O soldado da Polícia Militar, Helder Augusto Silva, 28 anos, foi autuado por tentativa de homicídio. Ele é suspeito de atirar contra um morador de rua, 21, no Poço Rico, Zona Sudeste, na madrugada de ontem. A tentativa de homicídio aconteceu por volta de meia-noite e meia na Rua Viscondessa Cavalcante. A vítima foi baleada quando se preparava para dormir, em frente ao portão de uma fábrica de roupas, junto com a companheira, 27, grávida de oito meses. Segundo informações do boletim de ocorrência, o casal viu passar pela via uma moto Honda Twister amarela. O veículo retornou ao local e parou ao lado da dupla. Em seguida, o condutor, que usava capacete, teria chamado o jovem e sacado uma pistola cromada, atirando pelo menos três vezes em sua direção. O rapaz foi alvejado por um dos tiros na coxa direita. Ele foi socorrido pelo Resgate e levado ao HPS, onde foi medicado e liberado, de acordo com a assessoria da Secretaria de Saúde.
"Entrei em desespero, porque ele atirou muito de perto. A sorte foi que ainda estávamos em pé, e meu marido conseguiu correr. Deus foi muito bom de não deixá-lo morrer", desabafou a companheira da vítima. O casal teria reconhecido o atirador por causa de uma ocorrência ano passado na Praça da Estação. Com base no nome e nas características repassadas pelo casal, militares seguiram para a residência do soldado na Zona Sul. Já na garagem, os policiais constataram que havia uma moto da mesma marca, modelo e cor descrita pela vítima. Ao ser questionado pela PM, o suspeito disse que havia chegado em casa por volta das 19h do dia anterior e que permaneceu na companhia de seus familiares até a chegada da equipe policial. Helder também relatou estar de férias e ter passado o dia em sua granja. Ele confirmou ser o proprietário da moto e de um capacete preto fosco, mas negou participação na tentativa de homicídio.
No entanto, o PM teria caído em contradição a respeito da posse de armas. Inicialmente, teria dito possuir duas pistolas cromadas registradas. Depois, alegou ter só uma e informou que a mesma estaria guardada em uma propriedade perto de Ewbank da Câmara. Apesar das buscas no local, nada foi encontrado. Depois de ter sido levado para a 1ª Delegacia Regional de Polícia Civil, o suspeito entrou em contato com o comandante da 30ª Companhia da PM, na qual é lotado, e disse ao capitão Márcio Coelho que havia recordado que a arma estava mesmo em sua casa na Zona Sul. A pistola calibre 380 foi apreendida e será periciada. Também foram recolhidos o registro da arma, um carregador com capacidade para cinco tiros e dez munições.
Ainda segundo o boletim de ocorrência, a mulher foi levada até a residência do soldado, mas não o teria reconhecido, porque ele estava com roupas diferentes. Mas ela teria confirmado que o policial possuía o mesmo tipo físico do atirador, e ele recebeu voz de prisão em flagrante. O comandante da 30ª Cia confirmou que o soldado está de férias. Segundo ele, a pistola apreendida é de uso particular do policial e registrada. O capitão Márcio Coelho informou também que o comando da 4ª Região da PM está ciente da ocorrência e que será aberto procedimento investigatório paralelamente ao inquérito da Polícia Civil. "Ele negou o crime, disse que estava em casa, e a mãe dele confirmou. Vamos instaurar sindicância e apurar as responsabilidades." De acordo com a delegada responsável pelo flagrante, Maria Isabella Bovalente Santo, o flagrante foi confirmado em função de prova testemunhal, já que a companheira da vítima presenciou os fatos. "Além da testemunha, utilizamos como base o histórico existente entre os envolvidos, já que ambos, no passado, já teriam protagonizado outra ocorrência envolvendo um furto", disse, acrescentando que o soldado ficaria preso no 2º Batalhão da PM. Apesar de ter negado o crime, Helder, durante depoimento, contou que já conhecia o morador de rua, uma vez que a vítima teria atuado como cúmplice no furto de uma bolsa com documentos e dinheiro no interior de uma viatura policial, na qual trabalhava. Ainda chegou a mencionar que, em outras oportunidades, abordou o morador de rua, mas sem cometer abusos.
