
Daniela Arbex é mais uma vez finalista do Prêmio Latino-americano de Jornalismo Investigativo
A repórter especial da Tribuna Daniela Arbex é mais uma vez finalista do Prêmio Latino-americano de Jornalismo Investigativo, concedido pelo Instituto Prensa y Sociedad (Ipys) e pela Transparência Internacional (TI). Trata-se da maior premiação do continente sul-americano, já conquistada por Daniela, em 2009. Este ano, ela concorre na categoria "Violação de Direitos Humanos", com a série "Holocausto brasileiro: 50 anos sem punição", publicada pela Tribuna em novembro de 2011. As sete reportagens revelaram como era a rotina dos pacientes do Hospital Colônia, em Barbacena, onde mais de 60 mil pessoas perderam a vida. Durante 30 dias de investigação, a jornalista refez os passos de uma história de extermínio, tendo como ponto de partida as imagens do então fotógrafo da revista "O Cruzeiro", Luiz Alfredo, publicadas em 1961. Durante a apuração, descobriu que 1.853 corpos de pacientes mortos foram vendidos para 17 faculdades de medicina até o início dos anos 1980. Também revelou que mais de 70% dos internados não sofriam de doença mental, mas sucumbiram de fome, frio, diarreia, pneumonia, maus-tratos, abandono e tortura.
Na mesma categoria, concorrem os jornalistas Alberto Arce, do jornal "Plaza Pública", da Guatemala, e Daniel Valencia, do periódico "El Faro", de El Salvador. No total, foram selecionados cerca de 30 finalistas de 19 países. Os ganhadores serão escolhidos por um júri formado pelo brasileiro Marcelo Beraba, do Grupo Estado, Gerardo Reyes, da Univision dos Estados Unidos, e pelo peruano Gustavo Gorritti, do Consórcio Internacional para Jornalismo de Investigação. Os vencedores serão conhecidos durante a Conferência Latino-americana de Jornalismo Investigativo (Colpin 2012), em Bogotá, na Colômbia, entre 12 e 15 de outubro. Na ocasião, Daniela Arbex irá apresentar sua série de reportagens.
"Holocausto brasileiro revela a história de um campo de concentração travestido de hospital. Senti que o resgate dessa tragédia nacional, a partir de imagens publicadas há 50 anos pelo fotógrafo da extinta revista ‘O Cruzeiro’, Luiz Alfredo, contribuiria para que a dor dessas vítimas jamais fosse esquecida. Infelizmente, o Brasil vivenciou o seu holocausto, embora poucos conhecessem a dimensão dos crimes cometidos dentro da Colônia. Essa série de reportagens me marcou profundamente. Vê-la inserida num prêmio de investigação jornalística tão importante me emociona e me faz agradecer a Deus a chance de fazer do jornalismo um instrumento de transformação social e de conscientização. É para isso que sou jornalista. Para recontar histórias e poder, de alguma forma, reescrevê-las, mesmo que 50 anos depois", afirma a repórter.
Em 2009, Daniela venceu o prêmio do Ipys de melhor reportagem investigativa da América Latina, com o "Caso Koji". A série de reportagens, produzida em parceria com os jornalistas Táscia Souza e Ricardo Miranda, revelou um esquema de corrupção por meio de contratos públicos favorecendo a empreiteira do então presidente da Câmara Municipal de Juiz de Fora, Vicente de Paula Oliveira, o Vicentão.
Confira a série completa:
Holocausto brasileiro: 50 anos sem punição
Comércio da morte só parou na década de 80
33 crianças viveram horrores da Colônia
Tratamento desumano inicia reforma psiquiátrica no país
Entrevista/Helvécio Ratton, cineasta: ‘Ali tinha crime de lesa humanidade
Lei sobre saúde mental ainda divide opiniões
A história por trás da história

