pires. Conforme a assessoria de comunicação da Santa Casa, o estado de saúde da vítima é estável. Ele está internado na enfermaria infantil onde, até o fechamento desta edição, ainda passava por exames.
O caso, que chocou pela suspeita de crueldade, foi descoberto por volta das 20h30 de segunda, quando a PM foi acionada para comparecer à UPA para atender uma ocorrência de lesão corporal. Ao suspeitar de agressão, a polícia questionou o pai do menino sobre o que teria acontecido. Conforme o boletim de ocorrência, ele disse aos policiais que havia dado umas chineladas no filho para que ele dormisse, alegando que o menino estaria inquieto. O homem também apresentava lesões pelo corpo, como hematomas no rosto, pescoço e braços, e justificou aos militares que teria sido agredido em data anterior pela companheira por desavenças familiares. Já a mulher negou a agressão e relatou à PM que a criança sofria muitas quedas, acrescentando que, há alguns dias, a porta de uma geladeira teria atingido a cabeça dela.
Segundo a PM, o menino apresentava machucados recentes e antigos em todo o corpo, inclusive perto da genitália. O rosto e o pescoço estariam muito feridos, e as costas com diversos arranhões. A vítima chegou a ser submetida a exame de corpo de delito para constatação das lesões.
Durante depoimento no plantão da 1ª Delegacia Regional, o casal negou ter agredido a criança e se reservou ao direito de permanecer calado e aguardar as orientações de um advogado para prestar declarações posteriormente. O caso seguiu para investigação na Delegacia de Homicídios. O titular da especializada, Rogério Woyame, informou que pretende ouvir os suspeitos e outras pessoas que possam contribuir com a investigação. É delicado por causa da pouca idade da vítima, mas, com base nos relatos obtidos até agora, será tratado como tentativa de homicídio.
Procedimentos
Até às 18h dessa terça, a Vara da Infância e Juventude não havia sido comunicada sobre o fato. Segundo o coordenador do Comissariado de Menores, Maurício Gonçalves Alvim, é normal a vara não ser avisada de imediato, já que outras medidas prioritárias estavam sendo adotadas, como o atendimento médico da criança. Não há nada que alguém possa fazer no momento, mas estamos aguardando as informações, o que deve acontecer daqui um ou dois dias. Se não chegarem, a juíza pode solicitá-las.
Quem acompanhou o caso na tarde de dessa terça foi o Conselho Tutelar Norte. Conforme o conselheiro João Maria Pires, a equipe vai conversar com a avó paterna, que teria demonstrado interesse em ficar com a criança. Ela vai assinar um termo de responsabilidade. Para isso, também precisamos da autorização da mãe. Este é o procedimento imediato. A expectativa é que enviemos um relatório até quinta-feira para a Vara da Infância e Juventude. Caberá à juíza decidir o futuro do menino.
Tanto o conselheiro como o comissário disseram à Tribuna que casos como o de terça não são atípicos em Juiz de Fora. Segundo Pires, na Zona Norte, já houve registros de situações parecidas. Geralmente os vizinhos nos ajudam denunciando. Mas muitas vezes eles têm medo de se expor. Já Maurício informou que este tipo de agressão é frequente, inclusive envolvendo abuso sexual.
