Juiz de Fora registrou mais de 17 mil descargas atmosféricas apenas no mês de fevereiro, de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Apesar do número elevado, especialistas afirmam que o volume está dentro da média esperada para o período chuvoso na região.
Segundo a servidora do Inpe, Marjorie Xavier, a cidade apresenta uma incidência de raios ao longo do ano considerada alta. Dados de 2024 indicam que a região registra mais de 30 descargas atmosféricas por quilômetro quadrado anualmente, característica comum em áreas com forte atividade de tempestades.
De acordo com o setor de meteorologia da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), o alto número de raios em fevereiro está diretamente relacionado às fortes chuvas que atingiram o município durante o mês. Em períodos com maior ocorrência de tempestades, é comum que também haja crescimento nas descargas elétricas, já que elas fazem parte do processo de formação e desenvolvimento das nuvens de tempestade.
A elevada incidência de raios não é exclusiva de Juiz de Fora. O estado de Minas Gerais figura entre os que mais registram descargas atmosféricas no país, especialmente durante a estação chuvosa, conforme relata a Cemig. Fatores geográficos ajudam a explicar o fenômeno. Entre os principais estão as características topográficas do estado, que influenciam a circulação dos ventos e das massas de ar.
Regiões como o Triângulo Mineiro, o Sul de Minas e a Zona da Mata costumam concentrar maior incidência de raios. A combinação entre calor e umidade, típica do verão, favorece a formação de nuvens de tempestade capazes de produzir descargas elétricas.
Diferença entre medições
Os números de raios divulgados pelo Inpe podem ser diferentes daqueles apresentados por outras instituições. A Cemig, por exemplo, contabilizou 4,8 mil raios durante todo o mês de fevereiro. Isso ocorre por causa do método de medição utilizado por cada órgão.
Enquanto o Inpe capta as descargas atmosféricas por meio de satélites e considera todos os tipos de raios, inclusive aqueles que ocorrem entre nuvens, o setor de meteorologia da Cemig utiliza sensores que registram apenas descargas do tipo nuvem-solo. Esse tipo de raio é o que pode atingir estruturas na superfície, como a rede elétrica, e causar danos ou interrupções no fornecimento de energia.
Saiba como evitar acidentes com raios
A Cemig reforça a importância de redobrar a atenção com descargas atmosféricas para proteger a vida, evitar acidentes e danos a equipamentos. Segundo o gerente de Saúde e Segurança Corporativa da Cemig, José Firmo do Carmo Júnior, a principal orientação é desligar os aparelhos eletroeletrônicos da tomada antes da chuva.
“Quando um raio cai próximo às residências ou sobre a rede elétrica, ele pode provocar fortes sobretensões que chegam até o interior dos imóveis. Se o equipamento estiver conectado, há risco de queima e até de choque elétrico. Por isso, o ideal é retirar tudo das tomadas antes do início da tempestade”, destaca.
O gerente recomenda também que, durante tempestades, as pessoas evitem realizar atividades em locais descampados, lajes ou telhados pelo risco de serem atingidas por descargas atmosféricas.
“Quando começam os raios e ventos fortes, a orientação é interromper qualquer atividade externa e procurar imediatamente um local seguro. Construções de alvenaria são a melhor alternativa, pois reduzem de forma significativa o risco de acidentes com descargas atmosféricas. O importante é não permanecer em áreas abertas ou em locais que possam atrair raios”, reforça.

