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Especialistas defendem uso de faixas elevadas

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A falta de padrões na implantação das faixas elevadas nas ruas de Juiz de Fora é questionada por motoristas. Chamadas de traffic calmings, elas têm como principal objetivo moderar o tráfego. Estas lombadas, diferenciadas com o piso vermelho, começaram a ser implementadas em 2007 no município e hoje somam 69 na região central e em bairros. Somente na Avenida Rio Branco são 16. A Avenida Olegário Maciel, no Paineiras, concentra outras sete. Já a Avenida Itamar Franco possui quatro elevações. Segundo o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), não existe regulamentação oficial para o dispositivo, apesar de as faixas elevadas estarem presentes em outras cidades brasileiras. Porém, de acordo com a assessoria do órgão, o "processo tem parecer favorável da coordenação jurídica do Denatran e da consultoria jurídica do Ministério das Cidades".

Para especialistas, a adoção das faixas, mesmo carente de regulamentação, é fundamental para a segurança do pedestre. Por outro lado, motoristas reclamam que o alto número de elevações na região central estaria causando retenções no tráfego. Na Rio Branco, onde se concentra o maior número, condutores criticam a proximidade de algumas lombadas e a falta de padrão. Muitos reclamam que, junto das ondulações, existe o semáforo, que já tem a função de moderar o tráfego. "Acho desnecessário, já que existe o sinal", diz o empresário Hugo Rezende, 24 anos. Ele também discute que, pelo intenso movimento de ambulâncias do Samu e do Resgate, em decorrência da Santa Casa e do HPS estarem localizados na via, o percurso poderia prejudicar o transporte de enfermos. "Imagina uma pessoa com a perna quebrada. O motorista é obrigado a diminuir por causa da ondulação e, mesmo assim, ainda existe o tranco da passagem."

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O comerciante Lucas Silva, 26, questiona o desnível e a altura de alguns dispositivos. "Os dois em frente à Rua Halfeld e o que fica em frente a Catebral Metropolitana são mais altos. Já o que está próximo à esquina com a Rua Dr. Romualdo é muito estreito, fazendo com que os carros raspem a frente do veículo no asfalto." Ele também aponta para o desnível da faixa na esquina da Rio Branco com a Rua Oswaldo Aranha. "O ‘traffic calming’ é claramente inclinado."

Necessidade

O subsecretário de Mobilidade Urbana da Settra, Carlos Eduardo Meurer, reconhece a falta de regulamentação, mas destaca que as faixas elevadas são essenciais onde foram instaladas. "A lombada, além de obrigar o condutor a reduzir a velocidade do veículo, aumenta a segurança dos pedestres, possibilita acessibilidade e humaniza o espaço urbano." Em relação aos padrões, Meurer explica que cada dispositivo segue um projeto próprio, que leva em consideração as condições de drenagem da via, a adequação dos passeios e a presença de garagens. "Procuramos adotar o padrão das faixas de pedestres e das vias onde são inseridos de acordo com as condições geométricas do local. A altura máxima segue a orientação de 10cm, podendo variar de acordo com a execução da obra."

O subsecretário salienta que, na comparação entre maio e agosto de 2011 e igual período de 2012, a média de atropelamentos na Rio Branco, principal artéria de Juiz de Fora, ficou estável. "Começamos a fazer o acompanhamento na avenida e estamos felizes com esse índice que se mostra extremamente significativo em termos de gestão do trânsito." Isso comprovaria a importância dos traffic calmings. Sobre a necessidade do semáforo junto à lombada, Meurer aponta que, além da travessia, ela minimiza a gravidade de um possível acidente.

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Apesar da falta de regulamentação, o subsecretário destaca que as faixas elevadas são adotadas em outros países e citadas em manuais de trânsito. "Vários países já utilizam as ondulações, além de estarem presentes em estudos técnicos nacionais, como um manual da BHtrans de 2008, usado como referência para a implantação." Sobre os critérios de escolha dos pontos, Meurer explica que a prioridade está nas escolas, onde a condição de insegurança é maior. Do total, 31 lombadas são instaladas em referência a escolas e institutos educacionais.

Falta de sinalização

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Outro ponto levado ao Denatran é a necessidade de sinalização que também não é padronizada. A Tribuna percorreu as avenidas Rio Branco e Itamar Franco e constatou que nenhuma faixa elevada da primeira via possui placa alertando para o obstáculo. Já no caso da Itamar Franco, há indicações de "saliência ou lombada". Meurer garante que a sinalização, não apenas na Rio Branco, deve ser implantada de forma gradual. O Denatran entende que tal cuidado deve ser tomado em todas as elevações. "Caso seja necessário reduzir a velocidade na via, essa redução deve ser sinalizada antes da faixa elevada."

