O aumento do número de capivaras às margens do Rio Paraibuna, em diversos pontos da cidade, tem chamado a atenção dos juiz-foranos. Além de estarem em maior quantidade, os animais chegam cada vez mais próximo do asfalto, correndo risco de serem atropelados ou sofrerem maus-tratos. Outra preocupação da população diz respeito à possibilidade de contágio por febre maculosa, já que as capivaras são hospedeiras do carrapato-estrela, transmissor da doença.
Segundo o biólogo do Ibama André Santos, o crescimento na população do animal se deve a um desequilíbrio na cadeia alimentar em que eles estão inseridos. "Há uma falta de predadores de capivaras, como onças e jaguatiricas. Com isso, não há controle no crescimento populacional." Em pontos da Avenida Brasil, que margeia o Paraibuna em alguns bairros, os moradores já notaram a presença crescente dos bichos. Na altura do Costa Carvalho, Zona Sudeste, uma aposentada de 93 anos relata tê-los visto pela primeira vez este ano. "Moro aqui há mais de 50 anos, e nunca tinha visto. Quando vi, já foi em uma grande quantidade. Às vezes, somam mais de 20."
No trecho entre os bairros Industrial e Cerâmica, Zona Norte, moradores contam que presenciaram o atropelamento de alguns animais. "Já vi por duas vezes este ano. Eles saem da margem do rio e atravessam a rua. Pode não dar tempo de parar mesmo", diz a autônoma Ana Maria de Abreu. "Antes eles ficavam só na beira do rio. Agora estão cada vez mais próximos da rua. Ficamos com medo de alguma doença, porque tem muita criança aqui perto", acrescenta o motorista Fernando César da Silva, morador de Benfica, também na região Norte.
De acordo com André Santos, existe a possibilidade de que as capivaras transmitam febre maculosa, mas o animal não seria o único responsável pela disseminação da moléstia. "Bois, cavalos, cabras e outros bichos oferecem este risco também. Mas a recomendação é evitar o contato com as capivaras, por segurança."
Abate proibido
Ainda conforme o biólogo, os animais não podem ser removidos ou abatidos, por fazerem parte da fauna silvestre. "Se eles estiverem em situação de risco, o ideal é tentar conduzi-los à margem do rio novamente." O especialista explica que, caso haja perigo para o bicho ou as pessoas, o Ibama deve ser acionado pelo número 3215-7662. André acrescenta que a transferência dos animais requer estudos da área para onde se pretende enviá-los. "É preciso saber se há recursos disponíveis de alimentação, e se o local já não está saturado por animais da mesma espécie, entre outros levantamentos. Isso é feito pelo Ibama, em conjunto com órgãos estaduais e municipais."
