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UFJF volta a suspender os grandes eventos

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Corrigida em 06/08/2013 às 9h20

A UFJF suspendeu temporariamente grandes eventos com shows musicais e venda de bebidas alcoólicas. A decisão foi anunciada pela Secretaria de Comunicação (Secom) depois que um adolescente de 15 anos e um rapaz de 26 foram baleados, na madrugada do último sábado, no campus, após uma confusão generalizada, envolvendo grupos de bairros distintos. No local, acontecia a festa de recepção aos calouros com show do grupo Detonautas Roque Clube. Além de reacender a discussão sobre a realização de festividades no campus, o episódio evidencia, mais uma vez, o perigo dos grandes eventos na cidade em razão da rivalidade entre gangues.

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Em nota oficial, o Diretório Central dos Estudantes (DCE), além de lamentar as ocorrências de disparos de arma de fogo, lastima o fato de locais públicos estarem sendo usados como praças de guerra. "Lamentamos que, para algumas pessoas, tais espaços de cultura, confraternização e lazer sejam utilizados para prática de atos violentos. A juventude da cidade tem se visto bastante ameaçada pela violência crescente em Juiz de Fora, devido à falta de segurança e de políticas públicas de prevenção ao aumento da violência entre e para com a juventude."

Diante das circunstâncias, a secretária de Comunicação da UFJF, Christina Musse, disse que não serão mais permitidas festas de grande porte até que o Conselho Superior (Consu) reavalie as atuais exigências para a realização deste tipo de evento na instituição. "Diante dos riscos frente ao cenário da cidade, não nos sentimos seguros em autorizar eventos deste porte sem uma reavaliação das normas. O previsto (na resolução) não consegue resguardar a segurança dos participantes", destacou Christina. Segundo a secretária, uma nova reunião para reavaliar as exigências será solicitada ao Consu. Nesta quinta-feira, às 14h, haverá um encontro para discutir a operacionalização do restante da Resolução 13/2013, aprovada no dia 8 de julho. A medida criou uma série de normas para o uso do campus até por pessoas que frequentam o anel viário, como donos de cachorro, ciclistas e skatistas. De acordo com Christina, a ideia é fazer uma grande campanha educativa para que haja mudança de hábitos.

 

Investigação

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O caso registrado na UFJF será investigado pela Delegacia Especializada em Homicídios. As vítimas deverão ser ouvidas nos próximos dias. De acordo com a PM, mais de dez mil pessoas estavam no campus. "Todo o anel viário e a praça estavam tomados. E havia poucos seguranças. Cerca de 80, no máximo, sendo que o mínimo seriam 160. Foi sorte não ter ocorrido nada pior", disparou um militar que atuou no campus. De acordo com o assessor de comunicação interino do 27º Batalhão de Polícia Militar (BPM), capitão Ricardo Shaefer, havia previsão de dez mil pessoas na parte cercada, mas havia mais pessoas no campus, em função de ser uma área aberta. "Nesse sentido, a segurança de um evento desse porte é complexa, já que o terreno onde aconteceu não é destinado especificamente a esse tipo de atividade. Talvez, seja preciso avaliar essa questão do número de seguranças contratados. A PM entrou com efetivo suficiente para segurança no local, mas ocorrências como as que aconteceram são previsíveis", disse o capitão.

Os relatos de falta de segurança e desorganização partiram também de leitores do jornal. "O que aconteceu foi uma falha na segurança muito grande no evento. Os seguranças apenas passavam uma ‘lanterninha’ sobre você, ao invés de te revistarem. Uma amiga minha foi ameaçada por um rapaz de canivete, que estava dando em cima dela", comentou um leitor. Outro leitor, por e-mail, declarou: "Apenas algumas mulheres com bolsas estavam sendo olhadas, os homens estavam entrando sem nenhuma revista (…)."

