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Garoto de 12 anos tem 5 passagens pela polícia

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O jovem R. completa hoje 13 anos de idade com uma ficha criminal de gente grande. São pelo menos cinco passagens pela polícia, sendo quatro por suspeita de envolvimento com o tráfico de drogas e uma por furto. Na última ocorrência, na noite de quarta-feira, a Polícia Militar encontrou com ele 47 pedras de crack, um revólver calibre 38 e R$ 157 em dinheiro. Parte do material estava escondida debaixo do colchão onde o adolescente dorme, em uma casa modesta de dois quartos no Jardim América, entre os bairros Ipiranga e Santa Luzia, na Zona Sul. O garoto divide o espaço com outros dois irmãos, de 16 e 5 anos, além da mãe, uma diarista de 39 anos, cujos olhos marejam d’água quando perguntada sobre o futuro do filho do meio. Não sei o que esperar dele. Se nada mudar, ele não vai ter futuro algum, desabafa M., que recebeu a reportagem ontem a noite, após passar cerca de 12 horas dando faxinas em casas de família. A residência dela ainda não pôde ser contemplada com uma arrumação. Os policiais reviraram tudo para achar a droga aqui na quarta-feira à noite. Hoje (ontem) tive que acordar às 6h30 para trabalhar e ainda não pude arrumar.

Há mais de dois meses, o filho do meio não frequenta a escola, nem o Curumim, e quase não fica em casa. Ele acorda por volta de meio-dia, sai e só volta lá pra meia-noite. A mãe confirma que ele é viciado em maconha, embora o adolescente ganhe dinheiro com a venda do crack. Na última segunda-feira, policiais militares abordaram R. mais uma vez, no Bairro Jardim de Alá, mas não encontraram entorpecentes com ele. Já com os amigos foram apreendidas mais de 40 pedras da droga. Além das duas abordagens ocorridas esta semana, o nome do garoto, conhecido vulgarmente como bactéria, é citado em outros dois boletins de ocorrência de tráfico de drogas este ano em Santa Luzia, um em agosto e outro em março. No final do ano passado, ele ainda teria se envolvido em um furto no mesmo bairro.

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Apesar de todo o histórico de ato infracional, os procedimentos das autoridades são sempre os mesmos: apreendido, o menino é levado para o plantão da delegacia e entregue à mãe, que volta com o filho para casa. Acho que a solução é internar, opina ela. A Vara da Infância e da Juventude afirma não ter conhecimento dos delitos praticados pelo menino. Não há qualquer registro de ato infracional que envolva esse menor de idade. Se a PM registrou os Reds (Registros de Eventos de Defesa Social, o antigo BO), a Polícia Civil ainda não encaminhou à Justiça, esclarece o coordenador do Comissariado da Vara da Infância e Juventude, Maurício Gonçalves.

A mãe confirma que o filho nunca fora chamado pela Justiça, apenas pelo Conselho Tutelar. Mas os próprios conselheiros falaram que é mais fácil recuperar meu filho de 16 anos, que também tem envolvimento com o tráfico, do que o de 12.

No quinto boletim de ocorrência envolvendo R., registrado na quarta-feira, o policial militar responsável pelo caso revela a gravidade da situação: Contra o referido menor, têm várias denúncias da comunidade, relatando que este está vendendo drogas, bem como trabalha como segurança de bocas de fumo e também que constantemente é visto portando arma de fogo e ameaçando pessoas na comunidade local.

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