
Empresária é levada por policiais civis
Um professor, de 33 anos, foi encontrado morto e amarrado, na noite de domingo, em um apartamento de cobertura na Avenida Olegário Maciel, no Bairro Paineiras, região central. Uma empresária, 38, e um vendedor, 30, foram presos em flagrante suspeitos de participação na morte de vítima. De acordo com a delegada Sheila Oliveira, titular do Núcleo de Ações Operacionais da Polícia Civil, os dois foram autuados pelo crime de homicídio doloso (intencional), já que teriam colaborado para a morte de Bernardo Tostes Cardoso de Paula Monteiro. Durante o depoimento, os dois suspeitos disseram que o professor havia sofrido uma convulsão e, ao tentar contê-lo, a fim de que não se machucasse, eles teriam provocado sua morte acidentalmente. Entretanto, a vítima foi encontrada com pés e mãos imobilizados, com uma mesa sobre o tórax e ainda duas cadeiras sobre ela. "A empresária foi flagrada também sobre o professor, segurando seus ombros, enquanto o vendedor lhe aplicava um golpe por trás. A história apresentada por eles é muito fraca diante das evidências", destacou Sheila, argumentando que o laudo de necropsia apontou que a vítima foi morta em função de uma asfixia causada por esganadura.
Na noite do crime, por volta das 21h30, a Polícia Militar foi informada sobre uma suposta confusão no prédio da empresária. Quando os policiais chegaram ao local, foram conduzidos por um homem não identificado até o imóvel, que estaria com a porta aberta. Os militares seguiram até o último andar e encontraram o professor caído no chão da sala sendo enforcado pelas costas pelo vendedor, numa espécie de golpe denominado chave de pescoço. A empresária também estava segurando Bernardo pelos ombros, ficando parcialmente sobre ele. Depois de receberem ordem policial para largarem o homem, os suspeitos alegaram que estavam tentando conter o professor, que teria ficado agressivo após retornar de uma provável crise convulsiva.
O Samu foi acionado para socorrer Bernardo, mas ele já não apresentava sinais vitais, e, apesar das manobras de ressuscitação, o óbito foi constatado. Ele estava com as pernas amarradas pelo cinto do suspeito, as mãos atadas pela blusa da mulher e ainda tinha sobre o corpo uma mesa rústica, feita com tronco de árvore, e duas cadeiras de madeira. Toda a cena foi justificada pelos suspeitos como uma tentativa de acalmar a vítima. Ao ser questionado pelos militares, o vendedor disse que havia encontrado com o professor por volta das 13h do mesmo dia e que ambos seguiram para a residência da empresária, onde teriam ficado até as 18h. Nesse horário, ele teria seguido com Bernardo até a casa dele, para que ele tomasse banho, e, posteriormente, retornaram ao apartamento da mulher. Por volta das 20h30, ainda conforme relato do suspeito, o professor teria sofrido um mal súbito, como um ataque convulsivo, e teria caído no chão, batendo com a cabeça e sofrendo uma lesão na face. Em seguida, a mulher teria introduzido um abridor de garrafa na boca do homem para segurar a língua dele, enquanto o colega teria feito massagem no tórax para reanimá-lo. Cerca de meia hora depois, a vítima teria voltado à consciência, mas teria ficado agressiva e atacado os suspeitos. Estes, por sua vez, alegaram que tentaram apenas imobilizar o professor para interromper as agressões.
Suspeitos apresentavam diversos hematomas
Os suspeitos ainda passaram por exames de corpo de delito, uma vez que, segundo a delegada Sheila Oliveira, apresentavam diversos hematomas. "Vamos tentar descobrir o que houve naquele apartamento, durante todo o tempo em que estiveram lá. Sabemos que eram amigos, e que houve uso de bebidas alcoólicas e consumo de drogas. O local estava todo quebrado e havia marcas de sangue espalhadas", disse Sheila, lembrando que terá dez dias para conclusão do caso. "Vamos ouvir os vizinhos, que foram responsáveis pelo acionamento da Polícia Militar, e tentar identificar outras testemunhas, uma vez que a motivação do crime ainda não foi esclarecida. Quem sabe até a participação de mais envolvidos."
Durante a madrugada e toda a manhã de ontem, o vendedor e a empresária permaneceram detidos, aguardando o laudo preliminar da necropsia. Depois do resultado, eles foram ouvidos e autuados. A empresária foi conduzida para a Penitenciária Ariosvaldo Campos Pires, enquanto o vendedor foi levado para o Ceresp.

