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Para infectologista, viagens são contraindicadas durante a pandemia

Nos feriados, movimento nas rodovias da região cresce de forma considerável

Foto: Fernando Priamo

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Para infectologista Rodrigo Daniel, deslocamento, para ser feito, precisa ser essencial (Foto: Leonardo Costa)
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Julho é tradicionalmente um mês de férias, quando famílias aproveitam o recesso do calendário escolar dos filhos para passear e visitar parentes. Com a pandemia, porém, os costumes desse período também podem precisar de modificações. Isso porque a recomendação de isolamento social tem ficado cada vez mais incisiva. O médico infectologista e chefe do setor de Vigilância em Saúde do Hospital Universitário da UFJF, Rodrigo Daniel de Souza, afirma que é totalmente contraindicada qualquer viagem que não seja realmente essencial.

“Entendo que as pessoas queiram visitar as famílias, por estar há muito tempo longe, mas não é o momento. Viagens para lazer ou até mesmo contato com familiares devem ser adiados”.

Dentre os riscos ressaltados pelo médico está tanto o individual quanto o coletivo. Ele considera que a chance de alguém adquirir a doença é diretamente proporcional ao número de pessoas com quem se tem contato, logo, quanto maior o círculo de convívio, maiores as chances de pegar e transmitir o vírus. Ao viajar, porém, é preciso considerar tanto o risco que a cidade oferece ao visitante, quanto o contrário.

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“Em algumas raras cidades, quem chega de fora oferece mais riscos aos moradores locais do que o contrário. Em destinos turísticos, se aumentar a população transitória, sendo uma cidade que não tem sistema de saúde preparado para isso – contemplando basicamente a população residente -, corre-se o risco de haver desassistência ou (de a pessoa) não conseguir retornar, em tempo hábil, à sua cidade ou a outra para tratar-se de maneira adequada. Normalmente os turistas podem comprometer muito o sistema de saúde, caso venham a adoecer, (sobretudo considerando) que a Covid-19 pode ter agravamento súbito em poucos dias, de um nariz escorrendo para a necessidade de respirar por aparelhos. Mas a maior parte dos municípios já está com casos crescentes, então não existe ambiente seguro. A gente acha que ninguém está infectado, mas de uma hora para outra, aparecem casos novos”, explica.

‘Preciso viajar, o que eu faço?’

Segundo Souza, mesmo que os viajantes se isolem e sejam testados para a Covid-19 antes da viagem, não é garantida que não seja transportada a doença até o destino final. “A pessoa pode fazer o exame hoje e começar a ter sintomas amanhã ou depois, e, durante a viagem, transmitir a doença. O ideal é fazer o exame no terceiro ao sétimo dia de doença, justamente porque se fizer precocemente, aumenta a chance de dar negativo”, explica.

Em caso de necessidade de se deslocar, porém, a recomendação é de que sejam evitados os transportes coletivos e as aglomerações. Em último caso, o transporte privado pode ser a melhor saída, seja sozinho ou com as pessoas com quem já convive em casa, em exposição diária. Quando há mais de uma pessoa dentro do carro, principalmente se for estranha ao convívio, recomenda-se o uso de máscara, além de manter o ambiente bem ventilado.

No entanto, a recomendação do médico é objetiva: o melhor é ficar na própria casa. “Com todos os equipamentos que já são projetados para proteger, temos trabalhadores que adoecem. Mesmo que a gente utilize todos os EPIs necessários, apenas reduzimos o risco. O ideal mesmo é o distanciamento social e evitar qualquer aglomeração e atitudes não essenciais”, adverte.

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