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Comerciantes em alerta após morte

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Tiro atingiu banca de jornal, e suspeito foi morto
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Tiro atingiu banca de jornal, e suspeito foi morto

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A morte de um homem de 26 anos, assassinado com um tiro no tórax depois de um roubo à mão armada a uma pizzaria, no Centro, no último sábado (2), deixa proprietários de estabelecimentos comerciais, em todas as regiões da cidade, em alerta. Muitos já estão modificando o horário de funcionamento de suas lojas devido ao medo de ser assaltado e ter a própria vida e a de seus funcionários e clientes em risco. Órgãos de representação de segmentos comerciais confirmam a preocupação com a onda de criminalidade e recomendam a adoção de medidas preventivas de segurança.

A finalidade é tentar conter ações criminosas com uso de armas, como a que aconteceu na manhã desta segunda-feira (4), quando mais uma padaria foi assaltada. O crime aconteceu na Rua Osório de Almeida, no Poço Rico, Zona Sudeste. De acordo com informações da PM, por volta das 7h30, um ladrão armado com pistola entrou no estabelecimento e rendeu uma mulher que estava no caixa. O bandido roubou R$ 150 e fugiu em uma bicicleta. O dono da padaria, 51, ressaltou a necessidade de patrulhamento policial na vizinhança. "Estou há quatro anos nesse ponto, e é como se estivéssemos abandonados. Não existe segurança para nós." Em janeiro, dois bares vizinhos foram assaltados.

O dono de uma farmácia, 32, na mesma via, afirma que está com medo de trabalhar. Segundo ele, seu horário de funcionamento foi alterado, para garantir mais segurança. "Antes ficava aberto até 20h30. Agora, só permaneço aqui até 19h, pois a rua, à noite, fica deserta e sem patrulhamento. Não quero arriscar." A insegurança relatada pelos comerciantes é confirmada pelos sindicatos de diferentes categorias. De acordo com o presidente do Sindicato dos Panificadores, Heveraldo Lima de Castro, a classe está preocupada com os últimos registros de roubos a padarias e adota medidas preventivas, como fechar as portas mais cedo e abrir mais tarde, já que muitas começam a funcionar ainda de madrugada. "As forças policiais da cidade precisam agir com mais rigor. São crimes constantes tanto a padarias como a outros tipos de comércio. É necessário maior repressão", afirmou, acrescentando que o medo fez o sindicato se reunir, no último dia 28, com representantes da PM. No encontro, a classe recebeu orientações sobre ações de prevenção. "O próprio sindicato pede aos estabelecimentos a instalação de alarme e de sistema de segurança eletrônica."

Para o presidente do Sindicato do Comércio (Sindicomércio-JF), Emerson Beloti, de todos os segmentos abrangidos pelo órgão, o das joalherias é o de maior reincidência de assaltos. Ele argumenta que Juiz de Fora está se desenvolvendo e, consequentemente, sua população também. "Diante desse quadro, cabe a reflexão: o efetivo da Polícia Militar é adequado para atender a população da cidade? É preciso reavaliar essa situação. Outro ponto que merece ser revisto é sobre a atuação da Guarda Municipal, que age para proteger o patrimônio público, mas deveria também passar a guardar a população. Se são policiais, não importa se municipal ou estadual, devem proteger o cidadão, que é contribuinte." Em cinco meses, seis joalherias foram assaltadas, na região central.

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PM

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Sobre as ocorrências de roubos a estabelecimentos comerciais, a 4ª Região da Polícia Militar (4ªRPM) informou que há registro de queda de 4% nos casos, segundo comparativo de 2011 com 2012. No primeiro, foram 173 roubos simples e à mão armada, enquanto no ano passado houve o registro de 166 casos. Sobre as ocorrências de homicídios no fim de semana, a 4ª RPM esclarece que a corporação está atenta aos crimes desta natureza e efetua, de forma ativa, ações preventivas e repressivas. Afirma, ainda, a importância de a população auxiliar com denúncias ao disque 181.

 

Morte de suspeito ainda é mistério

A 7ª Delegacia de Polícia Civil abriu inquérito para apurar a autoria e as circunstâncias da morte do homem de 26 anos, assassinado com um tiro no tórax logo após o roubo à mão armada a uma pizzaria na Rua Espírito Santo, quase esquina com a Avenida Itamar Franco, Centro, na noite de sábado (2). De acordo com informações do boletim de ocorrência da Polícia Militar, Israel da Silva Duque foi encontrado baleado na Rua Barbosa Lima. No mesmo momento, a PM recebeu informação de que o estabelecimento próximo ao local havia sido assaltado por três ladrões, um deles com as mesmas características e vestes da vítima de homicídio. Israel, morador da Zona Norte, chegou a ser socorrido, reanimado e levado para o Hospital de Pronto Socorro (HPS), mas não resistiu e faleceu.