 

‘A vida é mais importante que a lei’

Segundo o coordenador regional da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), Willian Alberto de Aquino Pereira, a faixa elevada, apesar de não ser regulamentada, é uma medida necessária. Residente no Rio de Janeiro, mas nascido em Juiz de Fora, o engenheiro civil opinou sobre os dispositivos que auxiliam na travessia do pedestre e na diminuição de velocidade. "Essas faixas elevadas são medidas urbanas para diminuir a velocidade. A questão principal é a vida, que é mais importante do que a lei. Qualquer coisa para cada pessoa ser salva vale a pena."

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Embora a finalidade de reduzir a velocidade seja comum ao quebra-mola e à faixa elevada, Pereira, que coordenou os estudos que levaram aos projetos de transporte com prioridade para coletivos e pedestres no município, aponta as diferenças das ferramentas de moderação. "Tem lugar que é quebra-mola e tem lugar que não é. Na Avenida Deusdedit Salgado, por exemplo, é um redutor de velocidade." Nas passarelas das avenidas Rio Branco e Itamar Franco, por exemplo, a ferramenta á outra. "Isso tem enfoque no traffic calming, porque ele tem largura, diferenciamento de piso e não faz o carro bater. O objetivo é para travessia das pessoas."

Para o especialista em trânsito José Luiz Britto, a medida é favorável. "As faixas significam segurança. Temos que nos preocupar em primeiro lugar com o pedestre e, por último, com o automóvel." Ele reitera que não vê empecilho em relação à ondulação acompanhada pelo semáforo. "Não vejo problema, principalmente pelo fato de motoristas não respeitarem a faixa de retenção localizada antes das elevações. A lombada é um reforço para a segurança na travessia."

Coletivos

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Outra reclamação acerca das elevações, principalmente as da Rio Branco, vem dos usuários do transporte público. Eles se queixam dos trancos quando os ônibus passam pelas elevações. Para Britto, a falta de flexibilidade dos veículos e a velocidade que os motoristas empreendem são as principais causas. "Os ônibus aqui têm chassi de caminhão. Não são flexíveis e nem confortáveis para transportar pessoas. Por isso acontece esse tranco quando passam nas ondulações." Ele compara com os coletivos utilizados no transporte interurbano. "Os ônibus rodoviários passam com tranquilidade."

 

Problemas de locomoção nas ruas

Para o especialista em engenharia de transportes José Alberto Castañon, a adoção das faixas elevadas é útil na redução de velocidade dos veículos, mas também pode apresentar problemas à locomoção das pessoas dependendo da forma. "Determinado piso pode fazer com que uma mulher com salto alto ou um cadeirante percam o equilíbrio." As faixas elevadas da UFJF, projetadas há cerca de sete anos pelo engenheiro civil, são diferenciadas pela própria natureza da passagem. Segundo Castañon, um dos principais fatores a ser levados em conta é a inclinação da lombada. "Quanto mais inclinado, pior. As da UFJF possuem uma inclinação de subida e descida que permite a passagem dos veículos sem causar baque. Além de ter área central lisa para a circulação de pedestres e guias para deficientes visuais." O especialista compara essas elevações com as localizadas no Centro. "Quanto mais estreitas, mais inclinadas. As da Rio Branco em frente à Halfeld, por serem maiores, possuem área mais plana. No entanto, o piso não favorece a circulação dos pedestres."

Sobre a regulamentação, principalmente em relação à distância entre as faixas elevadas, o especialista argumenta que esse fator é fundamental no planejamento dos dispositivos. "Quanto mais distante, mais velocidade o veículo pode alcançar. Mais próximos, a velocidade cai. Com 30 metros de distância por exemplo, o motorista fica obrigado a desenvolver até 30 km/h." No entanto, ele argumenta que a instalação de forma aleatória prejudica a mobilidade do tráfego.

Adequação

Outro ponto questionado é a falta de acessibilidade em algumas faixas, como a localizada na Rua Espírito Santo, em frente ao Centro de Convivência do Idoso, e a na Rua São Mateus, quase esquina com a Rua Pedro Scapin. De acordo com a subsecretária Operacional de Transporte e Trânsito da Settra, Roberta Ruhena Vieira, a licitação das faixas também prevê que a empresa vencedora adeque os passeios, facilitando a acessibilidade. "Até o final de novembro, oito pontos terão a adequação da rampa." Ela explica que o processo não é feito todo de uma vez, pois cada ponto carece de análise. Sobre os dois locais citados, Roberta afirma que os locais seriam analisados. "A faixa elevada na São Mateus foi uma das últimas a serem implantadas e deve ter a rampa." Para informar falta de acessibilidade, piso quebrado ou incoerências nas faixas elevadas, a Settra disponibiliza o telefone 3690-8218.

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