Um apartamento, localizado no 2º andar de um prédio da Rua São Mateus, no bairro de mesmo nome, na Zona Sul, foi invadido por um assaltante, que conseguiu acessar o local depois de ter a entrada liberada pelo interfone ao se passar por alguém que conhecia um morador. Ao chegar, o dono do imóvel, de 69 anos, deparou-se com o ladrão no interior da residência, sendo agredido com chutes e ferido no dedo de uma das mãos e na orelha com uma faca utilizada pelo invasor. O crime, ocorrido no início da tarde de ontem, aconteceu a poucos metros do posto policial. O assaltante teria fugido levando cerca de R$ 1 mil e joias de família, como brinco de brilhante, cordão e anéis. A ocorrência assustou moradores da região pela ousadia do criminoso, que conseguiu entrar no prédio e arrombar a porta da cozinha do apartamento. Antes do Natal, um abaixo-assinado, com cerca de 1.200 assinaturas de residentes e lojistas do Bairro São Mateus, foi entregue à Polícia Militar, solicitando maior patrulhamento naquela área, a fim de evitar furtos, arrombamentos e assaltos a estabelecimentos comerciais e residenciais.
A esposa da vítima, uma aposentada de 62 anos, recebeu a Tribuna no apartamento furtado e contou como os fatos ocorreram. Segundo ela, o bandido teria entrado no edifício e se dirigido ao 2ª andar, onde arrombou a porta da cozinha. Não havia ninguém na casa. "Por volta das 13h30, meu marido veio almoçar e tentou entrar pela cozinha, mas notou que a porta estava travada e optou pela sala. Ao entrar, viu que a casa estava toda revirada. Ele gritou pelo nome da nossa filha, mas não houve resposta. Ele foi até o quarto dela, quando se deparou com o ladrão, com um notebook na mão. O bandido jogou uma televisão em cima dele e correu até a cozinha, onde pegou uma faca, ferindo-o na mão e na orelha. Em seguida, o homem chutou meu esposo que já estava caído no chão e saiu correndo." A PM foi acionada, mas, até o fim desta edição, nenhum suspeito havia sido localizado. A vítima se recusou a receber atendimento médico, uma vez que apresentava ferimentos leves.
Patrulhamento
De acordo com uma moradora da vizinhança, um homem suspeito foi visto, durante a manhã, rondando a calçada do prédio. Outra residente, cansada das constantes ocorrências de assalto no bairro, ficou revoltada. "Isso acontece porque existe uma displicência por parte dos policiais. Eles ficam o tempo todo concentrado dentro do posto e deixam as ruas desguarnecidas de patrulhamento", desabafa. Para o presidente do Conselho de Segurança do Bairro São Mateus, José Luis Britto Bastos, apesar do trabalho da PM na região, existe uma má administração dos recursos que os policiais dispõem para garantir a segurança do cidadão. "O policial tem que estar atento em todos os sentidos, e isso não é o que acontece. O empenho que observamos é de uma minoria. É essa a questão que precisa ser avaliada pelo comando da corporação", pondera José Luis, acrescentando que só um programa de vigilância eletrônica, como o "Olho Vivo", que existe em Belo Horizonte, poderia colaborar com a redução dos casos. Ontem, a reportagem tentou falar por telefone, sem êxito, com o comandante da 32ª Companhia da PM, responsável pela Zona Sul, capitão Ricardo Shafer, mas, na ocasião em que os moradores elaboraram o abaixo-assinado, ele afirmou à Tribuna que a região vem registrando sucessivas quedas nos índices de criminalidade e que as estatísticas não mostram a Zona Sul e o Bairro São Mateus como regiões violentas. Ele ressaltou que, de 2009 para 2010, foram reduzidos em 16% os crimes violentos e contra o patrimônio na Zona Sul.