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O assalto aconteceu por volta das 23h. Ainda conforme a PM, o suspeito morto foi apontado pelas vítimas como o assaltante que teria entrado armado no local. Junto com dois comparsas, ele teria rendido um comerciante, 42 anos, e anunciado o crime, roubando R$ 400 do caixa. Logo após a fuga dos bandidos, dois disparos feitos em via pública foram ouvidos pelas pessoas presentes na pizzaria, entre elas um balconista, 31, e outra funcionária, 40, mas ninguém teria visto o atirador. Os tiros teriam sido disparados a poucos metros do estabelecimento, ainda na esquina da Espírito Santo com a Itamar, já que uma das balas atingiu uma banca de jornais e revistas no local. Segundo a PM, o homem morto foi reconhecido pela irmã no HPS, e ela teria sido informada sobre o homicídio por outro suspeito de participação no assalto. Os policiais não conseguiram testemunhas que teriam visto Israel ser alvejado, tornando o caso misterioso.

Diante das várias hipóteses, entre elas a de que um dos comparsas poderia ter disparado o tiro que matou o suspeito por desacerto, a delegada Mariana Veiga disse que vai aguardar os laudos de necropsia e de local feito pela perícia. "Vamos investigar as circunstâncias da morte desse homem, que seria um dos assaltantes da pizzaria. Todas as situações serão investigadas, mas ainda é cedo para dizermos o que teria ocorrido", avaliou a policial, sem descartar possibilidades, como disparo acidental, durante manuseio da arma usada no roubo, a qual não foi encontrada, e tiro efetuado por outra pessoa que estivesse passando. "Todas as vítimas e testemunhas serão intimadas e deverão prestar depoimentos nos próximos dias. Vamos apurar a autoria, tanto do roubo, quanto do homicídio, seguindo todas as linhas de investigação."

 

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Mais dois homens são mortos

Além do homicídio do suspeito de assalto a pizzaria no Centro, outros dois assassinatos foram registrados, e uma pessoa foi baleada no fim de semana. Na Vila Ozanan, Zona Sudeste, um homem, 31 anos, foi morto com quatro tiros a poucos metros de sua casa, na Rua Abílio José Gomes, no final da noite de domingo (3). De acordo com a PM, Wellington Francisco Alves foi alvejado por duas balas nas costas, uma no braço esquerdo e outra no lado direito do tronco. Nenhum suspeito foi encontrado, e o caso seguiu para investigação na 6ª Delegacia de Polícia Civil.

Já no início da tarde de domingo, o pedreiro Alessandro de Souza, 38, foi assassinado no São Judas Tadeu, Zona Norte. Após um desentendimento, o atirador teria esperado a vítima sair de casa, na Rua Luiz Vilani, e disparado. O pedreiro não resistiu aos cinco tiros na região do tórax. No local, os policiais apreenderam dois cigarros de maconha e um projétil. O delegado Rodolfo Rolli informou que um suspeito já foi identificado. Ele tem 19 anos e já teria sido acautelado quando tinha 17, pela prática de outro homicídio.

Ainda no domingo, um jovem, 22, foi alvo de cinco disparos na Rua Argeu da Cunha, no Nossa Senhora Aparecida, Zona Leste. O crime aconteceu após uma briga entre os envolvidos, mas o suspeito, 20, não foi localizado. A vítima foi internada na sala de urgência do HPS. Conforme a Secretaria de Saúde, o rapaz teve perfuração no abdômen e passou por cirurgia, mas estava lúcido e estável.

 

Mortes violentas

Os três homicídios do fim de semana elevaram para 18 o número de mortes violentas este ano. Em dois dos casos, as vítimas morreram em 2013 em decorrência de espancamentos ocorridos em 2012, quando o número de ocorrências do tipo chegou a 99, quase o dobro que em 2011, quando ocorreram 52 assassinatos. Uma das 18 mortes em investigação pode se confirmar como suicídio ou homicídio por se tratar de uma ossada encontrada em matagal na Zona Norte. Até o dia 3 de fevereiro do ano passado, haviam sido registradas três mortes violentas nesse mesmo período, em que os casos saltaram assustadoramente para 18.

Diante do crescimento exacerbado da violência, o delegado regional, Paulo Sérgio Xavier Virtuoso, informou ontem que um novo Núcleo de Ações Operacionais (Naop) será criado na 1ª Delegacia Regional. "A 3ª (Zona Norte) e 5ª (Leste) delegacias vão receber mais um delegado cada para ajudarem na investigação desses crimes, e os dois Naops vão reforçar o combate também ao tráfico, que permeia muitos desses homicídios." O regional destacou que cerca de 70% dos casos do ano passado foram apurados, e que os demais estão sob investigação.

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