Ícone do site Tribuna de Minas

Sinal de alerta: casos de meningite em JF seguem em alta enquanto Minas registra queda

PUBLICIDADE

Os casos de meningite apresentam crescimento em Juiz de Fora desde 2022, quando saltaram de nove, em 2021, para 14, conforme dados da Secretaria de Saúde da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF). O aumento mais expressivo aconteceu de 2023 para 2024, quando os registros passaram de 22 para 33 na cidade. Em 2025, foram diagnosticadas 35 ocorrências, duas a mais que no ano anterior.

O aumento dos casos de meningite em Juiz de Fora em 2025 vai na contramão do verificado em Minas Gerais. De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), os casos no estado também apresentavam crescimento desde 2022, mas tiveram uma diminuição no ano passado, conforme levantamento feito até setembro. Segundo a pasta, foram confirmados 450 casos em 2021; 747 em 2022; 948 em 2023; 1013 em 2024; e 598 em 2025.

PUBLICIDADE

Em Juiz de Fora, a etiologia de meningite com maior quantidade de registros, de 2021 a 2025, foi a “não especificada”, com 48 casos, seguida pela bacteriana, com 45. Também foram contabilizados onze diagnósticos de meningite viral, além de nove de outra etiologia.

Já em Minas Gerais, a meningite bacteriana foi a mais comum no mesmo período, com 1577 casos, seguida pela viral, com 952. Além delas, foram 867 casos da “não especificada” e 360 de outra etiologia.

Meningite bacteriana é a mais letal

Do total de casos de meningite bacteriana em Minas Gerais de 2021 a 2025, 271 aconteceram no ano passado, menor marca do período. Entretanto, a letalidade da etiologia segue alta: 67, ou seja, 24,7% dos pacientes diagnosticados com a doença faleceram. Os outros tipos não tiveram óbitos confirmados pela SES-MG. Em Juiz de Fora, o número de mortes causadas pela doença não foi disponibilizado pela Prefeitura.

Dentro da meningite bacteriana, a subcategoria mais letal é a pneumocócica, com 98 casos e 28 óbitos. A meningite meningocócica é a segunda mais fatal, com 37 casos e dez óbitos. Por fim, foram contabilizados dez casos da meningite por Haemophilus Influenzae, com um óbito. As faixas etárias com maior índice de letalidade foram em crianças menores de um ano, com 35%, e em idosos, com 34,4% dos óbitos, mesmo com a maior carga da doença sendo contabilizada em pessoas de 20 a 59 anos.

PUBLICIDADE

Números são sinal de alerta, afirma especialista

Para o infectologista Marcos Moura, os números de Minas Gerais não são positivos, apesar da queda em cerca de 41% dos casos de 2024 para 2025. “Os números acendem um sinal de alerta. Embora parte do aumento possa ser atribuída à retomada da vigilância epidemiológica pós-pandemia, o crescimento contínuo dos casos, especialmente das formas bacterianas graves, como a pneumocócica e a meningocócica, é preocupante. Estão acima dos dados globais”, analisa.

O infectologista entende que o aumento de casos nos últimos cinco anos pode ser atribuído à melhoria na vigilância epidemiológica e laboratorial e possível queda nas coberturas vacinais, já que, em seu entendimento, a pandemia de Covid-19 impactou negativamente as coberturas vacinais, especialmente em crianças. “Esse cenário exige atenção das autoridades de saúde, reforço da vigilância, ampliação da cobertura vacinal e educação da população sobre sinais de alerta e formas de prevenção”, afirma Moura.

PUBLICIDADE

Vacinação é fundamental para diminuição dos casos

Conforme explica o infectologista, a prevenção da meningite envolve uma abordagem multifatorial, passando por práticas de higiene, como lavar as mãos com frequência, evitar compartilhamento de objetos pessoais e ambientes fechados com pouca ventilação, até vacinação contra os principais agentes causadores: meningococo (sorogrupos A, B, C, W, Y), pneumococo e Haemophilus influenzae tipo b. “A vacinação é a estratégia mais eficaz para prevenir meningites graves e reduzir a mortalidade e a letalidade da doença. Além disso, reduz a circulação dos agentes na população”, reforça.

Vacinação contra meningite pode ser feita nas UBSs em Juiz de Fora (Foto: Leonardo Costa)

Dentro do Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Sistema Único de Saúde (SUS), as vacinas Meningo C conjugada, Pneumocócica 10-valente, Meningo ACWY e Haemophilus influenzae tipo b são ofertadas gratuitamente.

Em Juiz de Fora, segundo a Secretaria de Saúde, foram aplicadas 19.572 doses de vacinas contra a meningite. Os imunizantes Meningo C e Meningo ACWY estão disponíveis em todas as salas de vacinas das Unidades Básicas de Saúde (UBS) e no Departamento de Saúde da Mulher, Gestante, Criança e Adolescente, localizado na Rua São Sebastião, número 772, no Centro.

PUBLICIDADE
Sair da versão mobile