
Há na cidade 23 creches públicas e 20 filantrópicas
A fila de espera por uma vaga em creches municipais já passa de 1.200 crianças de 0 a 3 anos em Juiz de Fora. A demanda é crescente, pois, em fevereiro, levantamento realizado pela Tribuna mostrava que havia necessidade de se criar 880 lugares para atender esta faixa etária. A situação acaba se tornando um drama para algumas famílias, cujas mães não têm como voltar ao mercado de trabalho, apesar da necessidade. Atualmente, na cidade, há 23 creches públicas e 20 filantrópicas, que assistem a 3.032 crianças nesta faixa etária.
A auxiliar de cozinha Rosiane Leite, 35 anos, moradora do Bairro Santos Dumont, na Cidade Alta, convive com o problema. Sua filha está com 1 ano e 6 meses e aguarda vaga desde que tinha 6 meses de vida. Rosiane comenta que a principal dificuldade é pagar R$ 150 para que outra pessoa cuide da menina, já que sua renda mensal é de um salário mínimo. "Trabalho de 7h até 17h, e tenho outro filho, de 10 anos. Tento deixar tudo pronto em casa antes de ir trabalhar, pois o menino estuda no período da tarde." Rosiane diz que esteve no Centro de Referência de Assistência Social (Cras), na última semana, e foi informada que ainda não há expectativas de quando terá vaga disponível. "Parece que tem mais de 20 pessoas na minha frente." Segundo ela, a situação fica ainda pior quando, por algum motivo, a cuidadora não pode ir até a sua casa ficar com a criança. "Preciso faltar ao emprego, e tenho o dia de trabalho descontado."
Outra mãe que já passou por muitos problemas é a doméstica Carine Angélica Segal, 23 anos, moradora do São Pedro, na Cidade Alta. Depois de mais de três anos de espera, ela finalmente conseguiu um lugar para o filho ser assistido. A criança estava cadastrada desde que tinha 4 meses de vida. No entanto, os anos foram passando e, apenas há 60 dias, ela conseguiu matriculá-lo em uma instituição. Agora o menino está com 3 anos, e completa 4 no próximo mês. "Depois de toda esta espera, já fui informada que ele deve deixar a creche no fim do ano." Carine conta que dependia da mãe para cuidar da criança enquanto trabalhava. "Os transtornos vinham quando não havia ninguém disponível para ficar com ele. Eu precisava faltar ao serviço, o que me deixava em situação desconfortável com os patrões."
A secretária de Educação, Eleuza Barboza, reconhece a demanda reprimida, mas afirma que, para resolver o problema, a Prefeitura pretende iniciar a construção de mais sete creches, com a ampliação de 1.320 vagas nas comunidades onde foram identificadas situações mais graves. O levantamento foi realizado pela Secretaria de Assistência Social (SAS), por meio do cad-Único, que organiza informações sobre famílias em vulnerabilidade social no município. Uma das unidades deve começar a ser erguida ainda este ano, no Bairro Guaruá, região Sul. Para esta obra, metade do recurso necessário está nos cofres do município. No entanto, a data para início dos trabalhos não foi divulgada.
Critérios
A chefe do Departamento de Proteção Básica da SAS, Carla Salomão, explica que a escolha dos assistidos é feita por critérios previstos na norma operacional básica, do Conselho Nacional de Assistência Social, mas outras regras são utilizadas para definir os casos prioritários. "Recebemos, por exemplo, encaminhamentos da Vara da Infância e Juventude e do Conselho Tutelar. A partir destes dados, enviamos a informação para a Secretaria de Educação, que vai encaminhar estas crianças a uma creche, de acordo com a área de moradia ou trabalho do responsável." A secretária Eleuza Barboza comenta que a demanda reprimida está em todas as regiões da cidade, mas as creches do Centro, de Benfica, na Zona Norte, do Manoel Honório, região Leste, e de São Pedro são as que apresentam as maiores filas de espera.
Devido à falta de espaços públicos, muitos pais e responsáveis, sem condições para arcar com o serviço na rede particular, precisam colocar os filhos em uma unidade que não seria de sua preferência. A doméstica Josina de Souza, 46, é a responsável legal pelo neto, de 1 ano e 7 meses. Ele está desde janeiro sendo acompanhado na unidade do Bairro Cerâmica e, apesar de ter conquistado a vaga, a avó lamenta as dificuldades enfrentadas para deixá-lo todos os dias no local. "Sou moradora do Jardim Natal (Zona Norte) e trabalho em um condomínio no São Pedro. Ou seja, preciso de um ônibus até o Cerâmica, depois, de outro até o Centro, para, finalmente, pegar o último ônibus chegar ao trabalho. Na hora de voltar, é a mesma rotina. Tenho uma despesa elevada por causa disso." Segundo Josina, o ideal seria conquistar uma vaga na creche do Centro, mas ela ainda aguarda esta oportunidade. "Economizaria duas passagens de ônibus por dia."
Mais de R$ 7 mi destinados às novas unidades
A verba para a construção das sete creches previstas para o município – que somada chega a R$ 7,06 milhões – é proveniente do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2), do Governo federal, por meio do Proinfância. Ao todo, são quatro creches, orçadas em R$ 1,3 milhão cada uma, com capacidade para acolher 240 crianças, e outras três, com o custo de R$ 620 mil e capacidade para 120 vagas cada uma.
Além da creche do Guaruá, que deverá ser a primeira a ser erguida, as outras unidades serão construídas nos bairros Nova Triunfo e Jardim Cachoeira, na Zona Norte, Jardim de Alá e Vale Verde, Região Sul, Aeroporto, na Cidade Alta, e Bonfim, região Leste. Para o Jardim Cachoeira e Vale Verde, conforme a Secretaria de Educação, parte do dinheiro já estaria disponível para início das obras. Estas construções terão início ainda este ano, mas não há prazo para conclusão.
Cadastro em aberto
Ainda não há previsão de abertura de vagas para as novas creches. No entanto, para toda a rede já existente, as inscrições estão abertas. Os interessados em matricular as crianças em uma das unidades públicas têm até o dia 30 deste mês para realizar o cadastro no Cras mais próximo de sua residência (ver quadro). O responsável precisa apresentar cópia de carteira de trabalho, certidão de nascimento e CPF de todos que residem no imóvel. Também é preciso levar xerox de declaração escolar dos filhos, contas de água, telefone, carnê do IPTU e comprovante de aluguel, se este for o caso. Aqueles que se inscreveram no ano passado e não foram contemplados não precisam preencher novo cadastro.

