Ícone do site Tribuna de Minas

População cobra volta de policiais aos POVs

2440184854

2440184854

POV foi instalado em 2006 no Alto dos Passos
PUBLICIDADE

POV foi instalado em 2006 no Alto dos Passos

PUBLICIDADE

Os Postos de Observação e Vigilância (POVs) foram considerados, em 2005, tanto pela Polícia Militar quanto pela Administração Municipal, a principal proposta para garantir sensação de segurança à população e combate à criminalidade em pontos específicos do município, onde a medida havia sido considerada estratégica. Entretanto, hoje, o que se vê, é um projeto desestruturado. Episódios de uso e tráfico de drogas, abusos sexuais e depredação do patrimônio, entre outros crimes, no Parque Halfeld, no Centro, e no Bairro Alto dos Passos, Zona Sul, onde estão instalados dois postos, denunciam a inexistência de policiais nas bases nos momentos destas ocorrências. Por três vezes, em dias e horários distintos, a Tribuna tentou encontrar algum militar nos dois endereços, mas nenhuma das vezes teve sucesso. Já no POV do Manoel Honório, havia militar presente no momento em que a reportagem esteve no local, no início da tarde de ontem.

A desestruturação da estratégia de policiamento fixo deixa comerciantes e moradores indignados e sem saber a quem ou onde recorrer. No caso específico do Parque Halfeld, o fechamento do POV afeta também o trabalho da Guarda Municipal. "Há cerca de uma semana e meia, não aparece militar no POV. Para a gente, é muito ruim. Estamos enviando ofício ao nosso comando já que fica difícil agirmos sozinhos porque não temos armas", contou um agente que atua no parque.

Para quem frequenta o parque ou trabalha no local ou nas redondezas, a situação chegou ao limite. "É inconcebível pensar que o endereço que tem no entorno prédios públicos, como o da Câmara Municipal e do Fórum Benjamin Colucci, esteja abandonado, sem policiamento. Com certeza, tem mais de uma semana que não aparece nenhum militar no POV. Estão esperando acontecer uma tragédia para trazer a segurança de fato para um dos principais pontos turísticos da cidade", reclamou o comerciante Saulo Cândido, 30 anos. "Precisam colocar mais segurança e não tirar. O parque está muito violento, muita briga, gente usando e vendendo drogas. Está complicado trabalhar aqui", contou um ambulante, 40, que, com medo, preferiu não se identificar.

No Alto dos Passos, Zona Sul, comerciantes relatam a insegurança, principalmente após uma onda de arrombamentos, furtos e assaltos em estabelecimentos comerciais. No início de dezembro, às 7h, uma lanchonete em frente ao posto foi assaltada. Um homem armado com revólver rendeu a gerente, 20 anos, e exigiu todo o dinheiro do caixa. O ladrão roubou R$ 3.600, além dos celulares da vítima e de uma atendente, 26.

PUBLICIDADE

Morador antigo do bairro, um advogado aposentado, 78, cobra o retorno do funcionamento da unidade. "Na época, empresários e moradores ajudaram a montar o posto. Não é justo deixar de funcionar sem nos consultar. Precisamos de mais segurança, haja vista uma série de brigas e assaltos ocorridos na região. Além disso, não sabemos se a PM está aqui, se vai passar de carro ou a pé. Ficamos sem saber como agir."

Quem trabalha nas imediações relata a rotina de insegurança: "Semana passada toda ficou sem militar. O posto vazio traz muita insegurança, tendo um militar sempre presente, já inibe a ação dos bandidos", defende o vendedor Rodrigo Santos, 22. "Sem polícia, temos que fazer nossa própria segurança. Fico de olho o dia todo em atitudes suspeitas e tenho sistema de vigilância", disse um comerciante, 50.

PUBLICIDADE

 

Previsão de novos postos não se concretizou

O primeiro Posto de Observação e Vigilância (POV) em Juiz de Fora foi inaugurado em agosto de 2005, no Parque Halfeld. Em dezembro de 2006, o segundo começou a funcionar na esquina das ruas Morais e Castro e Padre João Emílio, no Alto dos Passos. A promessa era de que outros postos fossem implantados em pontos críticos do município, mas somente mais um – no cruzamento das avenidas Brasil e Rio Branco, no Manoel Honório – tornou-se realidade e continua em funcionamento. Os outros previstos para as esquinas das avenidas Independência e Rio Branco, Rua São Sebastião com Avenida Francisco Bernardino, Praça da Estação, Largo do Riachuelo, Praça do Bairro Bom Pastor, Bairro São Pedro e Benfica não saíram do papel.

O projeto dos POVs foi baseado em pesquisa realizada, na época, pela Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do município e contou com apoio do empresariado de Juiz de Fora. A proposta de instalação dos postos foi considerada acertada, à época, pelos comandantes das 30ª e 32ª companhias da PM, responsáveis pela segurança no Centro e no Alto dos Passos, respectivamente. Em 2008, balanço mostrou que o índice de ocorrências no Parque Halfeld havia chegado praticamente a zero devido à presença de um policial em ronda das 8h às 18h e outro fixo no Posto de Observação e Vigilância (POV).

PUBLICIDADE

Mesmo tendo avaliação positiva, os POVs não conseguiram se manter. Segundo o assessor de comunicação organizacional da PM, tenente Flávio Luiz Campos, a unidade do Alto dos Passos não foi desativada, entretanto, não há mais policiais fixos, em turnos, na unidade. "A visibilidade do posto é muito boa, mas impede de o militar cuidar de outras ruas internas do bairro. Agora ele anda, percorre as ruas de viatura e tem o POV como base, apenas."

Para o pesquisador Luís Felipe Zilli, do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública da Universidade Federal de Minas Gerais (Crisp- UFMG), a mudança de estratégia de policiamento é normal, desde que ligada a um prévio diagnóstico. "O fenômeno criminal é dinâmico, por isso a polícia também precisa ter flexibilidade, modificando suas formas de atuação. Entretanto, a mudança precisa estar fundamentada em um diagnóstico da área, senão, não há razão para mudar."

Sair da versão mobile