O fechamento de turmas levou integrantes de mais um colégio da rede estadual a realizar um protesto, na tarde de ontem. É o segundo movimento em menos de uma semana na cidade. Ontem, por volta das 15h, pais de alunos da Escola Estadual Cândido da Motta Filho, no São Benedito, Zona Leste, foram para a frente da instituição manifestar seu repúdio contra a medida, que, segundo eles, estaria ocasionando a superlotação das classes remanescentes. De acordo com a comunidade escolar, a situação chegou a um ponto em que duas turmas, de primeiro e segundo ano do ensino fundamental, foram colocadas na mesma sala de aula, com um só professor, que dividia o quadro negro ao meio, colocando, de cada lado, o conteúdo de uma das séries. "Isso vai contra tudo que se prega em educação. A indignação destes pais é muito pertinente, e o sindicato apoia integralmente. Se preciso, vamos entrar com uma ação judicial contra o estado", diz a coordenadora da subsede do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE),Victória de Fátima de Melo.
Durante o protesto, os pais entregaram um abaixo-assinado com 300 assinaturas ao vereador Isauro Calais (PMN), reivindicando ao Governo estadual que tome providências não apenas em relação à redução do número de turmas, mas também no que se refere às condições infraestruturais da escola. Atualmente, a instituição possui pisos quebrados, muros esburacados, infiltrações, entre outros problemas. "Isso aqui está abandonado, ninguém faz nada por nós", revela um estudante. Isauro disse que encaminharia o documento ao promotor da Educação, Otônio Ribeiro Furtado, ainda ontem. O problema também seria levado ao conhecimento do governador Antonio Anastasia, por representação, que será apresentada ao Legislativo após a retomada das sessões ordinárias da Câmara. "Espero que o Estado tenha sensibilidade, e o ministério tome as medidas cabíveis."
A Tribuna esteve no colégio na tarde de ontem e procurou a direção, mas não foi recebida. A Superintendência Regional de Ensino (SRE) também foi acionada, mas não deu retorno. Em entrevista anterior, a diretora do órgão, Belkis Cavalheiro Furtado, havia afirmado que o fechamento de classes obedece a uma resolução que se aplica a todas as escolas estaduais. Na ocasião, ela acrescentou que a superintendência estava analisando cada colégio onde a medida foi determinada, para "cumprir a lei com sensibilidade, sem prejudicar alunos ou professores".
