A Avenida Rio Branco ficou tomada por centenas de táxis, no fim da tarde e início da noite de ontem, durante protesto contra a morte do taxista Marcelo Luna Alvarenga, de 33 anos, assassinado com um tiro na nuca, no final da noite de segunda-feira. Os profissionais deixaram seus postos de trabalho e saíram em carreata pela principal avenida da cidade, partindo do Bairro Mariano Procópio, região Nordeste, seguindo até o Bom Pastor, na Zona Sul. No caminho, eles buzinaram para chamar atenção da população e, com fitas pretas, cartazes e frases de protesto escritas nos vidros dos carros, cobraram mais segurança das autoridades. Durante a madrugada, logo após o homicídio, os auxiliares já haviam feito uma carreata e um buzinaço pelas ruas da cidade, terminando no Bom Pastor, em frente à casa do prefeito Bruno Siqueira, que desceu, conversou com os manifestantes e agendou uma reunião para às 10h30 de ontem. A ação pacífica foi acompanhada por sete viaturas e dezenas de policiais militares.
No encontro pela manhã, que contou com a presença de representantes da Polícia Militar, Guarda Municipal e Settra, uma comissão de taxistas recebeu a promessa do Poder Público de que a morte de Marcelo, que estava na função há apenas quatro dias, será investigada. A Polícia Civil já abriu inquérito para apurar o assassinato. Conforme o titular da Delegacia Especializada de Homicídios, Rogério Woyame, as hipóteses de latrocínio – roubo seguido de morte – e de execução estão sendo consideradas. "Apesar de não ter sido levado dinheiro da vítima (R$ 169 estavam no bolso traseiro da calça e outros objetos no carro), pode ter tido alguma reação por parte do taxista ou algo ter dado errado em uma tentativa de roubo." O motorista foi morto no interior de um táxi Fiat Siena, na Rua Margarida Soares Dias, no Bairro Santa Rita, Zona Leste, por volta das 22h50 de segunda-feira. Conforme o boletim de ocorrência da PM, Marcelo apresentava perfurações na nuca e testa, que seriam provenientes dos orifícios de entrada e saída de um projétil semelhante a calibre 38 encontrado no carro.
Enterro
O corpo de Marcelo Luna Alvarenga foi sepultado às 16h no Cemitério Parque da Saudade. Dezenas de taxistas, amigos e familiares acompanharam emocionados o enterro. A família preferiu não opinar sobre o que pode ter ocorrido para o desfecho trágico. "Ele estava convertido na Igreja há pouco tempo. Não tinha porque fazerem isso com ele", disse a irmã, Fabiana Alvarenga. O pai, um sargento reformado da Polícia Militar, criticou a segurança na cidade. "Não vemos policiais nas ruas, e os postos não funcionam. Quando soube o que aconteceu com meu filho fiquei uma hora tentando ligar para a polícia", desabafou Jorge Alvarenga. Familiares de outros auxiliares também criticaram o aumento da violência na cidade.
Do cemitério, os taxistas seguiram para a Praça Agassis, no Mariano Procópio, de onde saíram em carreata pela Avenida Rio Branco, às 17h30. A mobilização da categoria durou cerca de duas horas, porém, até o final da noite, grupos de taxistas mantiveram-se parados protestando em pontos isolados da avenida. Quem não aderiu ao movimento recebia críticas dos colegas.
Agentes da Settra e policiais do Pelotão de Trânsito da PM acompanharam toda a mobilização, que causou um nó no tráfego em várias vias. Após pararem por cerca de dez minutos em frente ao Parque Halfeld, ocupando as duas pistas no sentido Bom Pastor, os taxistas seguiram para a Zona Sul. No meio do caminho, decidiram ocupar apenas a faixa da direita, deixando a outra livre para os carros comuns. A medida ajudou a dar maior fluidez ao trânsito, mas muitos motoristas enfrentaram congestionamento ao longo da noite. Quando chegou ao Bom Pastor, a carreata perdeu força, porque muitos taxistas voltaram aos pontos de táxi ou seguiram rotas diferentes.
