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Veículos de autoescolas estão na mira da banca

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Cerca de 30 veículos e instrutores de autoescolas de Juiz de Fora foram vistoriados ontem pela Banca Examinadora da 1ª Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran-Juiz de Fora). A medida faz parte do pente-fino que irá identificar os fatores responsáveis pelo alto índice de reprovação nos exames práticos na cidade, que, em outubro, chegou a 85%. Nesta primeira fiscalização, irregularidades foram apontadas em quatro casos de aprendizes e em dois veículos que estavam sem a documentação exigida. No entanto, como a ação teve caráter educativo, não houve punições aos centros de formação de condutores (CFCs). O trabalho vai continuar não só nas ruas durante o treinamento dos candidatos, mas nos dias e locais de exames de direção, pois há outras denúncias mais graves, envolvendo os veículos utilizados nas provas. "As autoescolas já começaram a ser fiscalizadas, sobretudo quanto aos veículos utilizados para treino e exame. Temos conhecimento que muitas os utilizam sem condições nenhuma, tal como pneus carecas, sistema de iluminação e freio com defeito. O carro sem manutenção contribui para a reprovação", afirma o coordenador da Banca Examinadora da 1ª Ciretran-JF e delegado regional, Paulo Sérgio Xavier Virtuoso. Uma estudante de enfermagem, 21 anos, considera que as condições do veículo em que prestou exame foram determinantes para a sua quarta reprovação. "Os pneus estavam carecas, e o da dianteira, murcho. A terceira marcha também estava arranhando."

A proposta do estudo é ainda padronizar o trabalho dos examinadores. "Eles serão analisados de forma individual, para averiguar se existem discrepâncias." A decisão de realizar a peneira foi tomada diante do declínio, cada vez mais preocupante, do número de aprovados no município e das reclamações de candidatos com relação a todo sistema, que envolve não só o trabalho das autoescolas, como a falta de critério da banca e as exigências do Departamento de Trânsito (Detran), como a biometria e o maior número de aulas teóricas do que práticas.

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Antes das ações da tarde de ontem, outros dois flagrantes incluídos no levantamento já haviam sido feitos em exames práticos. Na manhã de ontem, na motopista, a Banca Examinadora apreendeu uma moto por não portar o Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo (CRLV) deste ano. Já no dia 30 de novembro, o mesmo aconteceu durante o exame de carros no Parque Guarani, quando um Gol foi apreendido pelo mesmo motivo. Ambos os veículos pertencem a uma mesma autoescola.

Aliados a esta estatística de reprovação, dados da Polícia Civil mostram que, das 31 autoescolas em funcionamento na cidade, apenas três superaram o índice de 25% de aprovação de alunos nos exames práticos no período de janeiro a outubro deste ano, enquanto outras 11 não chegaram à casa dos 20%. Estes números são considerados baixos se baseados na resolução nº 358 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), a qual determina que os CFCs devem apresentar "índices de aprovação de seus candidatos de, no mínimo, 60% nos exames teóricos e práticos respectivamente". No âmbito da prova de legislação, de acordo com o mesmo levantamento, os números são mais favoráveis durante o primeiro semestre de 2012. No entanto, ainda há estabelecimentos que não conseguem se enquadrar na resolução: cinco autoescolas apresentaram índice inferior a 60% também nos exames teóricos.

Índice ideal

Para o coordenador da Banca Examinadora da 1ª Ciretran-JF e delegado regional, Paulo Sérgio Virtuoso, dentro da realidade do exame na cidade, o índice ideal de aprovação seria de 40%. "A reprovação em Juiz de Fora está ligada a uma série de fatores, inclusive pelo comércio que se formou em torno das autoescolas. Para alguns instrutores, é mais lucrativo levar o aluno para exame, em função do preço cobrado pelo aluguel do carro, do que ministrar mais aulas até prepará-lo de fato para a prova."

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Outro agravante, na visão do delegado, é a preocupação do aluno em treinar somente para o exame prático. "Está é uma das grandes causas do índice de reprovação. É centro de formação de condutores, não de candidatos à prova. O aluno se preocupa só com o exame. É um direito dele fazer a prova, assim como é do Estado reprová-lo se não estiver em condições de passar." Ele ainda ressalta que a solução para melhorar o índice seria o aumento das aulas práticas obrigatórias de 20 para 40.

 

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Alunos têm aulas práticas interrompidas

Os examinadores da Banca da 1ª Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran-JF) compareceram aos bairros Bandeirantes, Parque Guarani e Vivendas da Serra, na Região Nordeste, e ao estacionamento do Estádio Municipal Radialista Mário Helênio, na Cidade Alta, que, embora não seja mais área de exame, ainda é utilizada por instrutores como ponto para as aulas em motocicletas e para alunos iniciantes nas aulas de direção de carros. Foram vistoriados documentos de identidade e licença para aprendizagem da direção veicular dos alunos, Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e habilitação para lecionar aulas dos instrutores, além de documentos de porte obrigatório do veículo. As condições das rodas e dos sistemas de iluminação e freio também passaram por avaliação.

Quatro alunos tiveram que interromper as aulas por não portarem documentos obrigatórios, como a carteira de identidade e a licença para aprendizagem de direção veicular (LADV). Um carro e uma motocicleta ficaram detidos porque os responsáveis não portavam o CRLV 2012, mas foram liberados após representantes dos centros de formação de condutores apresentarem os mesmos.

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Fiscalização necessária

Instrutores que foram abordados durante a vistoria apoiaram a ideia. "É excelente para o instrutor, para o aluno e para a autoescola", enfatizou a instrutora Maria Cristina Galindo dos Passos. Para o instrutor Cleber do Carmo, as fiscalizações são necessárias para verificar quem está certo e quem está errado. "Para os errados, têm que procurar corrigir, e, para os certos, é ponto positivo."

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