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O DCE reafirmou que "a segurança foi a maior preocupação ao se programar a festa. Foram contratados homens e mulheres para garantir a segurança no evento, respeitando-se a proporcionalidade exigida para uma festa daquele porte. As ocorrências registradas ocorreram em área externa à da realização da Calourada 2013 e, portanto, não poderiam ser evitadas diretamente pela segurança (…)", diz a nota do DCE.

Ainda conforme o capitão Ricardo Shaefer, a PM foi oficializada a respeito do evento. "Mas não tenho a informação de quando esse documento foi recebido pela corporação. O certo é que foi avisado, e fizemos uma ordem de serviço para o policiamento." Como o militar pontuou, o evento foi denominado como Calourada, sendo assim, a PM entendeu que era destinado aos estudantes da UFJF. "Foi um evento aberto ao público e gratuito. Teve uma grande expressão, pois trouxe uma banda de repercussão nacional e concentrou um público muito grande." Quanto à questão da rivalidade entre gangues, que cada vez mais extrapola os limites dos bairros, afetando grande eventos, o militar afirmou que a situação traz preocupação. "Tentamos fazer uma melhor prevenção. Mas eventos abertos ao público e gratuitos envolvem pessoas de todas as áreas. Temos um trabalho de monitoramento desses grupos, mas são situações que, apesar de previsíveis, infelizmente podem acontecer."

 

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Vocalista se irrita com som

A falta de estrutura e de organização também teria sido o motivo da suspensão temporária do show pelo vocalista da Banda Detonautas Roque Clube, Tico Santa Cruz. O cantor se irritou com a qualidade dos equipamentos de som. Em vídeo divulgado na internet, ele explica que o equipamento utilizado serviria no máximo para 1.500 pessoas. "Tem mais de dez mil pessoas aqui. Então, eu agradeço a vocês que estão aqui na frente. E, a vocês que estão aí detrás, eu peço mil desculpas por não conseguirmos atingi-los aí com nosso som." Coordenadora geral do DCE, Laiz Perrut disse que a condição para que a banda subisse ao palco e realizasse o show era deixar evidente os problemas com os equipamentos de som. "A universidade tem um contrato para iluminação e som do evento com a Viva. Foi repassado um valor x para a empresa, e o som oferecido foi bem aquém do que era necessário. Quando o produtor técnico do Detonautas viu o equipamento, disse que seria impossível ter o show. Ficamos até 23h tentando resolver o problema. E o Tico Santa Cruz disse que só começaria o show se falássemos sobre o que tinha acontecido. Um dos donos da Viva, a empresa que foi contratada, ligou ameaçando desligar o som da festa, e, nessa hora, o Tico parou o show."

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Durante a pausa, Tico declarou: "Se você desligar esse ‘PA’, meu irmão, você não sai daqui vivo! Entendeu? (…) Se você tivesse feito isso direito, teria trazido um equipamento decente para atender a essas pessoas que estão aqui. (…) Desligue este PA que você não vai mais ter a ‘Viva’, você vai ter a morte."
 

Em postagem na rede social Facebook, Tico Santa Cruz se explica: "Se estás no meio do seu show, já com todas as dificuldades impostas, e, de repente, és comunicado pela produção que o dono da empresa contratada para organizar o evento está ameaçando nossa equipe de cortar o som. Se eu não tivesse sido enérgico e, irresponsável, tivesse desligado o som do show, ele colocaria mais de dez mil pessoas em fúria naquele local. Poderia ter acontecido uma tragédia por conta da falta de comprometimento desse cidadão. A minha ira estava relacionada às ameaças que sofremos e à irresponsabilidade desses indivíduos que embolsaram um dinheiro que oferecia condições para fazer um trabalho perfeito e escolheram expor o Detonautas, o DCE e o público a um risco."

Diretor da Viva, Fernando Sotrate diz que não foi firmado contrato com o DCE. "Não fomos contratados. Como estamos acostumados a realizar festas na UFJF, nos procuraram e pediram apoio. O que fizemos foi dar indicações de fornecedores dos equipamentos." Segundo Fernando, a empresa está analisando os fatos para, se for o caso, adotar medidas legais.

 

 

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