
Uma travessia localizada no Bairro Igrejinha, na Zona Norte de Juiz de Fora, mais especificamente na divisa entre as ruas G e Marginal, tem representado risco para moradores e trabalhadores da região. Quem vai ao local consegue constatar a presença de buracos, pedras soltas, cano à mostra e uma ponte com pedaços soltos e torta. A água escoa e alaga o trecho, dificultando ainda mais a passagem de quem precisa atravessar o local. Moradores relatam, inclusive, que algumas pessoas já caíram na área.
Maria da Glória da Silva tem 68 anos e mora no bairro há 32. O principal medo em relação à travessia é com as crianças que passam por ela. “E se elas caírem? A água que desce do morro está acabando ainda mais com a rua. Também tenho receio de a Defesa Civil vir até aqui daqui a uns duas e interditar a minha casa. Para onde vou levar meu marido, que é uma pessoa com deficiência? Ele não anda mais, teria que carregá-lo. Se ele passa mal aqui, eu tenho que chamar os vizinhos para me ajudar a levá-lo ao médico. Como vou fazer?”, questiona.
Segundo a idosa, a Prefeitura já foi demandada pela comunidade e afirma que vai arrumar, mas até hoje não cumpriu o pedido e, segundo Maria da Glória, o problema no trecho se estende há pelo menos 32 anos , o mesmo período em que vive no Igrejinha. “O ideal era que fizessem um escadão aqui, além de arrumar a ponte.”
‘Estamos largados’
Há relatos, por parte da comunidade, de que algumas pessoas já caíram no barranco. Maria da Glória mora próxima ao local e conta que, quando sua casa não tinha cerca, pessoas chegaram a cair até dentro do terreno dela. “Outra moça caiu ali e quase quebrou a perna. Você já pensou se uma criança cai dentro da água? Como vamos ficar? E há muitas crianças que passam por aqui. O pessoal da igreja também. O morro inteiro passa.”
Ela afirma que não consegue levar o marido para caminhar na rua por conta dos buracos. “Não tenho condições de carregá-lo: tenho 68 anos. É difícil. Nós estamos largados. O sentimento é de medo”, lamenta. Gilson Aparecido da Silva, de 50 anos, nascido e criado no Igrejinha, acompanha a situação desde criança. “Um senhor caiu ali recentemente. Já com dificuldade em locomoção, escorregou e levou um bom tempo para se recuperar – e nem foi completamente.”
Gilson reforça que o problema precisa ser resolvido, principalmente pela quantidade de moradores e trabalhadores do bairro que passam por ali diariamente. “A ponte representa perigo a todos que passam perto dela. Quando passa, ela até balança. Eu, sinceramente, tenho medo.”
A Tribuna questionou a Prefeitura de Juiz de Fora sobre possíveis providências. A Administração municipal reforça que qualquer intervenção neste momento precisa passar pelo crivo técnico da Defesa Civil, por questões de segurança.
