
Professora foi flagrada quando saía de um banco
Uma ação da Polícia Civil deu fim a um esquema de extorsão sofrido por uma médica juiz-forana por cerca de três anos. Ao longo desse tempo, a vítima de 47 anos perdeu R$ 380 mil, o que daria mais de R$ 10.500 por mês. A história, que chegou ao fim ontem, caberia a um roteiro cinematográfico e abalou a família da otorrinolaringologista. As ameaças envolviam até forças sobrenaturais e uma associação com abrangência mundial, que estariam colocando em risco os familiares da especialista. Como num roteiro hollywoodiano, policiais da 1ª Delegacia de Polícia Civil flagraram, na tarde desta terça-feira, uma mulher, 54, apontada como a pessoa que vinha extorquindo a vítima. A suspeita foi abordada pelos agentes na porta de uma agência bancária, na Rua Halfeld, no Centro, com R$ 30 mil. Dinheiro que, segundo a polícia, era parte de mais um pagamento que a médica ia fazer sob intimidação.
De acordo com o delegado titular da 1ª Delegacia, José Márcio Carneiro, a própria profissional da saúde procurou a delegacia, na semana passada, para denunciar que era alvo de estelionato. Conforme ele, a médica contou que, há três anos, a suspeita vinha exercendo a função de professora particular de um de seu filhos. Ao longo desse período, quando passou a perceber que era extorquida, pensou em denunciar o caso. Entretanto, teve medo, já que um dos filhos seria apegado à professora, que ameaçava a família com histórias assustadoras. Segundo o que foi apurado, a suspeita alegava que tinha contatos com forças do mundo espiritual e que estas só não faziam mal aos familiares da vítima porque ela tinha o poder de detê-las. A criminosa também alegava que fazia parte de uma entidade, sediada na França, mas com braços espalhados em todo planeta. Tal grupo teria um plano para fazer a médica e seus parentes sofrerem um acidente fatal. Diante do temor, a vítima teria cedido às ameaças.
O delegado José Márcio também apurou que, mais recentemente, a suspeita teria alegado para a médica que havia conseguido uma vaga para um dos filhos dela em um curso de moda, em uma universidade de Paris. Contudo, para que a vaga fosse assegurada, a vítima tinha que pagar mais R$ 180 mil à professora, quantia que poderia ser dividida em parcelas, sendo a primeira no valor de R$ 30 mil. A golpista também afirmava que usaria o dinheiro para permanecer na capital francesa junto com o filho da médica, como se fosse uma guardiã dele. Foi justamente quando a suspeita pegava a quantia da primeira parcela que foi flagrada. Ela foi encaminhada para a delegacia, no Bairro São Mateus. Ao delegado, ela alegou que a médica havia comprado joias dela e que não vinha fazendo os pagamentos pelas aulas de reforço que ministrava aos filhos. Esse seria o motivo para explicar a cobrança e o dinheiro encontrado com ela.
Busca em apartamento
Ainda durante a tarde de ontem, policiais cumpriram um mandado de busca e apreensão no apartamento da suspeita, no Granbery, região central, onde localizaram R$ 147 mil e vários documentos suspeitos. A mulher seria autuada por crime de extorsão e encaminhada, após seu depoimento, à Penitenciária Ariosvaldo Campos Pires. Os nomes das envolvidas não foram divulgados pela Polícia Civil porque o caso corre em segredo de Justiça. "Muitas vezes, pessoas bem próximas são aquelas que induzem e manipulam a vítima. Nesse caso, era um relacionamento antigo entre elas e que, somente agora, as vítimas tomaram ciência de que eram extorquidas", alerta o delegado.

