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Comando Vermelho é alvo da ‘maior força-tarefa já realizada em Juiz de Fora’

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A maior ofensiva já realizada contra o Comando Vermelho em Juiz de Fora, conforme o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), foi deflagrada na manhã desta quarta-feira (6), com o cumprimento de mais de 200 mandados judiciais que miram a estrutura financeira e as lideranças da facção na Zona da Mata. A força-tarefa, coordenada pelo órgão com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), bloqueou R$ 8,4 milhões em bens e valores a fim de asfixiar o funcionamento da organização criminosa na cidade e região. 

Somente em Juiz de Fora, 47 suspeitos de envolvimento com o Comando Vermelho foram presos. Outras duas prisões ocorreram na região: uma em Eugenópolis e outra em Matias Barbosa.

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Foto: Divulgação / MPMG

Ainda segundo o Ministério Público de Minas Gerais, a investigação permitiu mapear a hierarquia e o fluxo financeiro do Comando Vermelho. Com base nas provas reunidas ao longo das apurações, foram apresentadas nove denúncias contra diferentes núcleos e células da organização, apontados como responsáveis pelo controle de, pelo menos, cinco bairros: Nova Era, na Zona Norte; Dom Bosco, na Zona Sul; Vila Montanhesa, Vista Alegre e Grama, na região Nordeste.

A atuação da facção não se restringia aos bairros mapeados. Segundo o diretor-geral da Penitenciária José Edson Cavalieri (PJEC), Thiago Costa, ao menos 12 suspeitos apontados como lideranças do Comando Vermelho foram identificados dentro do sistema prisional de Juiz de Fora, em unidades masculinas e femininas. Segundo ele, os detentos estavam custodiados na própria PJEC, na Penitenciária Professor Ariosvaldo Campos Pires e no Centro de Remanejamento do Sistema Prisional. O levantamento, no entanto, não detalha quantos internos foram identificados em cada unidade.

Os chamados “gerentes operacionais” e as “disciplinas” regionais, responsáveis por monitorar o comportamento de integrantes da facção e, em alguns casos, de moradores das comunidades, também foram incluídos no escopo da investigação. Além de Juiz de Fora, apontada como centro de concentração das lideranças estaduais do Comando Vermelho, os mandados são cumpridos em Eugenópolis, Matias Barbosa e na Rio de Janeiro.

O promotor de Justiça do Gaeco, Roberto Pinheiro, explicou que as duas primeiras fases da operação tiveram como foco a cidade de Lima Duarte. Já a terceira etapa, com Juiz de Fora como ponto central, foi deflagrada a partir da identificação de provas que ligaram a organização criminosa ao município, ainda no curso das investigações realizadas na cidade vizinha, localizada a cerca de 60 quilômetros.

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O grupo criminoso, ligado a uma facção de origem carioca, era responsável pela venda de entorpecentes e já apresentava sinais de expansão territorial em Lima Duarte. “Durante o cumprimento dos mandados, nas primeiras fases da operação, foi identificada a existência de uma célula estruturada do Comando Vermelho, com atuação estável e permanente em Juiz de Fora”, afirmou o promotor.

Segundo ele, a principal atividade da organização era o tráfico de drogas, envolvendo também o armazenamento de entorpecentes, o controle de armamentos e a imposição de uma rígida disciplina interna, sustentada por elevado poderio bélico. O grupo ainda buscava ampliar seu domínio territorial e atuar na lavagem de capitais na região. As investigações também apontaram o uso de violência e grave ameaça, inclusive contra a população, por meio de práticas conhecidas como “tribunal do crime”, nas quais a própria organização impõe regras e punições à comunidade conforme seus códigos internos.

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Ações que ocorreram na manhã desta quarta-feira:

Elite das forças de segurança participam de força-tarefa

Para a Operação – considerada a maior contra a facção Comando Vermelho na cidade – foi mobilizada a elite das forças de segurança do estado. Participam da ação: o Comando de Missões Especiais (com atuação do Bope, Rotam e Choque);  a Diretoria de Operações (apoio do Batalhão Especializado em Policiamento de Eventos); e o Comando de Policiamento Especializado (com emprego do Policiamento Ambiental – Gepam e Grupo Tático Rodoviário – GTR). 

A força-tarefa conta, ainda, com cinco promotores de Justiça, 13 agentes do Gaeco de Juiz de Fora, 40 agentes da Polícia Civil (Departamento de Operações Especiais e Delegacia Regional de Juiz de Fora) e 24 agentes da Polícia Penal (Comando de Operações Especiais e setor de Inteligência do Departamento Penitenciário de Minas Gerais – Depen).

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