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Polícia Civil desvenda esquema de agiotagem

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Dois escritórios que praticavam empréstimos com taxas de juros acima de 30% foram fechados ontem pela Polícia Civil, no Centro de Juiz de Fora. Segundo a investigação, de cerca de dois meses, as vítimas que não conseguiam quitar as dívidas eram ameaçadas de agressão e até de morte. A delegada responsável pelo inquérito, Mariana Veiga, vai apurar se os estabelecimentos que atuavam na cidade têm ligação com a quadrilha de agiotagem, desmantelada no Rio de Janeiro no mês de outubro. O grupo detinha escritórios em oito municípios do estado fluminense e já começava a expandir sua atividade criminosa para Natal, no Rio Grande do Norte. Durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão, em Juiz de Fora, investigadores da 7ª Distrital vasculharam os imóveis nas ruas Halfeld e Espírito Santo, efetivando a apreensão de fichas de cadastros, panfletos e notas promissórias preenchidas e em branco. Em um dos locais, os policiais ainda recolheram cerca de R$ 4 mil. Em cada um dos escritórios, um funcionário foi levado à delegacia com o objetivo de prestar depoimento; ambos foram liberados posteriormente. Nossa meta é concentrar o maior número de informações, para ver se há ligação entre os dois escritórios e enviá-las para a Polícia Civil do Rio de Janeiro, a fim de verificar se existe relação entre os crimes praticados aqui e lá, apontou a delegada, acrescentando que, nesta fase da investigação, buscou-se identificar os estabelecimentos e seus funcionários e realizar a apreensão de materiais. Nosso próximo passo é buscar os donos dessas firmas, já que não estão ligadas a instituições financeiras e não tinham autorização para trabalhar com empréstimo.

Até agora, a polícia já tem ciência de nove vítimas na cidade e todas serão intimadas. Mariana Veiga acredita que o número possa ser maior, uma vez que os casos podem estar pulverizados nas demais delegacias da Regional. A apuração teve início depois da divulgação em âmbito nacional da quadrilha que agia no Rio. Reparamos que diversos boletins de ocorrência passaram a ser registrados na cidade, com o mesmo modo de agir dos criminosos. Instauramos inquérito para apurar o crime de extorsão, que é a exigência de vantagem indevida mediante à grave ameaça, e usura, prevista pela Lei de Crimes Contra a Economia Popular, conhecida como agiotagem. Ela afirmou que ainda é cedo para estimar o prejuízo causado pelos agiotas em Juiz de Fora.

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Durante depoimento na delegacia, um dos funcionários, de 36 anos, contou que trabalhava no escritório há quatro meses. Segundo ele, no local, os clientes tinham que preencher uma ficha cadastral, com dados pessoais e telefones de contato. Ele ligava para uma central no Rio, passava as informações e obtinha a autorização para realizar o empréstimo. O cliente assinava uma nota promissória e saía com o dinheiro. De acordo com o funcionário, o pagamento do empréstimo era dividido em três parcelas. Caso o débito não fosse quitado, era a central carioca que se encarregava da cobrança.

Ameaça de incêndio

Conforme a delegada Mariana Veiga, as vítimas preferenciais dos escritórios eram pessoas sem crédito na praça, já que era mais fácil fazê-las aceitar a taxa de juro imposta pela suposta financeira. Em uma das ocorrências, um aposentado, de 58 anos, contou que ficou sabendo do empréstimo por meio de meninas que ficavam no Calçadão da Halfeld, entregando panfleto. Ele pegou emprestado R$ 600 e assinou promissória no valor de R$ 880, ou seja, um aumento de 46,6%. Ao deixar de efetivar um dos pagamentos, a vítima passou a receber telefonemas com ameaças, nos quais um homem dizia palavras do tipo: Vou entrar na sua casa e pegar suas coisas e Vou colocar fogo na sua casa. Uma mulher, 36, também registrou ocorrência depois de receber ameaças. Ela contou que, no final do ano passado, pegou R$ 370 emprestado. Entretanto, em função de problemas pessoais, não pagou a prestação no primeiro mês. Por esta razão, quatro pessoas teriam ido até sua casa para ameaçá-la de agressão.

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R$ 12 milhões de lucro

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Em outubro, a Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu 15 pessoas suspeitas de agiotagem. Durante as buscas, os agentes descobriram que a quadrilha também tinha escritórios em toda a Região dos Lagos, Volta Redonda, Itaperuna e Juiz de Fora, totalizando cerca de 50 unidades. O lucro mensal do grupo foi estimado em R$ 700 mil a R$ 1 milhão, podendo ter um lucro anual de R$ 12 milhões. O esquema foi descoberto a partir de denúncias e registros de ocorrências, levando os agentes a apurarem que o bando cobrava juros de 48% ao mês em cima do valor do empréstimo.

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