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Entrevista/Ana Paula Lima, cientista social

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A mestre em Ciências Sociais da Religião Ana Paula de Melo Lima apresentou, em abril, na UFJF, sua dissertação de mestrado sobre o trabalho de assistência religiosa realizado pela Igreja Católica nas penitenciárias. Seu objeto de estudo foi a penitenciária regional de Barbacena e a ideia era identificar e analisar a relação da Pastoral Carcerária com os detentos. Segundo Ana Paula, os encarcerados, em um momento de fragilidade emocional, buscam nas religiões sentidos para compreenderem o porquê de estarem naquela situação.

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Tribuna – No seu estudo, a senhora compara o trabalho da Pastoral Carcerária com o desenvolvido pelas igrejas evangélicas. Qual a diferença?

Ana Paula – Basicamente, os evangélicos buscam novos fiéis para quando saírem daquela situação, enquanto os católicos não tentam converter os presidiários, e sim dar apoio emocional. Talvez por isso os padres tenham boa relação com todos eles, independente do credo.

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– Qual a importância do trabalho da Pastoral Carcerária?

– Os representantes católicos são mensageiros. Como a pastoral exerce atividades com as famílias, ela acaba se transformando em um elo com o mundo exterior. Passam recados para os parentes e advogados. Os agentes religiosos falam sobre diversos assuntos, não só do Evangelho. É comum vê-los discutindo sobre futebol, por exemplo. Os detentos gostam de conversar com pessoas de fora.

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– Mas os detentos buscam religião ou apoio emocional?

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– Não é apenas a questão religiosa. Acredito que outros grupos de apoio teriam êxito lá dentro. Eles estão fragilizados e carentes de relação com o mundo. A Pastoral Carcerária entende isso. Tanto que, durante as visitas, nem todos que participam são católicos. Muitos até cantam músicas evangélicas durante as missas. É um diálogo inter-religioso. Acredito que isso seja muito positivo para ambos.

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