Médicos de Juiz de Fora irão aderir à paralisação nacional da saúde suplementar hoje. A realização de consultas e procedimentos eletivos oferecidos por planos e seguros de saúde ficará suspensa durante todo o dia, sendo mantidos apenas os atendimentos de urgência e emergência. O Sindicato dos Médicos estima que quase dois mil profissionais participem do protesto na cidade, já que a manifestação reunirá também servidores da rede pública. Segundo a entidade, os serviços prestados pelo SUS serão interrompidos. Em todo o país, são 160 mil médicos credenciados nas operadoras de convênios e cerca de 45 milhões de usuários.
O objetivo do movimento de hoje é pleitear melhorias no atendimento aos pacientes e limitar a influência dos planos e seguradoras no trabalho do médico. Segundo a Associação Médica Brasileira (AMB), pesquisa realizada pelo Datafolha revela que 92% dos profissionais credenciados reclamam que as operadoras interferem nos diagnósticos e nos tratamentos dos pacientes, criando obstáculos para a solicitação de exames e internações, pressionando por antecipação de altas e recusando procedimentos que só médicos podem decidir se são ou não necessários. A categoria também reivindica reajustes de honorários e regularização dos contratos entre operadoras e médicos, segundo determinação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
"Estamos totalmente de acordo com o posicionamento de nossas entidades nacionais. A relação entre operadora e médico é cruel, uma vez que o plano determina, de forma autoritária, os procedimentos que são ou não permitidos e atribui valores sem uma política de reajuste transparente", afirma o presidente do Sindicato dos Médicos de Juiz de Fora, Gilson Salomão. Ele destaca que a remuneração paga pelos convênios por consulta, por exemplo, varia entre R$ 30 e R$ 50, quando, considerando-se os reajustes feitos pelas operadoras nos últimos dez anos, não poderia ser inferior a R$ 80. "Na rede pública, o protesto é contra a gestão do SUS em Juiz de Fora", completa. A manifestação acontece hoje, às 10h, em frente ao PAM-Marechal.
Uma carta aberta à população está sendo divulgada pelas entidades organizadoras da mobilização – AMB, Conselho Federal de Medicina e Federação Nacional dos Médicos -, esclarecendo os motivos da interrupção e alertando a sociedade sobre os prejuízos à saúde decorrentes das más relações das empresas do setor com médicos e pacientes. Em nota, a ANS informa que o atendimento à população não pode ser prejudicado, e que a garantia de acesso aos serviços médicos pelos beneficiários de planos de saúde é obrigação das operadoras. As empresas ainda devem providenciar o reagendamento das "consultas, exames, internações ou quaisquer outros procedimentos com solicitação médica prévia, em tempo razoável, de forma a garantir a assistência à saúde de seus beneficiários consumidores".
