
A sibutramina continua liberada para o tratamento de obesidade com restrições
Anunciada ontem, a decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de proibir a venda de inibidores de apetite à base de anfetaminas e tornar mais rígido o uso de derivados da sibutramina divide opiniões. Em Juiz de Fora, não há uma estimativa de quantas pessoas utilizam medicamentos com essas substâncias, mas parte dos pacientes deverá deixar de usar os remédios nos próximos dois meses, prazo definido pela Anvisa para que as farmácias retirem os anfetamínicos (anfepramona, femproporex e mazindol) das prateleiras. Já a sibutramina continua liberada para o tratamento de obesidade desde que o paciente e o médico assinem termo de responsabilidade sobre os riscos à saúde. As restrições foram adotadas com base em estudos que constataram a baixa eficácia desses medicamentos na perda de peso e riscos à segurança do paciente.
"Os remédios não são curativos, são auxiliares no processo de emagrecimento. Obesidade é uma doença e, em alguns casos, deve ser tratada com medicamento. Se o arsenal terapêutico já era restrito, agora está ainda mais", opina o endocrinologista Marco Antônio Soares Ferreira. Cerca de 20% dos pacientes obesos tratados pelo profissional utilizam algum tipo de droga. Com a proibição dos anfetamínicos, o médico teme que o comércio ilegal de medicamentos seja fomentado.
A medida da Anvisa também deve refletir nas farmácias que comercializam os produtos. A queda nas vendas, no entanto, não parece preocupar tanto o setor. "Esses medicamentos são muito procurados por pessoas que não têm receita, o que é proibido. As vendas não são tão expressivas", conta o farmacêutico da Drogaria Imperial, Allan Faria Caetano de Sousa. O proprietário e farmacêutico da Farmácia São Mateus, Nilo Lawall, concorda. "Há um ano ou dois, a procura era muito grande. Hoje, com a própria conscientização dos médicos no momento da prescrição, a demanda diminuiu bastante."
A decisão da Anvisa agradou a nutricionista do Vigilantes do Peso, Sônia Almeida. "Isso nos dá a oportunidade de promover a reeducação alimentar, que é o que a população realmente precisa."
Fiscalização
Conforme o subsecretário municipal de Vigilância em Saúde, Ivander Mattos, a norma da Anvisa vai apenas engordar a lista de medicamentos proibidos, sendo que o trabalho de fiscalização da Vigilância Sanitária local continuará sendo feito normalmente. "Em toda inspeção de rotina é verificado se há venda de medicamentos proibidos. Se houver, isso significa infração sanitária grave, sendo que o estabelecimento pode ser autuado, multado, interditado e o material recolhido."

