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Titular da Settra: ‘Falar sobre indústria da multa é falar sobre descumprimento da regra’

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“No trânsito, o sentido é a vida”. Com esse tema, a campanha do Maio Amarelo – de conscientização por um trânsito mais seguro – é promovida em todo o território brasileiro. Para divulgar o movimento em âmbito municipal e dialogar sobre questões que permeiam o transporte juizforano, o Debate CBN Juiz de Fora recebeu, na manhã desta terça-feira (7), o especialista em Transporte e Trânsito, José Luiz Britto, a diretora e instrutora de Ensino de Trânsito da Comissão Municipal de Segurança e Educação no Trânsito (Comset), Cláudia da Silva, e o secretário interino da Settra, Eduardo Fácio.

Educação da criança ao adulto

Em Juiz de Fora, o movimento Maio Amarelo é promovido pela Prefeitura e acontece no momento em que a Tribuna divulga casos relacionados a violência no trânsito. Entre eles, pedestres atingidos por trem e por ônibus. Para Eduardo Fácio, campanhas de conscientização são indispensáveis nesse contexto. “Além do Brasil, outros 23 países contam com a campanha do Maio Amarelo, e conscientização é fundamental. Nós, na Settra, procuramos fazer trabalhos com crianças, por que a gente pensa que criança não mente, e, se ela não mente, acaba conquistando os adultos com as informações que ela recebe na escola ou em uma campanha assim”, reflete.

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A representante da Comset também destacou a necessidade de educar a sociedade, ressaltando que esse trabalho deve ser feito a partir da parcela mais jovem da população. “É necessário educar as crianças. Nós não conseguimos mudar o passado, mas podemos levar para as escolas campanhas de conscientização, partir das crianças para os adultos. Quando eu estudava, isso acontecia na minha escola, mas ainda não é o que estamos tendo na maioria das instituições”, afirma a diretora.

“Indústria da multa”

Nos últimos meses, o presidente Jair Bolsonaro e parlamentares criticaram o que classificaram como “indústria da multa”. Em entrevista recente ao SBT, Bolsonaro defendeu a remoção de radares de velocidade das vias públicas que, segundo ele, retiram o “prazer de dirigir” dos brasileiros. O presidente ainda afirmou que oito mil processos de instalação de radares foram negados pelo ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas.

O especialista em transporte, José Luiz Britto, criticou a atitude dos políticos. Para ele, o alto número de acidentes de trânsito do Brasil inviabiliza as declarações do Presidente da República. “Num país onde o motorista anda nas rodovias a 180 ou a 200 quilômetros por hora, tem que ter fiscalização. Eu não concordo com a acusação dos deputados e do presidente. Partindo da quantidade de acidentes de trânsito que acontecem no Brasil, não dá para se criticar a colocação de radares”.

O secretário interino da Settra completou dizendo que o ideal era que o município não arrecadasse dinheiro através dos radares, com a população respeitando cada um deles. “Falar sobre indústria da multa é falar sobre o descumprimento da regra. Quem não descumpre a lei, não é punido. Se o município não arrecadasse um real com radar, seria o ideal, significaria que ninguém está descumprindo a lei. Mas não é o caso”, destaca.

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Excesso de veículos

Eduardo Fácio salientou o alto número de veículos na cidade, que, segundo ele, ultrapassam 200 mil para uma população total de 564 mil, conforme o IBGE em 2018. Apesar disso, a ideia de adotar o rodízio de placas não é estudada pela Settra. “É excludente e não nos agrada. Nós precisamos de reflexão e ajuda das próprias pessoas. A lógica do trânsito é reduzir o número de transportes privados. Se você pode ir a pé, vai a pé. Se você pode ir de ônibus, vai de ônibus”, finaliza.

Claudia também destacou o trabalho realizado pela Comset valorizando a iniciativa da própria população juiz-forana em colaboração à luta por um trânsito mais seguro. “A Comset recebe pessoas jurídicas e físicas para participar do movimento, e o movimento é pela vida. Quando você lida com o trânsito, você está lutando pela vida”.

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* estagiário sob supervisão do editor Eduardo Valente

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