
Instituto Butantan, em SP, também desenvolve pesquisa para criar vacina contra a dengue (Daniel Guimarães/A2img)
A vacina contra a dengue deve chegar às clínicas particulares de vacinação de Juiz de Fora ainda este mês. O imunizante foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e 500 mil doses, desenvolvidas pela divisão de vacinas francesa Sanofi Pasteur, chegaram ao Brasil no dia 22 de março. Desde então, a empresa aguarda parecer sobre preço da Câmara Reguladora do Mercado de Medicamentos (Cmed) para iniciar a comercialização. A vacina chega no ano em que o município vivenciou sua pior epidemia da doença, com mais de dez mil casos e, até agora, 44 mortes confirmadas. As clínicas da cidade estimam em R$ 400 o preço de custo de cada dose. O valor final para o paciente ainda não foi calculado, mas ele deverá desembolsar valor equivalente a três doses.
Conforme o pediatra e médico responsável pela vacinação da Clínica de Vacinas Crescer, Antônio de Pádua Andrade, o imunizante será aplicado em três doses, com um intervalo de seis meses cada. “Poderão receber a vacina homens e mulheres entre 9 e 45 anos de idade. Acredito que não irá faltar a vacina. Há doses suficientes para atender a demanda gradativa.” A Tribuna entrou em contato com diversas clínicas de vacinação do município e todas aguardam pela vacina. Conforme o diretor-técnico da Vaciclin, Mário Novaes, os fornecedores estão prevendo a entrega para o final de julho. “Mas ainda não sabemos qual será o preço. Só após chegar que saberemos ao certo.”
O imunizante é válido para os quatro tipos de dengue e pode reduzir dois em cada três casos da doença, 80% das hospitalizações e 90% da incidência de casos graves que resultam em mortes. Os testes foram feitos em 40 mil pessoas de 9 meses aos 60 anos, em 15 países, inclusive no Brasil.
Segundo a assessoria de comunicação do Ministério da Saúde, após a Cmed definir o preço da vacina, haverá um pedido de incorporação das doses no Sistema Único de Saúde (SUS). O pedido será avaliado pelo Ministério da Saúde e pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) para averiguar se o custo/benefício do produto vale a incorporação no SUS.
Pesquisa nacional
O Ministério da Saúde assinou, em fevereiro, um contrato com o Instituto Butantan, em São Paulo, para financiamento da terceira e última fase da pesquisa clínica para a vacina da dengue. No total, o Governo investirá R$ 100 milhões nos próximos dois anos para o desenvolvimento do estudo. Além dos recursos do Ministério da Saúde, estão sendo analisados outros R$ 100 milhões do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e R$ 100 milhões do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Uma das possibilidades de estudo pelo Instituto Butantan é o desenvolvimento de uma vacina pentavalente, que, além de combater os quatro tipos de dengue, protegeria ainda contra o vírus zika. Nesta última etapa da pesquisa, os estudos visam a comprovar a eficácia da vacina. Do total de voluntários, dois terços receberão a vacina e um terço receberá placebo, uma substância com as mesmas características da vacina, mas sem os vírus, ou seja, sem efeito. Nem a equipe médica nem o participante saberão se foi aplicada a vacina ou o placebo. O objetivo é descobrir, mais à frente, a partir de exames coletados dos voluntários, se quem tomou a vacina ficou protegido e quem tomou o placebo contraiu a doença.
Os resultados da segunda fase da vacina já superaram as expectativas em relação à eficácia e segurança, mostrando-se superiores a outras vacinas já disponíveis ou em desenvolvimento. Para a imunização, será necessária apenas uma dose da vacina que pode ser aplicada em pessoas de todas as idades, inclusive em crianças.
No total, 17 mil voluntários de 13 cidades nas cinco regiões do Brasil participarão dos estudos e serão vacinados durante um ano. Os resultados da pesquisa dependem de como será a circulação do vírus, mas o Butantan estima ter a vacina contra a dengue disponível em 2018.
JF tem 44 mortes só este ano
Novas nove mortes por dengue foram confirmadas pelo Estado ontem em Juiz de Fora. Os casos estavam em investigação. Com este número, o município totaliza 44 óbitos pela doença, ultrapassando Belo Horizonte, que possui 39. Segundo levantamento da Tribuna, nos cartórios de registro civil de Juiz de Fora, pelo menos mais outras cinco pessoas morreram com suspeita da doença. Os últimos são dos dias 3 e 4 deste mês, quando dois idosos de 75 e 73 anos faleceram com a causa da doença descrita como dengue.
Conforme a Secretária de Saúde do município, a idade média das vítimas da dengue é de 70 anos, sendo 56% do sexo feminino e 44% do sexo masculino. Neste ano, foram notificados 14.002 casos prováveis da doença. “A Secretaria de Saúde atua durante todo o ano na prevenção ao Aedes, com a efetivação de agentes de endemia por concurso público para trabalho em campo (foram 209 agentes efetivados) e ações de combate intensificadas nos períodos de maior infestação da doença, como instalação da sala de operação, centros de hidratação, distribuição de kits, limpeza de lotes, entre outros. O ciclo da epidemia já se encontra em declínio na cidade, com apenas quatro notificações até o momento na última semana epidemiológica”, disse, em nota. A pasta não informou detalhes dos novos óbitos confirmados.
No Estado, foram confirmados 186 óbitos por dengue e outros 150 estão em investigação. A Secretaria de Estado de Saúde (SES) também confirmou uma morte em Santos Dumont e uma em Viçosa. Além Paraíba e Bicas registraram três mortes pela doença, São João Nepomuceno e Cataguases tiveram dois óbitos e Dona Euzébia, Espera Feliz, Estrela Dalva, Mar de Espanha, Recreio, Santana de Cataguases, Santo Antônio do Aventureiro e São João del-Rei já haviam contabilizado uma morte cada. Minas Gerais teve, até o momento, 522.753 pessoas infectadas pelos vírus da dengue neste ano.

