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Calouro vai para HPS após beber em trote

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Proibido no campus, trote é aplicado próximo à instituição
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Proibido no campus, trote é aplicado próximo à instituição

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Um calouro de Arquitetura e Urbanismo da UFJF, 17 anos, passou mal e precisou ser levado ao HPS após consumir bebida alcoólica durante o trote, ontem, no primeiro dia de aula. Com o corpo pintado e as roupas rasgadas, ele foi encontrado caído na calçada, na Avenida Presidente Itamar Franco, na altura da Rua Santo Antônio, no Centro. O Resgate foi acionado e encaminhou o adolescente à unidade hospitalar. De acordo com a assessoria dos Bombeiros, o estudante confirmou ter ingerido bebida, mas garantiu ter sido por conta própria, não sendo forçado a isso. Ele foi medicado e liberado algumas horas depois. A Tribuna conversou com outros calouros, que confirmaram a presença de álcool nos trotes, situação que reacende a discussão acerca dos limites do ritual.

No caso de ontem, funcionários de um estabelecimento em frente ao local do atendimento disseram que o calouro foi visto caído no chão e imóvel, na calçada de um prédio, por volta de 11h30. Pessoas que passavam pela via teriam acionado o Resgate e prestado os primeiros socorros. Uma responsável pelo adolescente teria sido avisada e chegado ao local, acompanhando o rapaz até o HPS.

Uma caloura da mesma turma do adolescente confirma que, durante o trote, fora das dependências da UFJF, foi oferecida cachaça aos novos estudantes. "Não fomos obrigados a beber. Realmente tinha bebida, mas era para quem quisesse. Eles até pegaram leve nas brincadeiras. A maioria bebeu um gole, mas por livre e espontânea vontade." Conforme a estudante, apenas o calouro passou mal, o que teria levado os veteranos a pararem de dar bebida ao jovem.

Já na Avenida dos Andradas, uma caloura de enfermagem e outra de jornalismo da UFJF também relataram a presença de bebidas nos trotes. Uma delas, 18, disse que precisou tomar uma dose de cachaça. Caso contrário, teria que pagar uma quantia da qual não se lembrava o valor. Mesmo assim, ela considerou o trote como algo normal. Já a colega, 17, disse que também teria que beber, mas conseguiu despistar os veteranos, ficando livre da dose. Ela também não viu problemas. "Não fizeram nada que não quisesse." As duas estavam desde às 7h tentando arrecadar R$ 120, porém, até às 17h, cada uma havia conseguido R$ 40.

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De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), fornecer produtos cujos componentes possam causar dependência física ou psíquica a menores de idade é crime passível de detenção de seis meses a dois anos.

Processo disciplinar

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O coordenador dos Programas de Graduação da UFJF, Fabiano Leal, disse que, até o início da noite de ontem, não tinha conhecimento acerca de denúncias formais por abusos no trote. Entretanto, lamentou o ocorrido e disse que a instituição vai buscar detalhes do caso. Isso porque, se forem constatados excessos, os responsáveis podem sofrer processo disciplinar (advertência, suspensão e até expulsão).

Leal reforçou que o trote é proibido dentro da instituição, mas os alunos acabam levando os calouros para fora do campus, onde agem livremente. Por conta disso, ele percebe que, a cada período, alguns estudantes exageram mais na "brincadeira". Para ele, possivelmente, o Poder Público terá que fazer algo para que o trote seja controlado fora da universidade. E isso precisa ser feito "antes que algo muito desagradável aconteça".

A prática de se pedir moedas nas ruas também foi condenada. "Isso está virando uma fábrica de dinheiro. Os alunos da instituição, principalmente por ser pública, não têm que levantar qualquer quantia. Gostaria de conclamar a população para que não apoiasse isso, e que os calouros entendessem que não têm que participar disso." Leal também criticou o vale-trote, divulgado pela Tribuna no sábado, em que estudantes podiam desembolsar até R$ 50 para não terem os bens danificados ou os cabelos cortados. "Isso, para mim, pode ser configurado como extorsão, prática prevista pelo Código Penal. Os veteranos precisam prestar atenção no que estão fazendo, pois isso pode ter consequências muito sérias pra eles."

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O reitor Henrique Duque informou, por meio da assessoria, que se reuniu ontem com o DCE, que também criticou os abusos durante os trotes. A proposta é que uma ação conjunta promova o trote unificado, pautado em atividades lúdicas, evitando práticas violentas.

 

Palestras e shows na Calourada 2012

Passados os trotes aplicados pelos veteranos, a UFJF realiza, na semana que vem, a Calourada 2012, com programação especial de boas-vindas que inclui shows, palestras, tour pelo campus e sorteio de brindes. A intenção é apresentar a universidade aos novos alunos, para que eles saibam como aproveitar melhor os serviços oferecidos pela instituição.

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Do dia 12 ao 16, o "Bate-papo com os calouros", no anfiteatro da Reitoria, no campus, a partir das 17h, tratará de temas como preparação para o mercado de trabalho e administração da vida acadêmica. Nestes dias, representantes de órgãos da UFJF exporão aos estudantes os benefícios ofertados, como apoio estudantil, bolsas, mobilidade acadêmica e intercâmbios.

No dia 14, acontece o "Campus Tour", passeio de apresentação da cidade universitária aos calouros, passando pelas unidades e pelo Restaurante Universitário (RU). Já no dia 16, uma equipe do Hemominas estará no anfiteatro da Reitoria, durante toda a manhã, para atender aqueles que se disponibilizarem a doar sangue.

A programação da recepção aos calouros termina na sexta-feira, com shows de Felipe & Ruan, Onze:20 e DJ Célio Negrão, na Praça Cívica, a partir das 22h. A entrada é 1kg de alimento não perecível. A programação completa está disponível no www.ufjf.br.

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